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O texto poético: poemas e letras de música

 

02/12/2010

Autor e Coautor(es)
Priscila Brasil Gonçalves Lacerda
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Prof. Luiz Antônio dos Prazeres

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Análise linguística: processos de construção de significação
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Língua oral e escrita: prática de produção de textos orais e escritos
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Análise linguística: modos de organização dos discursos
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Nesta aula, pretendemos fazer com que os alunos reconheçam as principais características de textos poéticos e aprimorem ou desenvolvam habilidades de leitura, de interpretação e de produção de textos desse tipo. Primeiramente, propomos uma atividade que leva os alunos a compreender, em linhas gerais, o que é poesia e, em seguida, atividades que se concentram em dois gêneros poéticos: o poema e a música.

Duração das atividades
Aproximadamente 2 aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Além de conhecimentos básicos de leitura e escrita, seria importante que os alunos já conhecessem a seguinte nomenclatura: verso, estrofe, rima, poema e prosa.

Estratégias e recursos da aula

Atividade 1

Para iniciar esta aula, o professor deve apresentar aos alunos o texto “Convite” e solicitar que eles respondam as questões propostas em seguida.

Convite 

Poesia

é brincar com palavras

como se brinca

com bola, papagaio, pião.

 

Só que

bola, papagaio, pião

de tanto brincar

se gastam.

 

As palavras não:

quanto mais se brinca

com elas

mais novas ficam.

 

Como a água do rio

que é água sempre nova.

 

Como cada dia

que é sempre um novo dia.

 

Vamos brincar de poesia?

 

José Paulo Paes 

Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/jpaulo1.html#convite, acessado em 08 de abril de 2010.    

Questões:

a)    O texto anterior pertence a que gênero textual? Por quê?

b)    Explique o título do texto.

c)    Segundo o texto, qual é a definição de “poesia”?

d)    Por que o autor afirma que as palavras “quanto mais se brinca com elas, mais novas ficam”?

Depois que os alunos tiverem respondido às questões, o professor deve solicitar a alguns deles que exponham as suas respostas, desenvolvendo uma discussão com a turma. Posteriormente, o professor deve promover uma reflexão propondo a seguinte questão: o que é poema e o que é poesia?

As hipóteses de diferenciação levantadas pelos alunos devem ser anotadas na lousa (quadro). Em seguida, o professor deve apresentar as definições de forma clara para que os alunos confirmem ou corrijam as hipóteses iniciais. Como base, apresentamos as seguintes definições:

POESIA é a linguagem subjetiva, que utilizamos para exprimir nossos sentimentos e nossas emoções, com elementos sonoros: ritmo, rima e verso. Até a Idade Média, a poesia era cantada. Só depois é que se separou o poema da música.

POEMA é a forma da poesia. Em geral, confundimos poema com poesia, porque escrevemos poesia em poema, embora se possa escrever também poesia em prosa. Um poema é composto de vários versos e estrofes. Vamos dizer que o poema é a roupa mais comum da poesia. É a parte concreta da poesia enquanto a poesia é a parte imaterial. Os poemas têm elementos sonoros importantes, como métrica, ritmo e rima, justamente porque eram acompanhados de música e dela guardam esses elementos.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/254058, acessado em 08 de abril de 2010. 

Atividade 2 

No segundo momento da aula, sugerimos que o professor apresente aos alunos um fragmento do texto “Tentação” e demande que eles respondam as questões que se seguem.

Observação: Se o professor julgar interessante, ele pode tornar a aula mais dinâmica, conduzindo a atividade de modo que os alunos respondam apenas oralmente às questões relativas a este texto de Clarice Lispector.

Tentação 

Clarice Lispector

Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto de bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.

Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão do Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnado na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. [...]

Fonte: http://amorecultura.vilabol.uol.com.br/tentacao.htm, acessado em 07 de abril de 2010.  

Questões:

a)    Qual é o sentimento vivido pela personagem central da narrativa? Explique a razão deste sentimento.

b)    O que a presença do cão pode significar para a personagem central da narrativa?

c)    Retire do fragmento partes que revelem um trabalho criativo com a linguagem. Explique.

d)    Em sua opinião, podemos classificar o texto de Clarice Lispector como poesia? Por quê?

Depois que os alunos tiverem respondido às questões de “a” a “d”, o professor deve solicitar que alguns deles socializem as suas respostas, propiciando uma discussão prévia à apresentação da definição a seguir:

PROSA POÉTICA, também chamada poesia em prosa, é a poesia escrita em prosa, isto é, sem as características do poema: métrica, ritmo, rima e outros elementos sonoros. Um texto escrito em forma de prosa pode ser considerado “poesia", se sua função for poética, ou seja, se exprimir emoções e sentimentos.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/254058, acessado em 08 de abril de 2010.  

Atividade 3

O professor deve pedir que os alunos, reunidos em grupos de três, escolham uma letra de música brasileira.

Os alunos devem apresentar para a turma a canção, caso haja recursos de áudio na escola, e uma análise dos elementos que caracterizam a letra como texto poético - trabalho com a sonoridade, jogo com as palavras e expressão de sentimentos.

Atividade 4

O professor pode ainda desenvolver outras atividades de apreciação de poemas com os alunos, segundo o andamento das atividades anteriores e o interesse da turma. Sugerimos que o professor trabalhe, nesse caso, com a interpretação e com a produção de poemas concretos, como os que colocamos a seguir, solicitando que os alunos:

a)  Identifiquem a relação entre o texto e a imagem.

b) Descrevam o trabalho com a sonoridade produzido nestes poemas.

c) Escolham um objeto a partir do qual eles queiram produzir um poema concreto e, a exemplo do "giro" e da "xícara de café", façam o poema desenhando com palavras a forma do objeto escolhido.

Fonte (Giro): http://www.antoniomiranda.com.br/ensaios/img/poeconcreta4.jpg, acessado em 08 de abril de 2010. 

Fonte (Xícara) : http://pluralinguagem.autonomia.g12.br/wp-content/uploads/2009/07/x%C3%ADcara-fabio-alexandre-sexugi.jpg, acessado em 08 de abril de 2010. 

Recursos Complementares

Para encontrar informações sobre textos poéticos, o professor pode consultar o sítio <http://portalliteral.terra.com.br/artigos/a-criacao-poetica-algumas-consideracoes-sobre-o-texto-poetico-1>, acessado em 24 de maio de 2010  

Avaliação

A compreensão das propostas pelos alunos será avaliada a partir da discussão em sala de aula de cada uma das atividades.

Para avaliar o desenvolvimento dos alunos no que concerne à interpretação de textos poéticos, o professor deve apresentar-lhes os textos a seguir e solicitar a eles que, mantendo os grupos formados para a realização da Atividade 3, respondam as questões de “a” a “f” propostas.

Observação: Recomendamos que o professor apresente a letra de música “País Tropical” acompanhada de seu áudio (Disponível em http://www.radio.uol.com.br/#/artista/jorge-ben-jor/21442?action=search, acessado em 05 de abril de 2010), caso haja recursos na escola.

País Tropical

Composição: Jorge Ben Jor / Wilson Simonal  

Moro num país tropical,

abençoado por Deus

E bonito por natureza,

mas que beleza

Em fevereiro (em fevereiro)

Tem carnaval (tem carnaval)  

Tenho um fusca e um violão

Sou Flamengo

Tenho uma nêga

Chamada Tereza

Sambaby

Sambaby

Sou um menino de mentalidade mediana

Pois é, mas assim mesmo sou feliz da vida

Pois eu não devo nada a ninguém

Pois é, pois eu sou feliz

Muito feliz comigo mesmo

Moro num país tropical, abençoado por Deus

E bonito por natureza, mas que beleza

Em fevereiro (em fevereiro)

Tem carnaval (tem carnaval)

Tenho um fusca e um violão

Sou Flamengo

Tenho uma nêga

Chamada Tereza

Sambaby

Sambaby

Eu posso não ser um band leader

Pois é, mas assim mesmo lá em casa

Todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam

Pois é, essa é a razão da simpatia

Do poder, do algo mais e da alegria

Sou Flamê

Tê uma nê

Chamá Terê

Sou Flamê

Tê uma nê

Chamá Terê

Do meu Brasil

Sou Flamengo

E tenho uma nêga

Chamada Tereza

Sou Flamengo

E tenho uma nêga

Chamada Tereza

Fonte: http://letras.terra.com.br/jorge-ben-jor/46647/, acessado em 5 de abril de 2010.    

Canção do exílio

Gonçalves Dias (1847)

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite–

Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu'inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Fonte: http://www.horizonte.unam.mx/brasil/gdias.html, acessado em 5 de abril de 2010.

Lisboa: aventuras 

José Paulo Paes

tomei um expresso

                                              cheguei de foguete

subi num bonde

                                              desci de um elétrico

pedi cafezinho

                                               serviram-me uma bica

quis comprar meias

                                               só vendiam peúgas

fui dar à descarga

                                             disparei um autoclisma

gritei "ó cara!"

                                              responderam-me "ó pá!"

                                              positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá

Fonte:  http://www.revista.agulha.nom.br/jpaulo1.html, acessado em 5 de abril de 2010. 

Questões:

a)    Os textos “País Tropical”, “Canção do Exílio” e “Lisboa: aventuras” são textos poéticos. O que esses textos têm em comum do ponto vista formal?

b)    Identifique fragmentos em que se revela um trabalho com a sonoridade (som e ritmo).

c)    Levante uma hipótese: o que motiva a disposição dos versos em “Lisboa: aventuras”?

d)    O Brasil é um tema comum entre o primeiro e o segundo texto. Qual é a imagem do Brasil que eles constroem?

e)    Que sentimentos cada um dos eu-líricos revela em relação ao país?

f)    Em cada um dos textos, podemos observar que os eu-líricos estão imersos em vivências diferentes. Explicite a situação em que se encontra cada um deles.

g)    O poema "Lisboa: aventuras" estabelece uma relação de intertextualidade com o poema "Canção do exílio". Identifique a expressão intertextual e explicite o sentido da brincadeira feita por José Paulo Paes com as palavras de Gonçalves Dias.

h)     Em sua opinião, qual destes textos se aproxima mais do que poderíamos chamar de “erudito” e qual se aproxima mais do que poderíamos chamar de “popular”? Justifique a sua resposta, caracterizando a linguagem utilizada em cada texto.  

Sugerimos que o professor solicite, ainda como trabalho a ser avaliado, a seguinte produção de texto poético:

  • Tal como Jorge Ben Jor e Gonçalves Dias fizeram textos de exaltação ao Brasil, vocês devem produzir uma poesia de exaltação à sua cidade. Os textos mais criativos serão expostos no mural da escola.

Observações: 1. Se for possível, o professor deve aproveitar uma ocasião festiva, como o aniversário da cidade ou da escola, para expor os trabalhos dos alunos, de modo a valorizar o trabalho realizado.

2. Caso o professor tenha optado por trabalhar também com poemas concretos, como foi sugerido ao final da seção anterior, ele pode sugerir que os alunos produzam o texto poético em forma de poema concreto, fazendo, com as palavras, o desenho de um monumento da cidade, por exemplo.

Opinião de quem acessou

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