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FÁBULA E SUAS CARACTERÍSTICAS TEXTUAIS

 

09/10/2010

Autor e Coautor(es)
Mirian Chaves Carneiro
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BELO HORIZONTE - MG Universidade Federal de Minas Gerais

Sulamita Nagem Dias Lima

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo Língua Portuguesa Linguagem escrita: leitura e produção de textos
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo Língua Portuguesa Linguagem oral: escrita e produção de texto
Educação de Jovens e Adultos - 1º ciclo Língua Portuguesa Linguagem oral
Educação de Jovens e Adultos - 1º ciclo Língua Portuguesa Leitura e escrita de texto
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

• Dominar o mecanismo e os recursos do sistema de representação escrita, compreendendo suas funções.

• Interessar-se pela leitura e escrita como fontes de informação, aprendizagem, lazer e arte.

• Desenvolver estratégias de compreensão e fluência na leitura.

•  Conhecer textos narrativos  através da leitura, identificando elementos que caracterizam a narrativa.

• Conhecer e reconhecer a pontuação do discurso direto, destacando as falas de personagens (dois pontos, travessão).

•  Conhecer o gênero textual fábula, sua forma composicional, função, linguagem e contexto de circulação.

•  Completar coerentemente um texto.

Duração das atividades
03 horas/ aula.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

- Algum domínio dos processos de leitura e escrita.

- Conhecimento sobre os portadores convencionais de textos: livros, revistas, jornais.

Estratégias e recursos da aula

As estratégias a serem utilizadas são:

  • aula interativa,
  • trabalhos em grupos,
  • trabalho em duplas,
  • debate,
  • texto impresso.

    DESENVOLVIMENTO:

1ª atividade: Construindo o  sentido do  texto   

1)     A turma deverá ser organizada em duplas e cada aluno receberá o texto abaixo impresso que  deverá ser lido juntamente com seu colega (para que um possa ajudar o outro).

2)     Após a leitura, a dupla deverá completar as lacunas do texto de forma a torná-lo coerente.   

                                                                A CIGARRA E A FORMIGA

A _________________________, sem pensar em guardar,

a cantar passou o verão.

Eis que chega o _________________, e então,

sem provisão na despensa, como saída,

ela pensa em recorrer a uma ______________________:

sua vizinha, a __________________________,

pedindo a ela, emprestado, algum __________________,

qualquer bocado, até o bom tempo voltar.

 "Antes de agosto _______________________,

pode estar certa a senhora:

__________________ com juros, sem mora."

Obsequiosa, certamente, a formiga não seria.

"Que fizeste até outro dia?" perguntou à imprevidente.

"Eu ______________________, sim, Senhora, noite e dia, sem tristeza."

"Tu cantavas? Que ______________________!

Muito bem: pois ___________________ agora..."

3)     Em seguida, o professor fará a correção da atividade anterior para que os alunos comparem a forma como completaram as lacunas com o texto original.   

4)     O professor propõe uma discussão a partir das questões:     

a)      Quais as dificuldades encontradas para completar as lacunas?

b)     Que pistas do texto ajudaram a selecionar as palavras a serem colocadas nas lacunas?

c)      Conhecer ou não  a história facilitou a realização da atividade? Por quê?

A CIGARRA E A FORMIGA

A cigarra, sem pensar em guardar,

a cantar passou o verão.

Eis que chega o inverno, e então,

em provisão na despensa, como saída,

ela pensa em recorrer a uma amiga:

sua vizinha, a formiga,

pedindo a ela, emprestado, algum grão,

qualquer bocado, até o bom tempo voltar.

"Antes de agosto chegar,

pode estar certa a senhora:

pago com juros, sem mora."

Obsequiosa, certamente, a formiga não seria.

"Que fizeste até outro dia?" perguntou à imprevidente.

"Eu cantava, sim, Senhora, noite e dia, sem tristeza."

"Tu cantavas? Que beleza!

Muito bem: pois dança agora..."

Do livro Fábulas de La Fontaine, 1992.

2ª atividade: Discutindo o gênero textual fábula   

1)     O professor apresenta a imagem abaixo e solicita que os alunos a observem  

http://portalrondonopolis.com.br/loja/images/fabulas.jpg 

2)      Em seguida, ouve a opinião dos alunos sobre o que a imagem representa. Espera-se nesse momento que os alunos identifiquem o suporte textual chamado livro.

3)      Ainda a partir da imagem o professor questiona: nesse caso, quais são os textos que encontraremos nesse livro?

4)      O texto que acabamos de ler é uma fábula. O que é uma fábula? Quais são suas características?

5)      Que outras fábulas vocês conhecem?

OBS: O professor poderá anotar a lista das fábulas conhecidas por alguns alunos e incentivar a leitura delas, por quem ainda não as conhece.   

6)      O professor entrega os dois textos abaixo solicitando a leitura dos mesmos.  

Texto 1:

Fábulas: A fábula é uma história narrativa que surgiu no Oriente, mas foi particularmente desenvolvido por um escravo chamado Esopo, que viveu no século 6º. a.C., na Grécia antiga. Esopo inventava histórias em que os animais eram os personagens. Por meio dos diálogos entre os bichos e das situações que os envolviam, ele procurava transmitir sabedoria de caráter moral ao homem. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para o ser humano. Cada bicho simboliza algum aspecto ou qualidade do homem como, por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho etc. É uma narrativa inverossímil, com fundo didátic

http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1bula 

Texto 2:

Trata-se de uma narrativa, quase sempre breve, em prosa ou, na maioria, em verso, de ação não muito tensa, de grande simplicidade e cujos personagens ( muitas vezes animais irracionais que agem como seres humanos) não são de grande complexidade. Aponta sempre para uma conclusão ético moral. É um gênero de grande projeção pragmática por seu claro objetivo moralizador e de grande efeito perlocutório, próprio dos textos narrativos, pois vai ao encontro dos hábitos, das expectativas e das disponibilidades culturais do leitor.   

COSTA, S. R. Dicionário de gêneros textuais. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

7)      Após a leitura, o professor propõe a elaboração de uma síntese dos dois textos que apresentem as características básicas de uma fábula.   

OBS: Essa síntese poderá conter:  

a)      Texto narrativo;

b)     Texto curto;

c)      Animais são personagens;

d)     Transmitem uma lição de moral.

8) Em seguida à elaboração da síntese, o professor retoma a fábula A cigarra e a formiga, trabalhada na primeira atividade dessa aula para que os alunos possam identificar no texto as características do gênero estudado.   

9)      O professor socializa a atividade realizada, fazendo os comentários necessários.

3ª atividade: Comparando fábulas   

1)     O professor entrega as duas fábulas abaixo, solicitando que a turma, depois de ler a versão original da fábula  “A cigarra e a formiga” escrita por   La Fontaine, leia as versões escritas por  José Paulo Paes e  Monteiro Lobato.   

OBS: Caso seja necessário, o professor deve propor o uso do dicionário para uma consulta aos significados das palavras desconhecidas.  

SEM BARRA

José Paulo Paes

Enquanto a formiga

Carrega comida

Para o formigueiro,

A cigarra canta,

Canta o dia inteiro.

A formiga é só trabalho.

A cigarra é só cantiga.

Mas sem a cantiga da cigarra

que distrai da fadiga,

seria uma barra o trabalho da formiga.

A CIGARRA E A FORMIGA (A FORMIGA BOA)

  Monteiro Lobato

Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas. Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas.  Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.

A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém. Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...

Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.

- Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...

A formiga olhou-a de alto a baixo.

- E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa?

A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.  

- Eu cantava, bem sabe...

- Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?

- Isso mesmo, era eu...

Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.

Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, Editora Brasiliense, 1994.

OBS: As fábulas acima poderão ser encontradas no endereço:  

 http://www.entrelinhas.unisinos.br/index.php?e=3&s=9&a=19 

2) Após a leitura dos textos, o professor propõe que, coletivamente, preencham as colunas abaixo:   

Semelhanças entre as fábulas

Diferenças entre as fábulas

3) Em seguida, o professor questiona: Houve uma mudança no conteúdo da moral em alguma delas? Qual?

4ª ATIVIDADE: Ainda sobre o gênero textual fábula

1)     O professor entrega uma cópia da fábula A raposa e o corvo, solicitando que seja feita uma leitura da mesma.  

2)     Após a leitura, o professor pode comentar a fábula e a lição de moral que ela contém.   

3)     Em seguida, o professor solicita que o aluno marque, com lápis colorido, toda a pontuação que é usada para assinalar o  diálogo entre os personagens.   

4)     O professor socializa a atividade anterior e comenta que essa forma de registro do diálogo no texto recebe o nome de: discurso direto.   

OBS: Para sistematizar o conceito de discurso direto e a pontuação do diálogo, o professor pode  recorrer às outras fábulas trabalhadas nessa aula para que os alunos possam identificar os recursos do discurso direto.  

 5)     O professor solicita que, usando lápis de outra cor, os alunos assinalem no texto as falas do narrador. Ao fazer a socialização e os comentários necessários, é importante ressaltar que essa uma característica da fábula: a presença do narrador.

A raposa e o corvo

Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de queijo no bico quando passou uma raposa. Vendo o corvo com o queijo, a raposa logo começou a matutar um jeito de se apoderar do queijo. Com esta idéia na cabeça, foi para debaixo da árvore, olhou para cima e disse:

- Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que cores maravilhosas! Será que ele tem uma voz suave para combinar com tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos pássaros.

Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa que sabia cantar, abriu o bico e soltou um sonoro "Cróóó!" . O queijo veio abaixo, claro, e a raposa abocanhou ligeiro aquela delícia, dizendo:

- Olhe, meu senhor, estou vendo que voz o senhor tem. O que não tem é inteligência!

Moral: cuidado com quem muito elogia.

Do livro Fábulas de Esopo, 1994.

http://www.entrelinhas.unisinos.br/index.php?e=3&s=9&a=19 

                                         

Recursos Complementares

- As fábulas de Esopo, La Fontaine e Monteiro Lobato como recurso didático em http://www.entrelinhas.unisinos.br/index.php?e=3&s=9&a=19    

ESOPO. 1994. Fábulas de Esopo. São Paulo, Companhia das Letrinhas.

LA FONTAINE, J. de. 1992. Fábulas de La Fontaine. Belo Horizonte, Itatiaia.

LOBATO, M. 1994. Fábulas. São Paulo, Brasiliense.   

- Informações complementares para o educador:

Características do diálogo escrito

No diálogo escrito, as pausas e os gestos característicos da conversação oral são substituídos pelos sinais de pontuação e pela intervenção do narrador, que usa os chamados verbos "de dizer", como têm aparecido ultimamente, e expressões do tipo: interpelou, resmungou, respondeu distraidamente. O travessão substitui os nomes dos personagens.   

 http://www.klickeducacao.com.br/materia/21/display/0,5912,POR-21-101-840-,00.html    

Avaliação

A avaliação é processual e contínua, devendo ser realizada oral e coletivamente, enfocando a dinâmica do grupo, identificando avanços e dificuldades. O desempenho dos alunos durante a aula, a realização das tarefas de leitura dos textos e preenchimento das lacunas com palavras faltosas, a discussão do significado das palavras desconhecidas e discussão das questões apresentadas pelo educador, somadas às  intervenções do professor, a auto-avaliação do professor e do aluno serão elementos essenciais para verificar se as competências previstas para a aula foram ou não desenvolvidas pelos alunos.

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