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CONTOS AFRICANOS

 

30/11/2010

Autor e Coautor(es)
Daniela Amaral Silva Freitas
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Luiz Prazeres

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de leitura
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua oral: gêneros discursivos
Educação Infantil Linguagem oral e escrita Práticas de leitura
Educação Infantil Linguagem oral e escrita Práticas de escrita
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: prática de produção de textos
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: gêneros discursivos
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

- Relacionar textos a um dado contexto (histórico, social, político, cultural etc.).

- Identificar os elementos organizacionais e estruturais dos contos africanos e suas especificidades.

- Antecipar assunto do texto com base em título, subtítulo, imagens.

- Conhecer um pouco da cultura africana.

Duração das atividades
4 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Alguns conhecimentos prévios podem auxiliar no trabalho com os contos africanos, como: elementos da narrativa, contos, história e cultura da África, entre outros.

Estratégias e recursos da aula

ATIVIDADE 1:   

Perguntar para os alunos o que eles conhecem sobre a África. Conversar com os alunos sobre a história da África, sobre a vinda dos africanos para o Brasil, sobre a riqueza da cultura africana e sua influência na cultura brasileira (músicas, comidas, histórias, religiões).   

Em seguida, verificar se os alunos conhecem algum conto africano. Caso conheçam, pedir que contem para seus colegas.

Para subsidiar essa conversa, o professor pode obter informações no seguinte link:

http://www.arteafricana.usp.br/codigos/textos_didaticos/002/africa_culturas_e_sociedades.html

 

ATIVIDADE 2:

Apresentar o conto “Por que os cães se cheiram uns aos outros?” que faz parte do livro Bichos da África: Lendas e Fábulas, de Rogério Andrade Barbosa.   

Apresentar a capa do livro para os alunos:

Perguntar para eles: Qual o título do livro? O que as ilustrações mostram? Que tipo de histórias esperam encontrar no interior do livro?   

Em seguida, passar para os alunos o vídeo em que Rogério Andrade Barbosa conta um pouco sobre sua história:

http://www.youtube.com/watch?v=CUM-DHjfct0    

O escritor, autor do texto que será lido, viveu na África, trabalhando como voluntário das Nações Unidas na Guiné-Bissau. Nas diversas aldeias e cidades que percorreu, no imenso continente africano, conheceu os “contadores de histórias” – griots – que transmitem oralmente, para uma platéia atenta e fascinada, contos, lendas, mitos, fábulas... Suas narrações são acompanhadas de mímicas, danças, cantigas e outros efeitos cênicos, como a imitação das “vozes” dos animais, do barulho da chuva e do zumbido do vento.   

 

ATIVIDADE 3:

Fazer a leitura do conto africano:   

 

Por que os cães se cheiram uns aos outros?    

 

Quando os cães governavam-se a si mesmos, havia dois grandes reinos chefiados por poderosos cães. Cada um deles gabava-se de ter mais súditos e riquezas do que o outro. Embora fossem adversários, viviam em paz, e essa trégua só foi quebrada no dia em que um deles se apaixonou pela irmã do outro chefe. Perdido de amores, ele se dirigiu pessoalmente aos domínios do rival:    

 

– Meu nobre amigo – disse o cão apaixonado -, fiz essa longa e cansativa viagem até o teu reino para pedir a mão da tua irmã em casamento.    

 

– Com a minha irmã! – respondeu aos gritos o outro cão –, não quero que você case com ela de jeito nenhum.    

 

Humilhado com a resposta, o cão desdenhado voltou furioso para sua corte. Assim que chegou, reuniu o Conselho de Guerra e mandou chamar um fiel servidor para que levasse a seguinte mensagem ao seu inimigo:    

 

– Diga-lhe que como me recusou a mão da irmã, que se prepare para lutar, pois dentro de poucos dias irei marchar com meu exército para destruí-lo.    

 

O mensageiro ouviu tudo bem direitinho e já ia partindo quando um dos conselheiros reais o chamou:    

 

– Você não pode sair assim todo sujo – disse o conselheiro real. – A sua cara e a cauda estão imundas.    

 

Os criados deram um longo banho no mensageiro e perfumaram a cauda dele com os melhores perfumes do reino, pois de acordo com os costumes daquele tempo, um mensageiro tinha que se preparar adequadamente para executar uma tarefa.    

 

No caminho, o mensageiro achou-se tão cheiroso e galante que começou a procurar esposas para ele mesmo, deixando de lado a missão que o chefe havia lhe confiado.    

 

É por isso que os cães andam sempre atrás uns dos outros, cheirando as suas caudas, para verem se acham o mensageiro perdido.  

 

Discutir o texto com os alunos, levando-os a perceber todo o desenrolar do enredo. O professor pode fazer isso por meio de inúmeras perguntas, como:

- Onde se passa a história?

- Em que tempo?

- Quem são os personagens apresentados?

- O que aconteceu que fez com que os reis adversários, que antes viviam em paz, quisessem entrar em guerra?

- O que um rei pediu para o outro?  

- O outro rei acatou o pedido?  

- O que o primeiro rei fez?  

- O rei conseguiu avisar o outro da guerra?  Por quê?

- O mensageiro cumpriu sua missão? Por quê?  

- O que aconteceu com o mensageiro? E com os reis?   

 

Deve-se observar o que Magda Frediane e Rogério Andrade Barbosa comentam acerca do conto:   

 

Por que os cães se cheiram uns aos outros” é um conto curto, o que favorece a sua abordagem no tempo/espaço da sala de aula. Apesar do tamanho, ele apresenta as características essenciais dos textos narrativos: uma abertura – estado inicial de harmonia ou equilíbrio –, seguida de um fato narrativo propriamente dito – a desarmonia, quando este equilíbrio inicial é rompido –, e encerrada por um fechamento – estado final, que tanto pode ser a volta ao equilíbrio inicial como o aparecimento de uma nova situação de equilíbrio e encerrada por um fechamento – estado final, que tanto pode ser a volta ao equilíbrio inicial como o aparecimento de uma nova situação de equilíbrio.  Entre a abertura e o fechamento, acontecem os conflitos, as ações dos personagens, as transformações...    

 

Na abertura, vemos que o autor mostra-nos um fato distanciado no tempo, numa época em que os cães eram seus próprios governantes. Já se instaura, nesse início, uma oposição a tudo que conhecemos sobre esses animais, em geral tão dependentes dos seres humanos, seus “donos”, que lhes oferecem comida e moradia, em troca da  “amizade”, proteção, etc.    

 

Quem diria que esses bichos poderiam ter sido reis, soldados, mensageiros? Que se envolveriam em aventuras galantes de amor e sedução? Que se deixariam levar pelas paixões, como os seres humanos? Que saberiam valorizar a aparência física, se enfeitando para cumprir uma missão? Por meio das histórias, narradas ao redor de uma fogueira, como nas aldeias africanas, ou escritas nos livros, é possível recriar, com muita fantasia, tudo o que existe neste nosso mundo, tornando-o mais suportável, mais belo.  

Fonte: http://www.tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/151433Contoreconto.pdf   [Confira Programa 3: "Contos Africanos"]

Ao final da atividade, pode-se pedir aos alunos que façam um registro sobre o conto, que pode ser em forma de ilustração ou de um pequeno texto, dependendo das possibilidades de cada turma. 

 

ATIVIDADE 4:   

Pedir que os alunos realizem uma pesquisa na biblioteca ou na internet de livros que tragam contos africanos. Em outra aula, solicitar que se reúnam em grupos e apresentem os contos que encontraram. Em seguida, pedir que se forme uma grande roda e que cada grupo escolha um conto e o apresente para os demais grupos, comentando os aspectos principais da narrativa e os elementos da cultura e da paisagem africana que conseguem perceber, como: fauna, flora, rios, músicas, religiões...

Ao se optar por esse tipo de atividade, o professor estará enfatizando uma característica própria da cultura africana/afro-brasileira, que é a força da oralidade. Entretanto, se o professor quiser ter um registro mais concreto das atividades desenvolvidas a partir dos contos africanos, pode, por exemplo, propor que os alunos ilustrem os aspectos principais da narrativa e os elementos da cultura e da paisagem africana que conseguem perceber por meio dos contos e os organize em um mural da escola. 

Recursos Complementares

  O professor que quiser se aprofundar na discussão sobre o assunto, pode acessar os seguintes endereços eletrônicos:  

http://www.arteafricana.usp.br/

http://www.tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/151433Contoreconto.pdf

Avaliação

Durante todo o desenvolvimento das atividades, o professor deve avaliar se os alunos conseguiram compreender os contos africanos e sua importância para a cultura brasileira. Para isso, deve observar e analisar as respostas dos alunos para as questões propostas, assim como as colocações e os comentários que fizeram acerca dos contos africanos trabalhados em sala de aula.

Para uma avaliação mais efetiva, o professor pode formar uma roda com seus alunos e avaliar coletivamente todo o processo por meio de perguntas como: Vocês conheciam os contos africanos? O que podemos aprender com eles? O que vocês conseguiram aprender com as atividades?  Tal procedimento permite que o professor reflita sobre sua prática e que os alunos se autoavaliem, refletindo sobre o próprio desempenho e aprendam a identificar o que aprenderam e a corrigir erros e equívocos. É interessante que essa atividade avaliativa seja realizada após todas as aulas.

Opinião de quem acessou

Quatro estrelas 6 classificações

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