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Classificando os Seres Vivos

 

10/05/2010

Autor e Coautor(es)
MARIA ANTONIETA GONZAGA SILVA
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Lízia Maria Porto Ramos; Marina Silva Rocha; Priscila Barbosa Peixoto.

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Ciências Naturais Ambiente
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Conhecer aspectos da história da ciência relacionados à classificação dos seres vivos; compreender como e por que os cientistas classificam os seres vivos.

Duração das atividades
2 horas/aula
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Os alunos deverão ser capazes de diferenciar seres vivos e não vivos (este assunto já foi trabalhado em uma de nossas aulas anteriores. Ver link: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=10548 – consultado em 01/04/10, às 11h09min). 

Estratégias e recursos da aula

Introdução: uma abordagem para o professor   

O estudo da diversidade biológica teve início na Grécia Antiga com Aristóteles onde todos os organismos eram agrupados em um sistema de classificação. Nesse sistema, os organismos eram agrupados de acordo com características gerais que não indicavam nenhuma relação evolutiva entre os organismos.

Em 1735 Lineu propôs um novo sistema de classificação da diversidade biológica, mas essa proposta também não indicava nenhuma relação de parentesco entre os organismos (MAYR, 1998; RIDLEY, 2006).

Com a publicação da Teoria da Evolução através da Seleção Natural de DARWIN (1859), modificações tiveram de ser realizadas nos sistemas de classificação dos seres vivos. A partir da compreensão dos processos da evolução, a classificação dos organismos passou a ter um enfoque evolutivo.

Alguns métodos surgiram para classificar os seres vivos dentro de uma perspectiva evolutiva, dentre os quais se destaca a construção de cladogramas proposta por HENNIG (1950, 1966), o qual estabeleceu princípios e métodos que constituem a Sistemática Filogenética.

Nos dias de hoje, o estudo sobre a classificação dos seres vivos é realizado através da Sistemática Filogenética (RIDLEY, 2006). A Sistemática Filogenética, ou cladística, tem por objetivo organizar o conhecimento sobre a diversidade biológica a partir das relações filogenéticas entre os grupos e do conhecimento da evolução das características morfológicas, ecológicas e moleculares dos grupos (por exemplo, MATIOLI, 2001).

De acordo com AMORIM (2002), o escopo da Sistemática Filogenética é descrever a biodiversidade; encontrar que tipo de ordem existe nessa diversidade; compreender os processos subjacentes; e apresentar um sistema geral de referência sobre a biodiversidade.

Uma filogenia pode ser reconstruída somente com base em características derivadas compartilhadas, isto é, características diferentes da condição ancestral (AMORIM, 2002). Na terminologia filogenética, caracteres derivados compartilhados são denominados sinapomorfias. Alguns organismos também apresentam características que herdaram de seus ancestrais. Estas características ancestrais compartilhadas são denominadas simplesiomorfias. As simplesiomorfias não indicam informação sobre o grau de parentesco dos grupos. As simplesiomorfias são utilizadas apenas para ilustrar quais características são sinapomórficas, pois apenas caracteres derivados compartilhados (sinapomorfias) determinam as relações filogenéticas dos grupos (HENNIG, 1966: 88-101).

Na Sistemática Filogenética, os organismos são reunidos em grupos que compartilham uma ou mais sinapomorfia e que descendem do mesmo ancestral comum. Estes grupos são denominados de grupos monofiléticos. Outro conceito importante da Sistemática Filogenética é o conceito de grupos parafiléticos. Um grupo é parafilético se incluir o ancestral comum mais recente do grupo, mas não todos os descendentes desse ancestral. A Sistemática Filogenética reconhece como um grupo válido apenas os grupos monofiléticos (HENNIG, 1966; WILEY, 1981, AMORIM, 2002).   

Adaptado de: ALMEIDA W.O. et al. A zoologia e a botânica do ensino médio sob uma perspectiva evolutiva: uma alternativa de ensino para o estudo da biodiversidade. Cad. Cult. Ciênc. V.2 N. 1 - p. 58-66, 2008. (consultado em http://periodicos.urca.br/ojs/index.php/cadernos/article/viewFile/19/19-59-2-PB no dia 01/04/10, às 14h11min).    

Estratégia

Como os alunos poderão atingir os objetivos propostos:

Os alunos poderão aprender sobre a classificação dos seres vivos através de uma atividade de classificação, em que eles mesmos, usando critérios diferentes, irão classificar alguns espécimes apresentados pelo professor. E desta forma, poderão compreender os motivos de se classificar os seres vivos, e como na história da classificação, cientistas como Aristóteles e Lineu começaram a ordenar os seres vivos.   

Como o professor irá ativar esse processo:

O professor poderá ativar este processo através da atividade descrita abaixo, em que instigará a investigação dos alunos e a compreensão de aspectos da história da classificação dos seres vivos.   

Momento de Sensibilização

Professor, num primeiro momento da aula, antes de realizar a atividade experimental, exponha para os alunos um pequeno vídeo lúdico sobre o Reino Animal, de modo que a turma irá compreender que esta classificação é muito ampla, pois engloba vários seres vivos muito diferentes. Segue o link abaixo:   

http://www.tvratimbum.com.br/secoes/videos/?id=1787 (consultado em 01/04/10, às 14h18min).    

Atividade investigativa: Brincando de Classificar

Após a visualização do vídeo, comece a conversar com os alunos sobre o processo da classificação. Faça uma sondagem sobre os motivos pelos quais classificamos os seres vivos. Exemplifique através da classificação que usamos no dia-a-dia, não envolvendo seres vivos, mas ainda assim uma classificação: nossas gavetas e armários.

Pessoal, quem aqui separa as roupas na gaveta do armário? E quem deixa tudo junto? Alguém separa as meias das cuecas ou calcinhas? Separam as blusas das calças?

- Professora, eu separo as meias das cuecas.

- E eu separo as calças das blusas.

Mas por que será que vocês fazem isso? Por que devemos separar as peças de roupas diferentes?

- Por que se não fica muito difícil achar, professora!

Ah! Então o motivo é organizacional, quer dizer, precisamos separar para deixar as coisas mais organizadas, facilitando a nossa vida, certo? Muito bem, e é assim também com a classificação dos seres vivos. Nós classificamos para facilitar o estudo destes seres, pois imaginem como ficaria difícil estudarmos algum animal, por exemplo, sem saber a que grupo ele pertence! Este processo de classificar os seres vivos começou lá no passado, há mais de 2000 anos, quando Aristóteles, um filósofo grego, percebeu como era importante separar os seres em grupos. Depois de mais de 1500 anos, outro cientista bolou uma forma muito interessante de organizar os seres vivos: era Lineu. Lineu era um médico que se interessava muito pelas plantas e animais, e aprimorou bastante a classificação de Aristóteles, criando uma forma de classificar os seres vivos numa hierarquia, ou seja, começa com uma classificação mais abrangente, que inclui vários seres diferentes, até uma classificação específica, onde entram apenas os seres da mesma espécie, com as características semelhantes. Mas antes de estudarmos estes cientistas, vamos tentar classificar ao nosso modo alguns seres vivos?   

Professor, neste momento da aula, divida a turma em grupos e entregue para cada grupo alguns espécimes de seres vivos. Se a escola tiver um laboratório contendo animais conservados, será muito bom para este trabalho. Mas caso não conte com este recurso, é possível entregar aos grupos fotografias de vários seres vivos. De posse destes espécimes, os grupos deverão classificar de três formas diferentes os espécimes que receberam, utilizando algum critério que eles mesmos criarão.

Segue um exemplo: Um grupo recebeu um exemplar de estrela-do-mar, um exemplar de morcego, outro de peixe, outro de rato, e outro de cavalo-marinho. Então resolveu classificá-los das seguintes formas:

1)    Animais aquáticos x animais terrestres

Aquáticos: estrela-do-mar, peixe, cavalo-marinho.

Terrestres: morcego, rato.

2)    Animais com ossos x animais sem ossos

Com ossos: morcego, peixe, rato, cavalo-marinho.

Sem ossos: estrela-do-mar.

3)    Animais que mamam x animais que não mamam

Mamam: morcego, rato.

Não mamam: estrela-do-mar, peixe, cavalo-marinho.   

Após cada grupo fazer suas classificações, reúna os alunos em semicírculo e promova uma discussão entre os grupos, para que cada um exponha suas classificações e os outros grupos darão sugestões de mudanças ou acréscimos. Desta forma, os alunos poderão confrontar suas ideias e aprender de forma mais investigativa e lúdica. Depois de todos os grupos explicarem suas classificações, faça um fechamento do assunto, mostrando que, no passado, os cientistas também faziam da mesma forma que os alunos fizeram: escolheram critérios para separar os seres vivos em diferentes grupos, a fim de facilitar o estudo destes seres.  

Vocês perceberam que os seres humanos têm o hábito de separar, classificar, dar nomes. Isto é muito antigo, e por conta disso, muitas são as formas de se classificar, muitos critérios podem ser usados. Para evitar que cada cientista classificasse os seres vivos de um jeito, teve-se que padronizar esta classificação. Surgiu então o Sistema Natural de Lineu, que classificou os seres vivos em grupos. E hoje classificamos muito parecidamente com Lineu, usando a ordem evolutiva para isso. Podemos usar anatomia, DNA, comportamento, dentre outros, tudo para classificar e facilitar a organização dos seres vivos. 

Ferramentas e/ou recursos tecnológicos:

Professor, após a atividade investigativa, entregue para os alunos um texto contando um pouco da história da classificação dos seres vivos, de Aristóteles a Lineu. Peça que cada um faça uma leitura silenciosa do texto, marcando as palavras ou trechos que não foram compreendidos, e após esta primeira leitura, faça com toda a turma uma leitura orientada, em voz alta, tirando as dúvidas dos alunos.   

Aristóteles

Aristóteles viveu de 384 a 322 a.C. Nasceu na Macedônia e veio para a Academia de Platão, em Atenas. Ele foi o último grande filósofo grego e o primeiro biólogo da Europa. Registros da antiguidade dão conta de não menos que 170 títulos assinados por Aristóteles. Sua importância para a cultura européia está também no fato de Aristóteles ter criado uma linguagem técnica usada ainda hoje pelas mais diversas ciências.

Aristóteles constatou que a realidade consiste em várias coisas isoladas, que representam uma unidade de forma e substância. A “substância” é o material de que a coisa se compõe, ao passo que a “forma” são as características peculiares da coisa. A diferença entre forma e substância também é muito importante quando Aristóteles descreve como o homem reconhece as coisas do mundo. Quando reconhecemos as coisas, nós as ordenamos em diferentes grupos ou categorias. Por exemplo, vejo um cavalo hoje, outro amanhã e outro depois de amanhã. Os cavalos não são exatamente iguais, mas há alguma coisa que é comum a todos os cavalos. E esta coisa que é comum a todos os cavalos é a “forma” do cavalo. Tudo o que é distintivo ou individual pertence à “substância” do cavalo.

Aristóteles queria mostrar que todas as coisas da natureza pertenciam a diferentes grupos e subgrupos. No seu projeto de colocar ordem na vida, Aristóteles chama a atenção primeiramente para o fato de que tudo o que ocorre na natureza pode ser dividido em dois grupos principais. De um lado temos as coisas inanimadas, tais como pedras, gotas de água e terra. Essas coisas não encerram em si uma potencialidade de transformação. Segundo Aristóteles, elas só podem se transformar sob a ação de agentes externos. De outro lado, temos as criaturas vivas, que possuem dentro de si uma potencialidade de transformação. Finalmente, Aristóteles divide o reino das criaturas vivas em dois subgrupos, o dos animais e o dos homens. O que distingue os homens dos animais é que este tem a capacidade de pensar e ordenar suas impressões sensoriais em diferentes grupos e classes.   

Lineu

Carolus Linnaeus, nascido em 23 de Maio de 1707, morto em 10 de janeiro de 1778, foi um botânico, zoólogo e médico sueco, criador da nomenclatura binomial e da classificação científica, sendo assim considerado o "pai da taxonomia moderna". Foi um dos fundadores da Academia Real das Ciências da Suécia. A Taxonomia de Lineu é extensamente usada nas ciências biológicas. Ela foi desenvolvida por Lineu no Século XVIII durante a grande expansão da história natural. A taxonomia de Lineu classifica as coisas vivas em uma hierarquia, começando com os Reinos. Reinos são divididos em Filos. Filos são divididos em classes, então em ordens, famílias, gêneros e espécies.

Um sumário deste esquema, do mais geral para o mais específico:

• Reino

• Filo

• Classe

• Ordem

• Família

• Gênero

• Espécie   

Como exemplo, considere-se a classificação do Ser humano:

• Reino: Animalia

• Filo: Cordado

• Classe: Mamífero

• Ordem: Primata

• Família: Hominidae

• Gênero: Homo

• Espécie: Homo sapiens   

Adaptado de: Gaarder, Jostein. O mundo de Sofia. Cia das Letras, 1ª Ed.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carolus_Linnaeus (consultado em 01/04/10, às 11h26min).  

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles (consultado em 01/04/10, às 11h27min).  

Apresentação de vídeos:

Após a leitura minuciosa do texto anterior, apresente para os alunos dois vídeos que tratam da classificação dos seres vivos, para o fechamento deste assunto e posterior momento de avaliação do ensino-aprendizagem.    

Vídeos para aula:

http://www.youtube.com/watch?v=g_PukBbCIJ0 (consultado em 01/04/10, às 12h41min).   

http://www.youtube.com/watch?v=qjpq66TN4ck&feature=related (consultado em 01/04/10, às 12h42min).    

Recursos Complementares

Esta aula não possui recursos complementares, visto que todas as atividades estão inseridas em Estratégias e Recursos da Aula.

Avaliação

Avaliar numa perspectiva formativa implica estar atento à construção de conhecimentos conceituais, comportamentais e atitudinais de nossos alunos. Por isso é importante estar atento a todo o percurso do aluno enquanto aprende: suas ideias iniciais, aquelas apresentadas durante a investigação, à maneira que relaciona com os colegas, sua atitude investigativa e crítica, no decorrer da aula. Feitas estas considerações, propomos mais um momento para que os alunos sejam avaliados.             

Leve para a sala algumas revistas e jornais que contenham fotografias de seres vivos e entregue várias fotos para os grupos. Entregue folhas de cartolina para cada grupo e peça que eles façam colagens na cartolina separando os seres vivos em grupos, fazendo dessa forma uma classificação. Com esta atividade, os alunos poderão compreender o motivo de estudarem este assunto, e poderão divulgar os cartazes confeccionados pela escola, aplicando os conhecimentos construídos.

Opinião de quem acessou

Quatro estrelas 5 classificações

  • Cinco estrelas 3/5 - 60%
  • Quatro estrelas 0/5 - 0%
  • Três estrelas 1/5 - 20%
  • Duas estrelas 1/5 - 20%
  • Uma estrela 0/5 - 0%

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Opiniões

  • maicon, maicon , Rio Grande do Sul - disse:
    maiconmoura22@gmail.com

    19/04/2012

    Cinco estrelas

    muito bom


  • lulu, ibr , Roraima - disse:
    yumi_br@hotmail.com

    28/03/2011

    Duas estrelas

    deveria ter figuras de animais para pesquisa!


  • Ana Clara Dutra Konchenborges, França - disse:
    nina15linda@hotmail.com

    10/03/2011

    Cinco estrelas

    Adorei o mais interessante e saber que eu consegui fazer uma tarfea com isso e tb que ensima muitas coisas e nos faz ter uma nossão da classificação dos seres Vivos Obrg. Professor Vou querer aulas em particular em Kkk' Bink's Bjss I Love Ciência My Materya Preferict


  • marcia iolanda da silva, E.E.Francisco sales , Minas Gerais - disse:
    marciaio@yahoo.com.br

    04/08/2010

    Cinco estrelas

    excelente: essas aulas tem me ajudado muito pois estou iniciando na àrea e nem sou formada para lecionar sou enfermeira autorizada. então tenho tido muita dificuldade até em respeito de material.


  • Ana Cláudia dos Santos Lima, Faculdade Católica de Uberlândia , Minas Gerais - disse:
    anaclaudia@umuarama.ufu.br

    19/05/2010

    Três estrelas

    Aula muito boa e interativa. Ao explicar sobre Aristóteles e Lineu poderia ser mais resumido.


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