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O Humanismo Português

 

07/10/2010

Autor e Coautor(es)
MARTA PONTES PINTO
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UBERLANDIA - MG ESC DE EDUCACAO BASICA

Eliana Dias

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Médio Literatura Estudos literários: análise e reflexão
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
  • Interpretar o Humanismo português do século XIV, a partir da análise de um poema moderno de Fernando Pessoa;
  • identificar a produção literária do período;
  • identificar na poesia palaciana: características, aspectos formais e temáticos;
  • discutir informações sobre o teatro popular;
  • analisar fragmento de um auto de Gil Vicente.
  • compartilhar conhecimentos.
Duração das atividades
04 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
  • Habilidades básicas de leitura e escrita;
  • conhecimento histórico sobre o período;
  • literatura como uma manifestação artística do ser humano;
  • aspectos formais e temáticos em textos literários.  
Estratégias e recursos da aula
  • Utilização do laboratório de informática.
  • Leituras, exercícios e pesquisa em grupo.

Atividade 1

Professor, converse com seus alunos sobre a importância dos textos escritos por poetas, escritores e dramaturgos para conhecimento do passado. Convide-os ao laboratório de informática para lerem o poema de Fernando Pessoa "Mar português". Explicar aos alunos que, ao acessarem a página, deverão marcar a letra M (poema X) para encontrarem o texto. Depois de feita a leitura, e de posse do roteiro, farão a atividade em grupos de dois elementos.

http://www.revista.agulha.nom.br/pessoa.html  

Imagem disponível em: http://images.google.com/images?hl=pt-BR&tbs=isch%3A1&sa=1&q=fernando+pessoa&aq=0&aqi=g10&aql=&oq=Fernando+Pessoa&gs_rfai= 

Mar português

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena?Tudo vale a pena,

Se não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu

Mas nele é que espelhou o céu.

  • Professor, transcrevemos o texto como uma segunda opção para seu trabalho. Este texto faz parte da coletânea escrita entre 1913 e 1934, data da sua publicação. Estimule os alunos a observarem a matriz épica, o tom de exaltação heróica que percorre esta obra; a evocação dos perigos e dos desastres bem como a matéria histórica no esforço heróico na luta contra o mar e a ânsia do desconhecido.

Depois de lido e explorado o poema, os alunos deverão responder às seguintes questões em seu caderno:

1- O que justifica tanta dor que o mar causa? A ambição, a vontade de ir além.

2- Em termos formais como o poema é constituído? É constituído por duas estrofes, de seis versos (sextilhas). Quanto ao metro os versos são irregulares. Os versos são decassilábicos, octossílabos. Predomina o ritmo binário, ritmo largo, adequado, é meditação lírica, embora sobre um tema épico. A rima é emparelhada, segundo o esquema aabbcc. As palavras que rimam são, na sua maioria, palavras importantes no universo do poema (sal, Portugal, choraram, rezaram, Bojador, dor, céu, realçando a sua expressividade em conjugação com a posição final de verso ocupada.

3- Qual o tema da poesia? O tema é a apresentação dos perigos e das glórias que o mar comporta ao povo português. Este tema desenvolve-se em duas partes.A primeira parte é constituída pela primeira estrofe, onde o sujeito poético apresenta uma realidade épica – é a síntese da história de um povo e dos sacrifícios que suportou para poder conquistar o mar; a segunda estrofe é de carácter mais reflexivo, fazendo o sujeito poético um balanço dos referidos sacrifícios. A conclusão é que valeu a pena, pois em resultado desse sofrimento o povo português conquistou o absoluto.

4- A primeira parte inicia-se com uma apóstrofe ao mar. Qual a intensão do autor? Tentar comovê-lo.

5- O poeta adjetiva o mar como salgado e faz uma metáfora. Explique-a. O sofrimento causado pelo mar no povo português, as lágrimas também são salgadas.

6-  “ Por te cruzarmos”, apontando para a cruz símbolo de sofrimento. Os verbos choraram, rezaram, e ficaram por casar ainda por cima reforçado pela expressão “em vão” denotam a dor, o sofrimento e o choro aflito provocados pela destruição do amor maternal, filial e de namorados. Tudo isto porque almejamos a posse do mar “ para que fosses nosso, ó mar!”Qual a justificativa para tanta dor?

7- Bojador é o nome de um cabo localizado na costa leste da Áfricae era, até meados do século XV, o ponto extremo sul conhecido do território africano. Na frase “ Quem quer passar além do Bojador / tem que passar além da dor”.Que metáfora esta frase encerra? Deve entender-se Bojador na sua dimensão simbólica, de ultrapassar o medo, ultrapassar o desconhecido, conseguir a glória e a heroicidade desejada. Não obstante é necessário ultrapassar também em primeiro lugar a dor.

8-Ao longo do poema predominam o tempo verbal no  ___________ para evocar acontecimentos passados trágicos e o ___________ que situa o sujeito poético num tempo presente, considerando os valores morais fundamentais à construção de heróis, bravura, tenacidade e desejo de vencer. (passado, e depois, presente)

  • Professor, embora desnecessárias, as respostas em vermelho objetivam ajudá-lo.

Atividade 2

Professor, leve seus alunos à sala de informática para que acessem o site:

http://www.profabeatriz.hpg.ig.com.br/literatura/humanismo.htm 

Neste site, os alunos se informarão sobre o Humanismo e suas características, o contexto histórico, a prosa doutrinária, a poesia palaciana e sobre alguns autores. Para tanto, entregue a eles cópia do roteiro abaixo que os orientará em sua pesquisa.

Roteiro:

1- O que vocês entenderam por Humanismo, quando ele se deu, e as produções literárias do período.

2- A literatura e o contexto histórico muitas vezes se refetem. Como estava o mundo à epoca do Humanismo?

3- Digam o que se pode entender por prosa doutrinária e  poesia palaciana.

4- O que é a coita amorosa?

  • Professor, há vários textos sugeridos em recursos complementares que poderão ajudá-lo a entender melhor o período. Informe-se e ao fazer correção do roteiro não deixe de explorar todos os aspectos. Lembre-se sempre de que a literatura de hoje é o crescendo do passado.  

         

http://www.google.es/imgres?imgurl=http://fotos.sapo.pt/tiagoofy/pic/00008ty5&imgrefurl=http://bianenses.blogs.sapo.pt/1529.html&h=211&w=150&sz=31&tbnid=Rqt5IuVP9TMu9M:&tbnh=106&tbnw=75&prev=/images%3Fq%3Dgil%2Bvicente&zoom=1&q=gil+vicente&hl=pt-BR&usg=__UHjqY04f1tVlqCDGGf9Cy80vTvc=&sa=X&ei=hmKrTPXKCIG88gajv9GdCA&ved=0CEIQ9QEwCQ 

http://www.google.es/imgres?imgurl=http://www.passeiweb.com/saiba_mais/biografias/f/imagens/fernao_lopes.jpg&imgrefurl=http://www.passeiweb.com/saiba_mais/biografias/f/fernao_lopes&h=195&w=150&sz=7&tbnid=u3dUJE55jcct7M:&tbnh=104&tbnw=80&prev=/images%3Fq%3Dfern%25C3%25A3o%2Blopes&zoom=1&q=fern%C3%A3o+lopes&hl=pt-BR&usg=__knr_slRkkUcMkDu6a9gE8moOXek=&sa=X&ei=u2SrTIHkKoP78Ab1w8XUBw&ved=0CCMQ9QEwBA

Atividade 3   

Esta atividade propõe que os alunos façam a leitura de um dos textos mais interessantes do Humanismo: Auto da Lusitânia

Os alunos lerão os comentários sobre a peça Auto da Lusitânia e, em seguida, um fragmento denominado "Todo Mundo e Ninguém".

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/a/auto_da_lusitania 

O professor deverá solicitar aos estudantes que façam a leitura do texto em grupos de quatro alunos, uma vez que quatro são os personagens da peça: NINGUÉM, TODO O MUNDO, DINATO, BELZEBU. É um texto curto, de fácil compreensão e interessante.

  • Explicar aos alunos que é a história de um rico mercador, chamado "Todo o Mundo" e um homem pobre cujo nome é "Ninguém", encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demônios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens. Representada pela primeira vez em 1532, como parte de uma peça maior, chamada Auto da Lusitânia (no século XVI, chama-se auto ao drama ou comédia teatral), a obra é de autoria do criador do teatro português, Gil Vicente.

Todo mundo e ninguém

Personagens: Todo o Mundo, Ninguém, Dinato e Belzebu

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre.

Este se chama Ninguém e diz:

- Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:                         

delas não posso achar, porém ando porfiando por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência: Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos acude: escreve logo aí, a fundo, que busca honra Todo o Mundo e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse  tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse  em cada cousa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado, e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Muito garrida: Todo o Mundo busca a vida e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,  sem mo Ninguém estorvar.

Ninguém: E eu ponho-me a pagar  quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve  que Todo o Mundo quer paraíso e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar, e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,  não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso, e Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado, não te fique no tinteiro: Todo o Mundo é lisonjeiro, e Ninguém desenganado.

Professor, peça  aos alunos que se coloquem à frente da sala fazer a leitura depois de breve ensaio. Logo após a apresentação, procure discutir com os alunos (oralmente) sobre os sentidos do texto. Se quiser, siga o roteiro abaixo para orientar a discussão.

  • Vocês percebem efeito cômico nas sucessivas falas dos personagens?
  • Vocês concordam que Todo Mundo representa o rico mercador e Ninguém, o pobre, o modesto? O que pode comprovar isso?
  • O que será que Todo Mundo perdeu?
  • E o Belzebu. Quem ele representa? Como ele termina o diálogo? Por quê?

Professor, finalize a aula estimulando os alunos a enriquecerem seus conhecimentos sobre o assunto lendo mais nos sites indicados em Recursos complementares.

Recursos Complementares

Professor, os links a seguir enriquecerão as suas aulas e o conhecimento dos alunos:

http://educacao.uol.com.br/literatura/ult1706u56.jhtm 

http://www.infoescola.com/literatura/humanismo/ 

Avaliação

Professor, é importante que seja observada e avaliada a competência dos alunos nos seguintes aspectos:   

  • de produção escrita, bem como sua interação com o grupo e contribuição em relação à aula;  
  • do planejamento de ações durante a elaboração textual;  
  • em reconhecer a diferenciação (aspecto formal e conceitual dos textos) entre distintas propostas textuais; 
  • de fazer inferências pertinentes ao texto.
Opinião de quem acessou

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Opiniões

  • Plínio, colégio GEO , Paraíba - disse:
    pliniorogenes@yahoo.com.br

    11/05/2011

    Três estrelas

    Acho que apesar de serem quatro aulas, ainda há um pouco de desorganização na sequência do trabalho. A discussão do poema de Fernando Pessoa parece ser mais útil pra uma aula sobre o classicismo, pois a temática das grandes navegações não é abordada no humanismo. Então acho que a aula poderia ser revisada em benefício de um aprofundamento na questão da transição de ideologia e formas culturais da Idade média para o Renascimento.


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