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Fontes históricas: documentos escritos e não-escritos

 

31/07/2012

Autor e Coautor(es)
Vanessa Maria Rodrigues Viacava
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CURITIBA - PR NTE - CURITIBA - (CETEPAR)

Eziquiel Menta

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Médio História Cultura
Ensino Fundamental Final História Cidadania e cultura no mundo contemporâneo
Ensino Médio História Processo histórico: nações e nacionalidades
Ensino Fundamental Final História Nações, povos, lutas, guerras e revoluções
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Essa aula permitirá ao aluno identificar os diferentes tipos de vestígios do passado, tais como fontes escritas e não-escritas. Esse primeiro momento possibilitará aos educandos a compreensão do trabalho do historiador, como este procede na análise externa e interna das fontes históricas. Assim, o professor conduz os estudantes a reconhecer como as fontes são usadas como matéria-prima do historiador para a construção do passado.

Duração das atividades
3 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

O aluno deverá ter noções de construção do tempo, de temporalidade e de narrativa histórica e sobre a escravidão no Brasil.

Estratégias e recursos da aula

 

 

 

Disponível em: http://www.blogdomadeira.com.br/?p=6048 Acesso em: 16/09/10 

Ao apresentar a charge acima, o professor deverá instigar seus alunos a imaginarem uma explicação possível para essa representação. Os educandos deverão receber as seguintes orientações para produzirem suas análises preliminares.

  1. O desenhista procurou focalização um cidade, qual é este município?
  2.  O sujeito da figura está praticando um esporte? Justifique.
  3. O que são os obstáculos representados na parte inferior da imagem.

A partir dessas questões os alunos deverão ter compreendido que o desenhista procurou transmitir uma crítica sobre as condições das ruas da cidade de Varginha, onde a melhor forma para se locomover seria com uma vara utilizada em competições desportivas.

Além dessas conclusões, os alunos deverão compreender que uma imagem pode representar muito mais que o óbvio, o visível, ela pode ocultar aspectos que suscitam leituras múltiplas. A prática da charge é muito usada como forma de sátira política e crítica social.

Quais seriam outras formas de transmitir uma ideia sem utilizar textos? Como "ler" uma imagem ou uma fotografia?

 

Para iniciar a abordagem do tema relativo às fontes históricas, o professor deverá apresentar essas imagens e propor as seguintes questionamentos:

Imagem 1:

Disponível em: http://historiadefriburgo.blogspot.com.br/2011/08/precisa-se-de-amas-de-leite-madeixas-e.html Acesso em: 10/08/10

 

Imagem 2:

Disponível em: http://historiadefriburgo.blogspot.com.br/2011/08/precisa-se-de-amas-de-leite-madeixas-e.html Acesso em: 10/08/10

 

  1. Qual o relacionamento das pessoas nas foto acima?
  2. Como estão vestidos as mulheres e os meninos?
  3. Qual período da história brasileira essas fotografias retratam?
  4. Como podemos definir a relação entre as ama-de-leite e os meninos? pela imagem é possíveldizer ser existe afetividade entre eles?

 

ATIVIDADE 1:

Cada aluno deverá registrar suas respostas em seus cadernos e estas observações devem ser compartilhadas com os colegas em forma de debate. Ao professor cabe a tarefa de sintetizar as ideias colocadas pela turma.

 

Ler o trecho de Luiz Felipe de Alencastro sobre a fotografia e identificar como o historiador analisa as fontes não-escritas para a construção do passado.

Fragmento do texto:

"A fotografia foi feita no Recife por volta de 1860. Na época era preciso esperar no mínimo um minuto e meio para se fazer uma foto. Assim, preferia-se fotografar as crianças de manhã cedo, quando elas estavam meio sonolentas, menos agitadas. O menino veio com a sua mucama, enfeitada com a roupa chique, o colar e o broche emprestado pelos pais dele. Do outro lado, além do fotógrafo Villela, podiam estar a mãe, o pai e outros parentes do menino. Talvez por sugestão do fotógrafo, talvez porque tivesse ficado cansado na expectativa da foto, o menino inclinou-se e apoiou-se na ama. Segurou a com as duas mãozinhas. Conhecia bem o cheiro dela, sua pele, seu calor. Fora no vulto da ama, ao lado do berço ou colado a ele nas horas diurnas e noturnas da amamentação, que os seus olhos de bebê haviam se fixado e começado a enxergar o mundo. Por isso ele invadiu o espaço dela: ela era coisa sua, por amor e por direito de propriedade. O olhar do menino voa no devaneio da inocência e das coisas postas em seu devido lugar. Ela, ao contrário, não se moveu. Presa à imagem que os senhores queriam fixar, aos gestos codificados de seu estatuto. Sua mão direita, ao lado do menino, está fechada no centro da foto, na altura do ventre, de onde nascera outra criança, da idade daquela. Manteve o corpo ereto, e do lado esquerdo, onde não se fazia sentir o peso do menino, seu colo, seu pescoço, seu braço escaparam da roupa que não era dela, impuseram à composição da foto a presença incontida de seu corpo, de sua nudez, de seu ser sozinho, da sua liberdade. O mistério dessa foto feita há 130 anos chega até nós. A imagem de uma união paradoxal mas admitida. Uma união fundada no amor presente e na violência pregressa. A violência que fendeu a alma da escrava, abrindo o espaço afetivo que está sendo invadido pelo filho do senhor. Quase todo o Brasil cabe nessa foto."

ALENCASTRO, Luis Felipe de. História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade nacional. Companhia das Letras: São Paulo, 2001. p. 439-440.

Trecho disponível em: http://www.cliohistoria.110mb.com/imagens/escrava_arquivos/ama.html Acesso em: 02/09/10 

 

ATIVIDADE 2:

Após a leitura do texto, os alunos poderão rever as suas observações da atividade 1 e reavaliar  suas análises preliminares. Como contraponto das fontes não-escritas analisadas - as duas fotos das amas-de-leite com os meninos - os alunos analisarão a imagem 3 a fim de perceber uma situação contratidória: a afetividade demostrada nas imagens 1 e 2 e a violência expressa nas feições da escrava Anastácia, da imagem 3.

Imagem 3:

Escrava Anastácia

Disponível: http://www.maemartadeoba.com.br/orixas%20mitos%20e%20lendas/escrava%20anastacia%202.htm Acesso em: 10/08/10

 

 

ATIVIDADE 3:

A partir da observação das fontes não-escritas o aluno deverá ter compreendido como as imagens podem revelar aspectos nem sempre coerentes sobre o passado e cabe ao historiador confrontar diversas fontes a fim de construir uma narrativa história.  A análise das imagens das amas-de-leite favorece uma discussão sobre a harmonia das etnias que formaram o Brasil, em outras palavras, conduzem o aluno a pensar sobre o mito da democracia racial elaborado por Gilberto Freyre em "Casa Grande & Senzala". A imagem 3 ressalta as relações de subordinação e poder no Brasil Colônia.

Para finalizar as análises sobre as fontes escritas e não-escritas, os alunos assitirão ao documentário "Maré Capoeira" e fim de observar como a narrativa sobre o passado pode assumir uma conotação afetiva e articulada à memória. Depois da exibição do documentário, os educandos debaterão o tema ligado às questões relacionadas à cultura popular e a contribuição dos africanos na constituição da identidade brasileira. Espera-se que isso viabilize um debate que relacione a escravidão no Brasil e contribua para a percepção das diferenças sociais em nosso país. A partir dessas observações, os alunos poderão elaborar um roteiro para uma peça de teatro e apresentar na semana cultural da escola.

Como resultado final os alunos poderão ensaiar alguns passos de capoeira e "gingar" com o ritmo do berimbal numa apresentação para sua turma e até mesmo para a escola com o auxílio do professor de Educação Física e/ou Arte.

 

  

Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=16347  Acesso em: 02/08/10 

ATIVIDADE 4:

O curta mostra que uma roda de capoeira narrada pelo menino João, o personagem Maré Capoeira. O professor deverá organizar grupos de trabalho e cada grupo deve pesquisar mais informações sobre um dos seguintes temas da capoeira que aparecem no curtametragem. A pesquisa poderá ser feita com o auxílio da internet e/ou através de entrevistas com capoeristas e mestres da arte afro-brasileira.

Sugestão de itens a serem pesquisados pelas equipes

1. A História da capoeira: como e onde surgiu, qual a diferença entre "angola" e "regional"?

2. Ginga na capoeira: o que significa ginga numa roda de capoeira? A capoeira pode ser definida como luta, dança, arte?

3. Mestre de capoeira: como são as relações de hierarquia entre alunos e professores? Como os alunos aprendem as técnicas da capoeira?

4. Música: qual o papel da música na roda de capoeira? Quem toca os instrumentos? Como se aprendem as canções?

A pesquisa deverá provocar nos alunos uma curiosidade pelas tradições afro-brasileiras. Cada um dos temas deverá ser sociabilizado com a turma toda ou, apresentado para toda a escola em forma de encenação dos temas pesquisados. Caso os alunos não se mostrem dispostos a mostrarem os resultados da pesquisa para toda a escola, eles poderão expor em forma de varal didático e promover a visita dos colegas.

Ao final desse processo, os alunos deverão compreender que os artefatos culturais e manifestaões artísticas podem servir como fontes históricas e ao mesmo tempo que relevam questões sobre o passado continuam a se transformar ao longo do tempo. Os alunos deverão perceber que existem diversas leituras sobre o passado e jamais o historiador poderá investigar o que acontecer e chegar a um resultado "verdadeiro" ou "imparcial".

Recursos Educacionais
Nome Tipo
Mare capoeira Vídeo
Recursos Complementares

Vídeo sobre a capoeira. Matéria exibida originalmente no programa MS Record 2ª Edição - Quadro Esporte É. Palavras-chave: lutas, capoeira, curiosidades.

Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/debaser/singlefile.php?id=14986 Acesso em: 10/08/10

Texto sobre a transição da capoeira de crime para esporte.

Disponível em: http://www.capoeiralutadobrasil.hpg.com.br/Capoeira_Proibicao.htm  Acesso em: 10/08/10

Artigos:

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Fontes visuais, cultura visual, história visual: balanço provisório, propostas cautelares. Rev. Bras. Hist. [online]. 2003, vol.23, n.45, pp. 11-36. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882003000100002&lang=pt Acesso em: 16/09/10  

STANCIK, Marco Antonio. A ama-de-leite e o bebê: reflexões em torno do apagamento de uma face. História [online]. 2009, vol.28, n.2, pp. 659-682.

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/his/v28n2/23.pdf

Acesso em: 16/09/10 

Avaliação

O professor deverá apresentar e discutir com a turma os critérios de avaliação. Cada conceito deve ser explicitado e aprovado pelo grupo de alunos. Durante a realização das atividades, o professor deverá despertar o interesse dos alunos pelo tema, apontando as possibilidades de interpretação, auxiliar o alunos a transpor suas dificuldades e ressalatar suas qualidades, motivando-o durante o processo de ensino aprendizagem.

Para auxiliar na avaliação sugerimos alguns critérios:  

  1. participação durante as discussões;
  2. comprometimento com o grupo;
  3. argumentação durante o debate;
  4. respeito a opinião dos colegas;  
  5. empenho para concluir as atividades;
  6. domínio do tema.

Referências Bibliográficas

ALENCASTRO, Luis Felipe de. História da vida privada no Brasil Império: a corte e a modernidade nacional. Companhia das Letras: São Paulo, 2001.

BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas. UNESP: São Paulo, 2001.

CARDOSO, Ciro F. & VAINFAS, Ronaldo. Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia.Campus: Rio de Janeiro,1997.

CHARTIER, Roger.Inscrever e apagar: cultura, escrita e literatura. UNESP: São Paulo, 2007.

HUNT, Lynn. A nova história cultural. Martins Fontes: São Paulo, 2009.

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Fontes visuais, cultura visual, história visual: balanço provisório, propostas cautelares. Rev. Bras. Hist. [online]. 2003, vol.23, n.45, pp. 11-36.

Disponível em:

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882003000100002&lang=pt  

Acesso em: 16/09/10  

STANCIK, Marco Antonio. A ama-de-leite e o bebê: reflexões em torno do apagamento de uma face. História [online]. 2009, vol.28, n.2, pp. 659-682.

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/his/v28n2/23.pdf 

Acesso em: 16/09/10  

Opinião de quem acessou

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Opiniões

  • milka souza matos, escola municipal marcos amtonio dias batista , Rio de Janeiro - disse:
    milkasouza16@hotmail.com

    28/01/2013

    Cinco estrelas

    eu amei ajuda muito o desenvouvimemto


  • nemora, Prefeitura Municipal de Gravataí (NTM) , Rio Grande do Sul - disse:
    nemorafranco@ig.com.br

    03/09/2012

    Cinco estrelas

    Vanessa adorei tua proposta e teus links. Gostei do teste sobre o quanto a cultura afro esta na nossa vida.


  • Maria Joaquina |brito e Silva, COLEGIO ESTADUAL CORONEL JOAQUIM TAVEIRA , Goiás - disse:
    marijo_122@hotmail.com

    19/02/2012

    Cinco estrelas

    excelente.Um brilhante planejamento


  • karoline, karoline reis , Rio de Janeiro - disse:
    karoline-reis@hotmail.com

    14/02/2012

    Cinco estrelas

    eu adorei essa aula por que tudo isso faz todo o sentido para mim e essa é a minha opiniao...!!


  • Sonia T. R. Pereira, Cederj , Rio de Janeiro - disse:
    sonia_rebellop@hotmail.com

    12/10/2010

    Cinco estrelas

    As imagens são fortes, exemplificando as contradições que permeiam a história do negro em nossa sociedade.


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