Portal do Governo Brasileiro
Início do Conteúdo
VISUALIZAR AULA
 


Crônicas - Fernando Sabino

 

18/12/2009

Autor e Coautor(es)
Alessandra Fernandes de Azevedo
imagem do usuário

JUIZ DE FORA - MG Universidade Federal de Juiz de Fora

Maria Cristina Weitzel Tavela

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Língua oral e escrita: prática de produção de textos orais e escritos
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

• Leitura e interpretação de textos.
• Conhecer a vida e obra do escritor Fernando Sabino.
• Produzir um texto.

Duração das atividades
3 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

• Habilidades básicas de leitura.

Estratégias e recursos da aula

Biografia do Fernando Sabino disponível nos sites:
http://www.releituras.com/fsabino_bio.asp
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Sabino  

Textos:
“Como comecei a escrever” de Fernando Sabino, disponível no site: http://www.releituras.com/fsabino_comocomecei.asp  (acesso em 05 de dezembro de 2009)

“A última crônica” de Fernando Sabino, disponível no site: http://www.almacarioca.com.br/cro169.htm  (acesso em 05 de dezembro de 2009)

1ª AULA

Professor, inicie a aula contando para os alunos um pouco sobre a vida e obra do escritor Fernando Sabino. Pergunte se alguém já leu algum texto do autor ou se o conhece. (Sugiro que selecione na biblioteca da escola algumas obras de Fernando Sabino e leve-as para a sala de aula). Em seguida, entregue aos alunos o texto “Como comecei a escrever” e solicite uma leitura silenciosa do mesmo. Terminada a leitura silenciosa, pergunte aos alunos:
• Qual o assunto do texto?
• Quem é o narrador desse texto?
• Qual a relação existente entre o título e o texto?
• Qual a importância da Literatura na vida de quem o escreve?
• Podemos dizer que este texto faz referência à vida de Fernando Sabino? De que forma isso é possível?
• Qual a sua (aluno) relação com a escrita? Você costuma escrever? O quê? Em que momentos?
Agora, faça uma leitura coletiva do texto com os alunos. Em seguida, peça a eles que façam as atividades propostas. (Abaixo, seguem sugestões de atividades.)

TEXTO 1


Como comecei a escrever
Fernando Sabino

Quando eu tinha 10 anos, ao narrar a um amigo uma história que havia lido, inventei para ela um fim diferente, que me parecia melhor. Resolvi então escrever as minhas próprias histórias.
Durante o meu curso de ginásio, fui estimulado pelo fato de ser sempre dos melhores em português e dos piores em matemática — o que, para mim, significava que eu tinha jeito para escritor.
Naquela época os programas de rádio faziam tanto sucesso quanto os de televisão hoje em dia, e uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o titulo "O Que Pensam Os Rádio-Ouvintes". Eu tinha 12, 13 anos, e não pensava grande coisa, mas minha irmã Berenice me animava a concorrer, passando à máquina as minhas crônicas e mandando-as para o concurso. Mandava várias por semana, e era natural que volta e meia uma fosse premiada.
Passei a escrever contos policiais, influenciado pelas minhas leituras do gênero. Meu autor predileto era Edgar Wallace. Pouco depois passaria a viver sob a influência do livro mais sensacional que já li na minha vida, que foi o Winnetou de Karl May, cujas aventuras procurava imitar nos meus escritos.
A partir dos 14 anos comecei a escrever histórias "mais sérias", com pretensão literária. Muito me ajudou, neste início de carreira, ter aprendido datilografia na velha máquina Remington do escritório de meu pai. E a mania que passei a ter de estudar gramática e conhecer bem a língua me foi bastante útil.
Mas nada se pode comparar à ajuda que recebi nesta primeira fase dos escritores de minha terra Guilhermino César, João Etienne filho e Murilo Rubião - e, um pouco mais tarde, de Marques Rebelo e Mário de Andrade, por ocasião da publicação do meu primeiro livro, aos 18 anos.
De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou desde então e pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura.
Texto ex traído do livro "Para Gosta r de Ler - Volume 4 - Crônicas", Editora Ática - São Paulo, 1980, pág. 8.

Atividades:

1) O texto “Como comecei a escrever” é narrador em 1ª ou 3ª pessoa? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

2) Quando foi que o “eu” do texto “Como comecei a escrever” iniciou suas próprias produções textuais? E o que motivou essa produção?

3) Na escola:
a) Em qual disciplina o “eu” se considerava melhor? E pior?
b) E por que ele achou que tinha jeito para escritor?

4) Retire do texto elementos que mostram que a história narrada aconteceu há muito tempo.

5) Quem é Berenice? E qual a importância dela na vida do “eu” do texto?

6) Qual foi a mudança ocorrida na vida literária do “eu” quando este completou seus 14 anos?

7) Em “Muito me ajudou, neste início de carreira, ter aprendido datilografia na velha máquina Remington do escritório de meu pai.”, o trecho destacado nos dias atuais poderei ser substituído por:

8) No trecho: “Naquela época os programas de rádio faziam tanto sucesso quanto os de televisão hoje em dia, e uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o titulo ‘O Que Pensam Os Rádio-Ouvintes’.”
Os elementos destacados indicam uma:
( ) conclusão ( ) explicação ( ) comparação ( ) oposição

2ª AULA

Professor, faça a correção das atividades realizadas pelos alunos na aula passada. Solicite a um aluno que diga a resposta dada por ele para a questão 1 e, caso seja necessário, complemente-a com o auxílio dos outros alunos. Construa uma sugestão de resposta no quadro com a participação dos alunos. Faça o mesmo com as outras questões.
Terminada a correção, entregue o segundo texto “A última crônica” de Fernando Sabino para os alunos. Solicite a leitura silenciosa do mesmo. (Professor, sugiro que leve para a sala de aula dicionários para a consulta, caso seja necessária.) Depois da leitura silenciosa, faça a leitura coletiva.

TEXTO 2


A última crônica
Fernando Sabino

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."

Crônica publicada no livro "A Companheira de viagem" (Editora Record, 1965)

3ª AULA

Professor, peça aos alunos que realizem as atividades propostas sobre o texto. Corrija os exercícios no quadro com a participação dos alunos. (Sugiro que solicite a eles que digam a resposta dada a cada questão e construa no quadro sugestões de respostas.)

Seguem algumas sugestões de atividades:

Atividades:

1) Que tipo de narrador o texto “A última crônica” apresenta? Justifique sua resposta.

2) Retire do primeiro parágrafo as informações abaixo:
a) Quem entra no botequim?
b) Onde fica o botequim?
c) Em primeiro lugar, entra no botequim para quê?
d) Na verdade, o que ele faz nesse lugar?
e) o que ele deseja?

3) Sobre o trecho: “Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade.”, responda:
a) Quem são esses “três esquivos”?
b) Onde eles estão?
c) Levante hipóteses a respeito do que eles estão fazendo ali.

4) O que o pai pede ao garçom?

5) No trecho “A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom.”, explique a ansiedade da mãe ao esperar a aprovação do garçom.
Por que o garçom não aprovaria o pedido do pai?

6) Observe que ao descrever a cena que está diante dos olhos, o narrador-personagem questiona: “Por que não começa a comer?” Por quê? Levante hipóteses.

7) Em “Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual.”, a expressão destacada será revelada mais adiante. O que representa esse ritual? Quais são os elementos que compõem esse ritual?

8) Explique o que sentiu o narrador-personagem quando o pai sorri para ele.

“Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.”

Avaliação

Avaliação

No primeiro texto de Fernando Sabino, o narrador-personagem nos conta como ele começou a escrever e sua paixão pela Literatura. Já no segundo, o narrador-personagem procura algo do cotidiano para escrever a sua última crônica e se depara com uma comemoração de aniversário de uma menininha de dois anos em um lugar (botequim) um pouco improvável para o “ritual”. Com base nas leituras, produza um pequeno texto a partir de uma cena que você considere importante do seu dia a dia.

Opinião de quem acessou

Quatro estrelas 15 classificações

  • Cinco estrelas 8/15 - 53.33%
  • Quatro estrelas 3/15 - 20%
  • Três estrelas 2/15 - 13.33%
  • Duas estrelas 0/15 - 0%
  • Uma estrela 2/15 - 13.33%

Denuncie opiniões ou materiais indevidos!

Opiniões

  • andresa, amnuer , Minas Gerais - disse:
    anvac@yahoo.com

    23/07/2014

    Cinco estrelas

    Atividades muito bem elaboradas!


  • Luma, Gaspar , Rio Grande do Sul - disse:
    luma_scooch@hotmail.com

    10/08/2013

    Cinco estrelas

    gostaria de receber o gabarito


  • CRISTINA, E. E. Luiz de Bessa , Minas Gerais - disse:
    CRISFARID@YAHOO.COM.BR

    25/11/2012

    Quatro estrelas

    Gostei muito dos texto selecionados e das questões.


  • thais, colégio estadual concelheiro carrão , Paraná - disse:
    thaislomyn@gmail.com

    03/08/2012

    Cinco estrelas

    adorei, me ajudou muito no trabalho de português, tirou todas as minhas dúvidas parabéns


  • Núbia Naria Raimundo, Escola Estadual Diógenes da Cunha Lima , Rio Grande do Norte - disse:
    nubiamrs@gmail.com

    15/07/2012

    Cinco estrelas

    Achei ótima exatamente o que estava precisando para trabalhar o gênero, com meus alunos .


  • Carlos Alencar Freitas Ramos, C.E.João de Moraes Martins , Rio de Janeiro - disse:
    carlosfreitasramos@hotmail.com

    25/06/2012

    Três estrelas

    Muito boa a aula.Quanto menos confundir os alunos sobre os diversos tipos de gêneros textuais,mais facilidades eles terão para aprender.Abraços


  • Andréa, Escola de E. B. Benonívio , Santa Catarina - disse:
    deah_santos@hotmail.com

    13/06/2012

    Cinco estrelas

    Ótimo, estou trabalhando crônicas com a turma da 8ª série, nos preparando para as Olimpíadas de Língua Portuguesa 2012 e adorei as sugestoes de atividades.


  • fernanda, fenix , São Paulo - disse:
    fefe465@hotmail.com

    09/04/2012

    Cinco estrelas

    Eu adoreeeeeeeeeeeeei a explicação me ajudou bastante brigado mesmo


  • marcilene, escola municipal dona augusta maria de jesus , Tocantins - disse:
    marcilene-gp@hotmail.com

    05/03/2012

    Cinco estrelas

    adoreie, estava proocupada mas voce me ajudou muito.


  • Aline Maria da Silva, Estado de São Paulo , São Paulo - disse:
    alina_um@hotmail.com

    15/02/2012

    Três estrelas

    Eu achei que os textos poderiam ser melhores explorados, não entendi por exemplo, como uma crônica faz uma aula de 50 minutos, (a segunda aula) é preciso levantar uma discussão, e não entendi a proposta do texto. As perguntas são levantadas com que finalidade? É uma atividade de mera interpretação? Ou interpreta-se o genêro crônica em si? Mas me deu uma boa ideia, irei trabalhar com as duas crônicas.


  • Franciele, PUCPR , Paraná - disse:
    macas.podres@gmail.com

    05/10/2011

    Uma estrela

    Fraco demais.


  • claudia, ciep , Rio de Janeiro - disse:
    dinhadabes@bol.com.br

    27/09/2011

    Quatro estrelas

    muito boa.


  • milena, Ana , Rio de Janeiro - disse:
    miloka.mi@hotmail.com

    29/03/2011

    Uma estrela

    legal


  • leandro, ESCOLA 19 DE JULHO , Mato Grosso - disse:
    leandro-fire@hotmail.com

    28/09/2010

    Cinco estrelas

    Ótimos exercícios, básico ao conteúdo. Me utilizei deles, do modo que está, em sala de aula. Me desculpem, há momentos em que não temos tanto tempo pra elaborar questões. Por isso achei interessante o questionário elaborado de forma básica e abrangente. Quanto a dar opinião: Por que se necessita tanta informação pra dar uma simples opinião sobre uma página na net?? aproveito e deixo meu endereço.... rua tiago magalhães, 203 agência BB 1289 - X CC 76151-3 senha 050463 (número da biz)


  • Barbara Falcão, Colégio Rumo , São Paulo - disse:
    naohaoquelamentar@yahoo.com.br

    08/06/2010

    Quatro estrelas

    Interessante. Boa a comparação entre os dois textos para usar em sala. Obrigada.


Sem classificação.
REPORTAR ERROS
Encontrou algum erro? Descreva-o aqui e contribua para que as informações do Portal estejam sempre corretas.
CONTATO
Deixe sua mensagem para o Portal. Dúvidas, críticas e sugestões são sempre bem-vindas.