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CONTOS ETIOLÓGICOS

 

10/08/2010

Autor e Coautor(es)
Daniela Amaral Silva Freitas
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Luiz Prazeres

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua oral: gêneros discursivos
Educação Infantil Linguagem oral e escrita Práticas de leitura
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de leitura
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: gêneros discursivos
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

- Identificar os elementos organizacionais e estruturais dos contos etiológicos e sua finalidade.

- Relacionar textos a um dado contexto (histórico, social, político, cultural etc.).

- Conhecer outras possibilidades de ler o mundo, que não o viés científico.

Duração das atividades
5 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

O professor pode verificar se os alunos sabem alguma história que explica o surgimento do Sol, da Lua, ou que explica o porquê de alguma planta, pedra, animal ser tal qual é. Tal procedimento ajudará o professor a mapear o quanto os alunos conhecem de contos etiológicos.

Estratégias e recursos da aula

ATIVIDADE 1:   

Para iniciar a atividade sobre contos etiológicos, explicar para os alunos que existem diferentes tipos de contos, mas que se chamam contos etiológicos aqueles contos inventados para explicar a origem ou o porquê de um aspecto, forma, hábito, disposição, propriedade, caráter de um animal, vegetal ou mineral.   

Em seguida, verificar se os alunos sabem algum conto etiológico que tenham ouvido seus pais, avós, parentes, vizinhos ou de alguém. Pedir que eles socializem com seus colegas a narrativa da qual se lembram. É interessante que, depois de cada narrativa, o professor, junto com os alunos, identifiquem, na história narrada, o que ela explica.   

ATIVIDADE 2:

Apresentar a capa do livro de onde o conto a ser lido foi retirado. Se o professor conseguir levar o livro para a sala de aula, melhor ainda.

Explicar que se trata de um livro no qual Monteiro Lobato, grande escritor da literatura infanto-juvenil, reúne algumas das histórias mais populares do folclore brasileira. Tais histórias são contadas por tia Nastácia e comentadas por Pedrinho, Narizinho e Emília.   

Para saber mais sobre a biografia e as obras de Monteiro Lobato, consultar o seguinte endereço eletrônico:

http://lobato.globo.com/index.asp    

Em seguida, ler para os alunos o conto etiológico que explica o porquê de o cágado ter o casco todo rachado. Verificar se os alunos sabem o que é um cágado. Caso não saibam, explicar que se trata de um animal da ordem das tartarugas. Para saber mais a esse respeito, ler a matéria “Qual a diferença entre tartaruga, jabuti e cágado?” no seguinte link:  

http://mundoestranho.abril.com.br/mundoanimal/pergunta_286278.shtml      

O cágado na festa do céu    

Certa vez houve uma grande festa no céu, para a qual foram convidados os bichos da floresta. Todos se encaminharam para lá, e o cágado também — mas este era vagaroso demais, de modo que andava, andava e não chegava nunca.

A festa era só de três dias e o cágado nada de chegar. Desanimado, pediu a uma garça que o conduzisse às costas. A garça respondeu: "Pois não", e o cágado montou.

A garça foi subindo, subindo, subindo; de vez em quando perguntava ao cágado se estava vendo a terra.

— Estou, sim, mas lá longe.

A garça subia mais e mais.

— E agora?

— Agora já não vejo o menor sinalzinho da terra.

A garça, então, que era uma perversa, fez uma reviravolta no ar, desmontando o cágado. Coitado! Começou a cair com velocidade cada vez maior. E enquanto caía, murmurava:

Se eu desta escapar,

léu, léu, léu,

se eu desta escapar,

nunca mais ao céu

me deixarei levar.

Nisto avistou lá embaixo a terra. Gritou:

— Arredai-vos, pedras e paus, senão eu vos esmagarei! As pedras e paus se afastaram e o cágado caiu. Mesmo assim arrebentou-se todo, em cem pedaços.

Deus, que estava vendo tudo, teve dó do coitado. Afinal de contas aquela desgraça tinha acontecido só porque ele teimou em comparecer à festa do céu. E Deus juntou outra vez os pedaços.

É por isso que o cágado tem a casca feita de pedacinhos emendados uns nos outros.

[LOBATO, Monteiro. Histórias de Tia Anastácia. São Paulo: Brasiliense, 2002.]   

Após a leitura, verificar se os alunos compreenderam os principais acontecimentos do conto, por meio de perguntas, como:

- Qual o evento que é retratado no conto?

- Onde ele acontece?

- Quem eram os convidados?

- Por que o cágado não estava conseguindo chegar à festa?

- Qual a providência que ele tomou?

- O cágado conseguiu chegar à festa? Por quê?

- O que aconteceu?

- Quem interferiu no destino do cágado?

- De que forma?

- O que esse conto explica?   

Em seguida, problematizar a narrativa com os alunos. Mostrar a eles que existem várias explicações sobre os mistérios da vida, como as poéticas, que têm um caráter de criatividade e ficcionalidade, e as ditas “científicas”, que quase sempre procuram apresentar os fatos como verdades inquestionáveis, apesar de se modificarem ao longo do tempo. O professor pode apresentar como exemplo o geocentrismo, teoria da Antiguidade que se baseia na hipótese de que a Terra estaria parada no centro do universo, com os astros, inclusive o Sol, girando ao seu redor.   

Mostrar aos alunos que os contos etiológicos apresentam diferentes visões de mundo, muitas vezes diferente de uma lógica dominante racional. Mostrar a eles de que nesses contos existe uma apresentação de outras possibilidades de viver o mundo, diferentes das propostas pela ciência. Trata-se de contos que continuam circulando na sociedade e, que, portanto, habitam o cotidiano e o imaginário de muitos brasileiros. Essas histórias, narrativas, fragmentos culturais sinalizam outras possibilidades de apresentação, de modos de sentir, de agir, de pensar, de saber...     

ATIVIDADE 3:

Apresentar para os alunos outra versão da história da festa no céu, que tem como protagonista não mais o cágado, mas o sapo.   

A história – “A festa no céu” (uma versão musicada, da coleção Meu Disquinho, com slides de 1978) –, se encontra disponível nos seguintes links:   

http://www.youtube.com/watch?v=stLkFXtAhcE  

http://www.youtube.com/watch?v=GLA7TD8pRYM&feature=related    

Após assistirem ao conto, estabelecer uma comparação entre as duas versões (“O cágado na festa no céu” e “A festa no céu”). Pedir que os alunos apontem as semelhanças (festa no céu, tombo do animal, pedido de que as pedras se afastem, etc.) e diferenças (convidados para a festa, protagonistas das ações, estratégias para se chegar à festa, etc.) entre os enredos das duas narrativas. Conversar com os alunos que os contos, por estarem presentes há longo tempo em nossas sociedades, sofrem muitas modificações. Pedir que eles também verbalizem as diferenças que perceberam entre a história contada em prosa, de Monteiro Lobato e a contada em versos e musicada, da coleção Meu Disquinho.   

ATIVIDADE 4:   

Pedir que os alunos pesquisem com seus familiares e vizinhos, na biblioteca ou na internet, contos que expliquem como surgiram as plantas, os animais, os vegetais, ou alguma característica ou comportamento deles.   

Em uma outra aula, promover a leitura dos contos e pedir que os alunos destaquem, ao final da narrativa, qual explicação o conto apresenta.

ATIVIDADE 5:    

Fazer no quadro negro, um levantamento de dúvidas que os alunos podem ter sobre o porquê ou a origem das coisas. Escolher uma das dúvidas e propor a escrita coletiva, no quadro negro, de um conto que a explique. Caso a turma já seja alfabetizada, o professor pode pedir que os alunos se reúnam em grupos, ou criem individualmente um conto que apresente uma explicação sobre algum dos “mistérios da vida”. Após a escrita, fazer a leitura do(s) conto(s) e verificar, coletivamente, se há coerência entre a dúvida e a explicação para ela.

Recursos Complementares
Avaliação

O professor deve avaliar os alunos durante todo o processo de ensino e de aprendizagem e, caso perceba que eles não estão compreendendo a atividade, deve adaptá-la. Entretanto, para uma avaliação mais pontual, o professor pode utilizar as duas últimas atividades. Essas atividades funcionam como atividades avaliativas à medida que permitem que o professor perceba se os alunos conseguem: selecionar, entre os diversos contos a que terão acesso, aqueles que são etiológicos, e identificar de que forma é construída uma explicação sobre o surgimento de algo (ATIVIDADE 4);  produzir um conto que contemple as características trabalhadas dos contos etiológicos (ATIVIDADE 5). É interessante que o professor, ao final da atividade, peça que os alunos avaliem a atividade como um todo e também se auto-avaliem, apontando o que aprenderam sobre os contos etiológicos.

Opinião de quem acessou

Cinco estrelas 3 classificações

  • Cinco estrelas 3/3 - 100%
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Opiniões

  • Bruna Martin Coviello, Unifesp , Bahia - disse:
    Brunamartincoviello@yahoo.com

    11/03/2014

    Cinco estrelas

    É legal ensina bastante e as pessoas que lêem só se dão bem


  • Kariny Louizy, UFAL , Alagoas - disse:
    k_louizy@hotmail.com

    05/06/2012

    Cinco estrelas

    Aula bem interessante, especialmente levando-se em consideração que os contos etiológicos são ainda muito pouco explorados no ambiente escolar brasileiro!


  • Mayara, Santos , Distrito Federal - disse:
    mayarafonseca@hotmail.com

    11/02/2011

    Cinco estrelas

    Muito interessante essa dica de aula. Foi muito válida para mim! Obrigada


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