Oi professor! Este fórum propõe uma discussão sobre a saúde do educador. Seu trabalho deveria ser um meio facilitador para uma boa qualidade de vida e não um concorrente de uma vida saudável. As deficiências nas condições de trabalho do professor são um grande desafio ao seu equilíbrio emocional e podem levar a diferentes graus de esgotamento mental e perda da motivação e do entusiasmo com o trabalho. E onde existe um estilo de vida profissional que pode levar a um desequilíbrio psíquico costuma existir também condições que não fazem bem à saúde física, em um ciclo vicioso que frequentemente envolve alimentação não saudável, sedentarismo, tabagismo e abuso de substâncias como o álcool. Vamos discutir neste fórum atitudes capazes de promover a sua saúde com forte enfoque em ações preventivas. Sempre estarei alimentando as discussões com as mais recentes pesquisas científicas sobre esse assunto tão importante e a sua opinião e a troca de experiências neste espaço são fundamentais.
28/10/2009 09:26:54
DICA DA SEMANA
O trabalho motivador e com desafios faz bem à saúde!!
O sedentarismo é reconhecido como um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, estimando-se que seja responsável por 20% dos casos de doença do coração e 10% dos casos de derrame cerebral. Alguns estudos têm sugerido que um estilo de vida sedentário pode estar associado ao tipo de trabalho que o indivíduo exerce no dia-a-dia, especialmente trabalhos considerados passivos, com pouca autonomia e baixa demanda de dimensões psíquicas e sociais.
Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Occupational and Environmental Medicine mostra pela primeira vez que a exposição ao longo dos anos a trabalhos com características passivas aumenta a chance de levar uma vida sedentária. A pesquisa acompanhou mais de seis mil ingleses com idades entre 35 e 55 anos em três diferentes momentos e por um período de cinco anos. Os participantes do estudo eram funcionários públicos que exerciam atividades de escritório e foram submetidos a uma escala que classifica o grau de passividade no trabalho.
A relação entre trabalho passivo e sedentarismo foi demonstrada entre os homens, mas não entre as mulheres e esse resultado é consistente com estudos prévios que apontam que a saúde dos homens é mais vulnerável do que a das mulheres a condições de trabalho insatisfatórias. Entretanto, existem também evidências que uma baixa realização no trabalho afeta também a saúde das mulheres. Os resultados da atual pesquisa confirmam que a saúde é mais uma de tantas razões para que se faça o trabalho ser estimulante e desafiador.
LIMOEIRO DO NORTE - CE
07/01/2010 11:07:32
Muito interessante esta matéria. Esses problemas sempre está presente em pessoa que trabalha demais e não é atoa que o professor ao se aposentar está gordo estressado devido o acúmulo de trabalho e preocupação para dar de conta de filho, casa, escola, marido (quando tem) mãe, pai. O professor precisa fazer mais exercício físico para ajudar no exercício mental, assim o trabalho fica mais prazeroso.
03/11/2009 09:10:30
Você consegue perceber que o trabalho mexe com a sua saúde?
20/11/2009 06:15:11
Sim. Mas quando percebo, ja esta evidente algum sintoma de que o problema ja se instalou.
05/11/2009 04:04:27
O atual conjunto de evidências científicas permite-nos dizer que dormir entre 7 e 8 horas por noite é um bom negócio para a maioria das pessoas. Vale lembrar que quantidade de sono deve vir acompanhada também de qualidade, e por isso devemos investir muito em nossa saúde psíquica e orgânica, pois nosso sono costuma mesmo reclamar quando não damos a devida atenção às nossas vidas.
QUER CONHECER MELHOR COMO O SONO INFLUENCIA NOSSA SAÚDE?
06/11/2009 11:32:40
Está cientificamente comprovado que o sono influencia na nossa rotina. Uma noite bem dormida permite um ótimo senso de humor, disponibilidade para o trabalho, sentimentos positivos e bem estar durante todo o dia. Nós, profissioinais da educação, devemos priorizar essas relaxantes 8h de sono, em pról de nós mesmos e de uma aula de qualidade para nossos alunos. Dessa forma, alcançaremos um ambiente harmônico e propício ao aprendizado.
07/11/2009 11:34:43
Legal Vanessa. Boa noite de sono, aula de qualidade. Os alunos (e seus pais) têm que fazer sua parte também.
Olha só o que anda acontecendo com o sono dos alunos:
Um estudo recém-publicado pelo periódico especializado Pediatrics (jun 2009), jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que os adolescentes que passam mais tempo ligados às mídias eletrônicas estão dormindo menos à noite, estão tendo mais sonolência diurna, além de estarem consumindo mais cafeína.
Pesquisadores americanos estudaram 100 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos quanto ao consumo de bebidas cafeinadas, hábitos de uso de mídia eletrônica durante a noite (ex: TV, internet) e padrão de sono. No grupo estudado, 66% tinha TV e 30% um computador dentro do quarto, 90% tinha telefone celular e 79% um aparelho de MP3. Após as 9h da noite, 82% dos adolescentes assistia à TV, 34% escrevia mensagens de texto, 44% falava ao telefone, 55% estava conectado à internet, 24% jogava games no computador, 36% assistia a filmes e 42% ouvia música nos MP3 portáteis. Uma média de 1-2 horas era usada em cada uma dessas atividades.
A pesquisa ainda revelou que 80% dos adolescentes estudados dormia menos de 8 horas por noite, abaixo do número de horas recomendado para a idade que é de 8 a 10 horas. Além da privação voluntária do sono, outros fatores podem contribuir para o sono mais curto desses adolescentes. O excesso de exposição noturna à luz da TV e/ou do monitor do computador pode levar a uma redução da produção de melatonina, que por sua vez pode dificultar o sono. Além disso, a relação entre a privação de sono e consumo de cafeína é um ciclo vicioso. Ao dormir menos, o adolescente usa mais cafeína para combater a sonolência diurna, substância que sabidamente pode provocar insônia.
Pesquisas robustas já haviam demonstrado que os adolescentes têm dormido cada vez menos ao longo das últimas décadas. Além da exposição à mídia eletrônica e cafeína, os adolescentes ainda são expostos a outros fatores de estresse que podem estar contribuindo para que eles durmam menos, como por exemplo, a pressão por um brilhante desempenho acadêmico. O presente estudo também mostrou que essa privação de sono aumenta o nível de cochilos na escola, mas os efeitos vão muito além disso. Sabe-se que crianças e adolescentes que dormem pouco têm maior risco de depressão, obesidade, alergias e exacerbação de crises de asma.
10/11/2009 08:49:36
O ESTRESSE NO TRABALHO PODE PROVOCAR DIVERSAS DOENÇAS E AINDA POR CIMA ENGORDA.
Por Ricardo Teixeira
Um estudo recém-publicado pelo periódico American Journal of Epidemiology (vol 170, 2) revela que quanto maior o nível de estresse no trabalho maior a chance do indivíduo em ganhar peso. Mais de 1300 americanos foram acompanhados por nove anos, e nesse período, diferentes domínios do estresse no trabalho estiveram associados a um ganho ponderal entre aqueles que já se apresentavam acima do peso no início do estudo. Entre os homens, a falta de desafios no trabalho, falta de poder de decisão e dificuldade em pagar as contas foram os fatores relevantes para o ganho de peso. Entre as mulheres, dificuldades em equacionar o trabalho com a vida pessoal, além da dificuldade em pagar as contas, foram os fatores mais importantes.
Já é bem reconhecido que o estresse psicosocial está associado a um maior risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer, enquanto as evidências da relação com a obesidade são menos robustas. O atual estudo traz mais evidências de que o estresse pode dificultar o controle de peso, especialmente quando já se está acima do peso. Experimentos com primatas revelam que quando submetidos a subordinação social, os animais têm aumento dos níveis do hormônio cortisol, que por sua vez está associado à obesidade abdominal. Em contraste, outros experimentos também mostram que primatas em posição de liderança comem menos que os que estão em posição de subordinação.
O atual estudo vem se juntar a um corpo de evidências que indica que o estresse está associado a ganho de peso. Desta vez, o acompanhamento dos participantes foi mais prolongado e os resultados ainda sugerem que o estresse do trabalho que engorda os homens é diferente do que engorda as mulheres. Esse conhecimento é precioso para a estruturação de programas de promoção à saúde no trabalho.
15/11/2009 12:03:22
PROGRAMA INÉDITO MOSTRA-SE EFICIENTE NA PREVENÇÃO DA SÍNDROME DO ESGOTAMENTO PROFISSIONAL
Por Ricardo Teixeira
A síndrome de esgotamento profissional, descrita na língua inglesa como síndrome de “Burnout”, é caracterizada pela exaustão emocional e perda de entusiasmo pelo trabalho além da redução da empatia com as pessoas com uma tendência de tratá-las como objetos, fenômeno chamado de despersonalização. Estudos demonstram que um em cada três médicos sofre da síndrome de esgotamento em algum período da sua vida profissional, e a situação parece não ser muito diferente entre os PROFESSORES. Apesar de ser um transtorno tão prevalente e relevante, são poucas as pesquisas que estudaram intervenções que possam ajudar. Mais raras ainda são as evidências de intervenções organizacionais, pois a maioria dos estudos foi realizada com pequeno número de participantes.
Pesquisadores da Universidade de Rochester nos Estados Unidos demonstraram de forma inédita que um programa de 52 horas distribuídas no período de um ano com o objetivo de melhorar o bem-estar do médico foi capaz de reduzir o risco da síndrome de esgotamento profissional e de transtornos do humor, além de melhora do grau de empatia com os pacientes. O programa foi oferecido a 70 médicos e incluía a prática de MEDITAÇÃO para estimular a capacidade de estar mentalmente presente e com atenção nas atividades do dia-dia, além de uma DINÂMICA EM GRUPO de troca de experiências com outros médicos. A pesquisa foi publicada recentemente pelo Journal of the American Medical Association.
Já é bem reconhecido que a síndrome de esgotamento profissional no médico está associada a uma piora da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes e abandono da carreira, mas também a inúmeras repercussões pessoais como maior risco de acidentes, abuso de substâncias psicoativas, idéias de suicídio, doenças físicas relacionadas ao estresse e dificuldade nas relações familiares. O presente estudo abre caminhos para intervenções preventivas para um sério problema de saúde e de grandes custos sociais que não é restrito ao médico, mas afeta diversas classes profissionais.
BRASILIA - DF
20/11/2009 11:53:54
Oi Dr. Ricardo, é um prazer ter você nesse fórum e obrigada pelas informações publicadas, todas muito úteis para o trabalho do professor. Você aponta estudos interessantes sobre a alimentação e o sono. Para nós professores esses são elementos muito importantes, mas também o esgotamento, comentado na outra postagem ter interferido bastante na vida docente. Sabemos que a vida profissional na escola, em termos de harmonia, companheirismo, colaboração entre o corpo técnico (gestão, coordenadores pedagógicos e professores), também influencia bastante. Boas práticas nas escolas entre os seus profissionais podem motivar e tornar o ambiente bem mais agradável, independente do local onde se encontra. Tem alguma dica sobre isso?
22/11/2009 03:01:14
Oi Carmem,
Fico feliz com sua preciosa colaboração. É difícil contestar a idéia de que a realização profissional seja um dos pilares para o bem estar psíquico e isso inclui um trabalho motivador, remuneração adequada assim como um bom ambiente de trabalho que inclui boa relação com os colegas e com as lideranças. Algumas pesquisas chegaram a demonstrar que quando se pergunta a funcionários de uma empresa o que eles colocam em primeiro lugar, um bom ambiente de trabalho ou um salário um pouco maior, o ambiente de trabalho ganha do salário em importância.
O fato é que esse clima no trabalho influencia sobremaneira a produtividade de uma empresa assim como a saúde de quem nela trabalha. Um estudo conduzido na Finlândia e publicado recentemente no periódico Occupational and Environmental Medicine revela que indivíduos que julgam viver em melhores ambientes de trabalho apresentam menos comportamentos de risco à saúde: tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool. Vale lembrar que esses são os quatro fatores de risco mais associados a doenças e à mortalidade em países industrializados.
A pesquisa analisou mais de 30 mil servidores públicos finlandeses e confirmou que fatores psicosociais associados ao trabalho são capazes de contribuir para que as pessoas adquiram comportamentos de risco. Outras pesquisas já haviam revelado que condições psicológicas adversas no trabalho aumentam o risco de obesidade e excesso de álcool. Também já havia sido demonstrado que indivíduos que não têm confiança na instituição em que trabalham têm maior dificuldade em abandonar o vício do cigarro.
O mundo corporativo já está bem convencido de que investir na saúde dos trabalhadores traz grande retorno econômico. Esse estudo demonstra que o clima organizacional pode ser um forte aliado para a promoção da saúde.
PARA REFLETIR SE O SEU AMBIENTE DE TRABALHO É SATISFATÓRIO
1. Os funcionários têm a atitude de trabalharem unidos?
2. Seus colegas sentem-se compreendidos e aceitos?
3. Vocês podem confiar no chefe?
4. O chefe trata os funcionários com gentileza e consideração?
5. O chefe apresenta preocupação com os direitos dos empregados?
6. Cada funcionário mantem os outros informados sobre o que fazem na empresa?
7. Os funcionários apresentam sugestões para alcançarem o melhor desempenho?
8. Todos os funcionários colaboram entre si para desenvolverem e aplicarem novas idéias?
** Se você respondeu sim a todas essas questões, que bom! Mas se respondeu não a muitas dessas perguntas, seu trabalho pode não estar jogando a favor de sua saúde.
23/11/2009 10:55:48
O trabalho é realmente exaustivo, principalmente em tempos em que as famílias estão cada vez mais ausentes e cabendo à escola cada vez mais responsabilidades. Somos lembrados apenas na hora de exigirem os nossos deveres, esquecendo-se de que temos nossos direitos, que somos seres humanos, temos família, casa, corpo, que precisam também de cuidados pra que nosso lado profissional flua bem.
06/12/2009 11:24:27
Oi Sandra,
O trabalho exaustivo chega a fazer com que nosso cérebro funcione de forma menos eficiente. Estudos têm demonstrado que o excesso de trabalho está associado a reações do sistema endocrinológico e imunológico, alteração no padrão do sono, fadiga, depressão, hábitos de vida deletérios à saúde e aumento do risco de doenças cardiovasculares. Uma pesquisa publicada neste ano pelo American Journal of Epidemiology demonstrou que pessoas que trabalham até 40 horas por semana têm um desempenho cognitivo melhor do que aquelas que trabalham mais de 55 horas.
Mais de dois mil voluntários ingleses com média de idade de 51 anos foram acompanhados por cinco anos. Quanto mais horas de trabalho, piores os resultados em testes de habilidades verbais (vocabulário e fluência), assim como de funções executivas. Os resultados foram significativos mesmo quando corrigidos para diversos fatores demográficos (ex: idade, nível educacional) e marcadores de saúde (ex: doenças cardiovasculares, transtornos do sono, estresse psicológico). Isso significa que não foi possível incriminar nenhum desses fatores em específico como responsável pelos resultados.
O presente estudo confirma pesquisas anteriores e é inédito por ter seguido os trabalhadores ao longo dos anos. Se o excesso de trabalho está associado a redução do desempenho cognitivo em indivíduos na meia idade, a grande pergunta que ainda está por ser respondida é se isso representa um fator de risco significativo para demência na terceira idade.
15/12/2009 02:01:00
APÓS O TRABALHO, É BOM NÃO GASTAR O RESTO DO DIA NA FRENTE DO VÍDEO. ISSO PODE ENGORDAR.
Uma pesquisa publicada ontem no periódico científico Archives of Internal Medicine aponta que um dispositivo eletrônico que limita pela metade a exposição diária à TV é capaz de aumentar o gasto de calorias entre adultos com sobrepeso ou obesos, mesmo sem modificar o nível de ingesta calórica. Esse dispositivo desligava a TV quando se atingia 50% do tempo médio de exposição semanal dos voluntários do estudo e foi capaz de incrementar o gasto calórico diário em 120 calorias quando comparado àqueles que não usaram esse sistema. Além disso, os participantes que usaram o dispositivo gastaram 244 calorias a mais do que consumiram no dia. Em contraste, o grupo de voluntários que não teve limitação do uso da TV consumiu 57 calorias a mais do que gastou no dia.
Estratégias que limitam o tempo diário em frente ao vídeo podem liberar tempo para atividades ativas como o exercício físico, e também podem favorecer com que as pessoas tenham o número de horas de sono que precisam. Já é bem reconhecido que tanto a falta de atividade física como a privação de sono estão associados ao risco de obesidade. O presente estudo reforça o conceito de que pequenas mudanças nos hábitos de vida podem ser suficientes para que se gaste mais calorias por dia. Essas calorias a mais podem fazer muita diferença na contenção do crescente ganho de peso da população.
Os adultos chegam a ficar uma média diária de cinco horas em frente à TV em países como os Estados Unidos, e pesquisas recentes, incluindo o Brasil, têm mostrado que a tela do computador já concorre fortemente com o tempo que o adulto gasta com a TV. Vale lembrar que esse novo concorrente também é um comportamento sedentário.
28/12/2009 07:09:50
O professor hoje na grande maioria trabalha muito... as vezes 40 horas semanais apenas em sala de aula, fora os trabalhos extra classe... Tem pouco tempo para as atividades fisicas, lazer e até para a própria família!! O ideal seria conciliar atividades físicas períodicas nesse pouco tempo que resta, também lazer, menos TV e mais movimento! Não é fácil a vida do professor!
03/01/2010 11:07:14
PLANEJANDO NOSSA VIDA PESSOAL PARA 2010
O planejamento estratégico é uma das maiores ferramentas que as empresas dispõem para garantir o crescimento e a viabilidade de seus negócios ao longo dos anos. É fato que existem muitas pessoas habilidosas que conduzem as decisões da empresa de forma instintiva, sem planejamento formal, e o negócio vai muito bem, obrigado. Isso hoje. E amanhã ? Um cientista não começa um experimento sem que o método esteja muito bem descrito, incluindo como os resultados serão analisados ao final do trabalho. É difícil imaginar que Amyr Klink teria conseguido fazer o que fez sem sua preciosa capacidade de planejamento.
Muitas pessoas atravessam os anos gastando semanas de reuniões para a formulação do planejamento de seu negócio ou dos outros, e não chegam a investir sequer minutos rabiscando idéias de seu próprio planejamento pessoal. Muitos certamente têm bastante simpatia com a música do talentoso Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu...”. Outros não concordam com essa levada e parece que esse devia ser o caso do filósofo Sêneca que nos deixou a famosa frase: “Para aqueles que não sabem para que porto vão, nenhum vento é bom”.
Podemos nos valer de algumas idéias do método de planejamento estratégico do mundo corporativo para nossa vida pessoal. São várias as dimensões essenciais de nossa vida que devem fazer parte dessa reflexão: saúde, família, amigos, carreira profissional, realização intelectual, lazer, sexualidade, espiritualidade, etc.
Planejamento pessoal
Vamos começar por nossa análise interna. Aqui devemos focar em nossas próprias forças e fraquezas. Esse não é um processo exato, mas é bem provável que o rumo de sucesso pessoal mais certeiro seja o de solidificar / aumentar nossas forças e corrigir nossas fraquezas. Ao elencarmos nossas forças e fraquezas, podemos priorizá-las e definir quais são aquelas em que devemos mais investir. Uma boa dica é começar investindo naquelas que sejam sustentáveis a longo prazo. Talvez não valha a pena gastar tanta energia para nos aprimorar em uma determinada carreira se ela está em extinção, mesmo que esse seja um forte talento pessoal. Da mesma forma, não vale a pena apostar em corrigir uma fraqueza em que o resultado da correção não vai nos trazer muita vantagem. Se ao digitar no computador você “cata milho” de forma rápida e eficiente, investir em um curso de digitação para atingir uma performance olímpica pode não ser sua maior prioridade.
Um segundo passo na priorização de ações é a identificação de forças e fraquezas que são essenciais para nossa vida. Cada um tem sua própria análise, mas há algumas premissas que não deveriam ser muito diferentes entre as pessoas, como é o caso do investimento em nossa saúde. Sem saúde, todo o resto não sai do lugar. Vale repensar se faz sentido estar atrasado em um ano com os exames periódicos preventivos, mas ter tempo para criar um novo projeto profissional.
Um terceiro passo, e esse considero que seja mais relevante no âmbito da carreira profissional, é o de identificar o quanto suas forças e fraquezas são raras, difíceis de imitar, difíceis de consertar. Ao identificar uma força valorosa do ponto de vista profissional, dê mais prioridade às que são raras no seu meio. Essas forças diferenciam-lhe dos outros e fazem-lhe “sair da pilha”, como dizia Jack Welch, grande personalidade do mundo corporativo. Quanto às fraquezas, uma boa sugestão é a de priorizar nossos reparos com foco em dois momentos. Primeiro resolver a curtíssimo prazo aquilo que é fácil de consertar. Um médico talentoso que tem seu consultório vazio, talvez por ter o cabelo pintado de roxo, poderia pelo menos tentar pintar o cabelo de outra cor, e para ontem. Pensando mais a médio e longo prazo, devemos depositar um grande contingente de energia no reparo de fraquezas que são difíceis de corrigir e que nos trazem desvantagem. Difícil de corrigir significa que a deficiência não pode ser corrigida da noite pro dia, mas não quer dizer que seja a coisa mais difícil ou penosa do mundo. Pode ser a falta de proficiência em determinada língua, falta de ferramentas de gestão, um problema de saúde crônico, etc. A análise interna pode ser vista como aquilo que poderíamos fazer para melhorar.
Após essa análise interna, podemos passar para a construção do cenário externo, que é a percepção das ameaças e oportunidades que nos rondam no presente e que nos aguardam no futuro. Se vivemos numa cidade em que o trânsito está ficando cada vez mais caótico, e só tende a piorar, esse fator que vem “de fora” deve fazer parte do planejamento de nossa vida, já que um dia pode vir a anular nossas forças. Parte desse cenário pode ser visto como aquilo que deveríamos fazer para melhorar.
Por fim, a decisão do que devemos fazer com nossas forças e fraquezas deve ser permeada também por aquilo que gostaríamos de fazer para melhorar, e para isso é necessário identificarmos com muita clareza qual é nossa missão nessa vida e quais são os nossos valores. As empresas costumam pendurar em suas paredes frases de efeito descrevendo suas missões e valores, mas poucas realmente se comprometem a seguir fielmente o que está ali escrito. Assim como as empresas, somos pressionados por todos os lados para não darmos conta de fazer aquilo que acreditamos e que faz parte do nosso discurso.
Planejar minimamente nossas escolhas e ações pode nos ajudar a integrar nossos ideais com o que realmente fazemos no nosso dia-a-dia: isso é viver com integridade, em busca de uma vida não fragmentada. É bom ter em mente que não são poucas as coisas que fogem do nosso controle, e nisso o Zeca Pagodinho tem razão em deixar rolar quando a coisa não sai do jeito planejado. Colocando o Zeca e o Sêneca trabalhando juntos, o pagode poderia sair assim: Se conheço bem para onde vou, vida leva eu, com vento bom, E PRO MELHOR LUGAR.
Um 2010 cheio de realizações para todos!
19/01/2010 09:57:26
Uma rotina de ficar sentado por longos períodos sem se levantar não faz bem à nossa saúde.
Por Ricardo Teixeira
A recomendação de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou intensa por semana é unânime quando o assunto em questão é promoção de saúde. Esses 150 minutos divididos em cinco dias por semana dariam meia hora diária de atividade física, o que poderia ser considerado como o mínimo para usufruirmos dos seus inúmeros benefícios à saúde. Entretanto, alguns estudos têm revelado que além dessa meia hora diária, evitar ficar muito tempo parado durante o dia pode ser um bom investimento à saúde.
Pesquisadores suecos publicaram um artigo esta semana no periódico British Journal of Sports Medicine fazendo uma provocação de que o termo comportamento sedentário, que indica falta de exercícios físicos, deveria ser substituído por comportamento de “inatividade muscular”. As pesquisas têm mostrado que o hábito de permanecer longos períodos do dia sem movimentação aumenta o risco de obesidade, diabetes, doenças do coração, câncer, e também está associada a uma menor longevidade. Tudo isso independente da presença de exercícios moderados a vigorosos.
Um recente estudo australiano demonstrou que o risco de síndrome metabólica, que é um precursor de diabetes e doenças cardiovasculares, é 28% menor entre mulheres que fazem 30 minutos diários de atividade física regular. Por outro lado, o estudo também rvelou que cada hora adicional que uma mulher passa em frente à TV aumenta em 26% seu risco de apresentar síndrome metabólica, independente dos exercícios moderados que realiza. É previsível que essas horas de “inatividade muscular” sejam ainda mais prejudiciais para quem faz poucos exercícios físicos.
Pelo corpo de evidências que temos até o momento, as recomendações médicas poderiam incluir não só os exercícios físicos regulares, mas também o hábito de se movimentar de forma intermitente durante o dia. Paradas de alguns minutos no trabalho que permitam um pouco de movimento, evitar o automóvel quando possível, usar as escadas no lugar do elevador, todas são atitudes que podem ter mais influência em nossa saúde do que costumamos imaginar.
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