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LIBERDADE E ÉTICA: UMA RELAÇÃO POSSÍVEL?

 

05/10/2010

Autor e Coautor(es)

Fátima Rezende Naves Dias, Liliane dos Guimarães Alvim Nunes, Lucianna Ribeiro de Lima.

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Ética Diálogo
Ensino Fundamental Inicial Ética Respeito mútuo
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Conceituar liberdade e estabelecer relação com a ética.

Compreender e discutir o significado de ser livre em diferentes situações sociais.     

Elencar situações do cotidiano escolar em que liberdade e ética se fazem presentes.

Duração das atividades
Três aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

É facilitador para o desenvolvimento da aula que os alunos conheçam o conceito de ética e que tenham noções básicas de leitura, interpretação e escrita.

Estratégias e recursos da aula

Introdução: Palavras iniciais para o professor   

Há diversos significados atribuídos à liberdade, uns distintos dos outros, o que abre várias possibilidades de reflexão. A liberdade pode ser compreendida como algo bom, desejável, uma conquista de independência de todo ser humano; como ausência de submissão, de amarras, de leis. Já o conceito de ética nos remete aos princípios que regem a conduta humana do ponto de vista do bem e do mal e, portanto, é um constructo cultural. Nesse sentido, entendemos que ética e liberdade se complementam e são interdependentes. Todas as pessoas têm o direito e o dever de ser livres, agindo de forma responsável nas diferentes situações sociais. A questão central é buscar e vivenciar a liberdade respeitando a si mesmo, ao outro e aos valores sociais presentes em uma determinada cultura, num dado momento histórico.     

Atividade 1:

Para o desenvolvimento da atividade, seria interessante contar com a participação dos professores de Língua Portuguesa, Educação Artística/Música e História que poderão relacionar o tema aos conteúdos curriculares.   

Alunos organizados em semicírculo. Sugerimos que, para iniciar o assunto, o professor pergunte aos alunos: Para vocês, o que é liberdade? Registre na lousa as ideias trazidas pela turma (Professor, é comum os alunos associarem a ideia de liberdade a: “não depender dos outros”; “voar para bem longe onde não exista ninguém para te proibir de viver, de fazer o que se quer, na hora que bem entender”; “estar alegre, solto, livre de qualquer coisa que o prenda”; “acreditar em seus sonhos, em si mesmo”; “ter o direito de expressar o que pensa e de fazer escolhas”; “sair da ‘aba’ da mãe para ficar livre”; “é como um pássaro que quando fica preso, fica bicando sua alma até ser solto”, dentre outras. Estes conceitos relativos à liberdade foram produzidos nas aulas de Filosofia por alunos de 3º e 4º anos do Ensino Fundamental da Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia).

Em seguida, a fim de “desequilibrar” as opiniões dos alunos sobre o que entendem por liberdade, apresente a frase abaixo para que a turma expresse o que pensa acerca dela:   “A liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro”.   

Prosseguindo, distribua a cada aluno uma cópia do conto Liberdade do livro de contos “Escolha o seu sonho” de Cecília Meireles para que acompanhe a narração do texto, por meio da Rádio Poeta, acessando o sítio http://radiopoeta.wordpress.com/2007/10/12/liberdade-cecilia-meireles/   

LIBERDADE                     

                  Cecília Meireles

“Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade!”. Nossos avós cantaram: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”; nossos pais pediam: “Liberdade! Liberdade! – abre as asas sobre nós”, e nós recordamos todos os dias que “o sol da liberdade em raios fúlgidos – brilhou no céu da Pátria…” – em certo instante.

Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito.

Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…).

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!…) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!…

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!… São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”   

Após ouvir a narração, o professor abre espaço para uma reflexão crítica sobre os aspectos abordados no conto, podendo destacar alguns deles: renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; liberdade como o maior bem do mundo; liberdade em oposição à escravidão; liberdade implica em responsabilidade; liberdade é não estar acorrentado; liberdade consiste em assumir as consequências das escolhas feitas.   

Dando continuidade, exiba para os alunos o vídeo Fernão Capelo Gaivota, disponível no link http://www.youtube.com/watch?v=WKi6kQbsD0g   

    

Após a apresentação do vídeo, estimule os alunos a expressar os sentimentos, as percepções e a compreensão acerca do que viram. Na sequência, solicite que relacionem o que foi visto e informado por meio do vídeo com o conto de Cecília Meireles, as discussões realizadas e os conceitos de liberdade trazidos pelos alunos. Neste momento os professores das várias áreas de conhecimento poderão contribuir reafirmando os vários sentidos atribuídos à palavra liberdade e suas relações com a ética (Professor, ao buscar as relações possíveis entre ética e liberdade, considere que como seres humanos, podemos inventar e escolher, em parte, nossa forma de vida; podemos também optar por aquilo que nos parece bom, desejável, em oposição ao que nos parece mau e indesejável. Desse modo, é importante ter prudência e atenção em relação à nossa forma de agir, procurando fazer escolhas de forma acertada, o que implica num saber viver ético).   

Em seguida, os alunos organizados em grupos deverão fazer uma representação artística do que foi discutido e compreendido por eles em relação à liberdade. Logo após, cada grupo deverá socializar a sua produção, abrindo espaço para que os colegas façam comentários sobre o que viram e ouviram dos grupos.

Atividade 2:   

Inicie a atividade convidando os alunos para assistir ao vídeo Clipe Liberdade, editado no link http://www.youtube.com/watch?v=pXXJRDTTG2k&feature=related    

   

Em seguida, o professor solicita aos alunos que identifiquem e comentem as várias situações de liberdade apresentadas no vídeo.

Aproveite este momento para trazer algumas ideias esclarecedoras a respeito da liberdade:

. Não somos livres para escolher o que nos acontece (termos nascido em determinado dia, de determinados pais, num determinado país, termos recebido um nome, sermos feios ou bonitos dentre outros), mas livres para responder ao que nos acontece de um ou outro modo (obedecer ou nos rebelar, ser prudentes ou ousados, vingativos ou resignados, vestirmos na moda ou não, defender algo ou fugir, etc.).

. Sermos livres para tentar algo não significa consegui-lo infalivelmente. A liberdade (que consiste em escolher dentro do possível) não é o mesmo que a onipotência (que seria conseguir sempre o que se quer, mesmo parecendo impossível). Há coisas que dependem da nossa vontade (e isso é ser livre), mas nem tudo depende da nossa vontade (senão seríamos onipotentes), pois no mundo há muitas outras vontades e necessidades que não controlamos conforme nosso gosto.

. Existem muitas forças que limitam nossa liberdade (catástrofes, doenças, tiranias de algumas pessoas...).

. Optar livremente por certas coisas em determinadas circunstâncias é muito difícil e que é melhor dizer que não há liberdade para não reconhecermos que preferimos livremente o mais fácil.   

Referência bibliográfica: SAVATER, Fernando. Ética para meu filho. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Na sequência, em duplas, os alunos deverão listar algumas atividades realizadas por eles, em diversos espaços sociais, como por exemplo: em casa, na escola, na casa de amigos, no clube, na rua, no shopping, na lanchonete, no supermercado, dentre outros.

A seguir, a dupla fará uma análise de como tem vivenciado/exercido a liberdade ao realizar as atividades em diferentes contextos sociais, registrando-a no caderno. Com base na análise feita, a dupla deverá agrupar as atividades, separando aquelas em que agiram de forma mais livre, ousada e criativa, das que sentiram a liberdade mais cerceada, limitada, controlada, atribuindo uma cor a cada grupo de atividades, de forma a representar os sentimentos vivenciados nestas situações.

Posteriormente, com os alunos em círculo, cada dupla socializa a sua produção com os colegas. Neste momento, promova uma conversa com a turma sobre o significado de ser livre em diferentes situações sociais.   

Logo após, solicite aos alunos que voltem à atenção para as situações vividas no contexto escolar listadas e analisadas por eles, observando os pontos em comum em relação aos vários sentidos dados à liberdade e as cores escolhidas para representá-las.   

Prosseguindo, os alunos deverão construir uma imagem que represente para o grupo, o “ser livre” no contexto escolar. Disponibilize para esta atividade, papéis diversos, tintas de cores variadas, lápis de cera, canetas hidrocor, revistas, tesouras, cola e outros. A produção da turma poderá ser afixada no mural da escola.

Atividade 3:   

Para iniciar a atividade, apresente aos alunos a imagem abaixo e peça que eles falem livremente sobre o que ela tem a ver com a ideia de liberdade.

Fonte: http://catracalivre.uol.com.br/wp-content/uploads/2008/11/pipas.jpg 

Após ouvir os alunos, proponha uma oficina de construção de pipas/papagaios, podendo contar com a colaboração dos professores de Educação Artística e Matemática.   

Para saber mais sobre como fazer uma pipa, consulte os links sugeridos abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=prdQIrLcGuk   Como se faz pipas!!

http://www.youtube.com/watch?v=_2FqfY_X3tU&feature=related   Eu vou mostrar para a moçada como se faz pipa.

Nesta oportunidade, os pais dos alunos poderão ser convidados a participar, juntamente com os filhos, da confecção e do momento de soltar as pipas em locais previamente determinados. Os materiais necessários para a construção das pipas poderão ser trazidos de casa e também fornecidos pela escola. Na decoração das pipas, os alunos poderão utilizar cores, palavras, símbolos e imagens associadas à idéia de liberdade.   

Os professores e alunos poderão sugerir a realização, na escola, de um Festival de Pipas: “Um vôo para a liberdade”, envolvendo a comunidade escolar.

Recursos Complementares

Professor, como recurso complementar para esta aula, sugerimos abaixo alguns sítios de informações/vídeos sobre o assunto, para seu conhecimento:  

http://tvmuniz.blogspot.com/2008/04/tica-e-liberdade.html    Ética e Liberdade

http://www.existencialismo.org.br/jornalexistencial/doraliberdad.htm   Liberdade: uma conquista do homem

http://www.youtube.com/watch?v=a0lO1NyqLxw&feature=related   FESTIVAL DE PIPAS NO CERET 16/12/2007

Também sugerimos alguns links que poderão ser utilizados com os alunos durante o desenvolvimento da aula:  

http://bancodepoesiastc.pbworks.com/O-Patinho-que-n%C3%A3o-Aprendeu-a-Voar   História: O patinho que não aprendeu a voar – Rubem Alves  

http://www.youtube.com/watch?v=VAH8mtQzQNs&feature=related   O que é liberdade?   

http://letras.terra.com.br/daniela-mercury/266229/ vídeo letra e música   Sol da Liberdade - Daniela Mercury  

http://letras.terra.com.br/charlie-brown-jr/827357/ vídeo letra e música   Liberdade pra dentro da cabeça - Charlie Brown Jr.

Avaliação

A avaliação deverá ser contínua, processual e diagnóstica durante todo o desenvolvimento da aula: acompanhar e avaliar os alunos nas diferentes etapas do processo de aprendizagem, compreender as estratégias utilizadas por eles na construção do conhecimento e organizar formas de intervenção adequadas às reais necessidades dos alunos e que possibilitem avanços cognitivos.   

Auto-avaliação dos alunos (oral ou por escrito): Participação individual e grupal nos momentos da aula propostos pelo professor.      

Avaliação dos alunos pelo professor: Respeito aos momentos de fala e de escuta e às opiniões dos colegas. Envolvimento e participação dos alunos nas atividades propostas. Avaliar se os alunos foram capazes de expressar o que entendem por liberdade, estabelecendo relações com a ética; discutir o significado de ser livre em diferentes situações sociais; identificar situações e fazer análise de como tem vivenciado/exercido a liberdade ao realizar as atividades em diferentes contextos sociais; participar da oficina de construção de pipas de forma criativa, da organização e realização do Festival de Pipas na escola.

Opinião de quem acessou

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Opiniões

  • alfredinho helio sperandio, E.M.E.F. NELSO ALQUIERI , Rondônia - disse:
    alfredinhohelio@hotmail.com

    30/03/2011

    Cinco estrelas

    adorei seu plano de aula sobre o ensino de etica moral e civismo, parabéns. acho que vou usá-lo no 5º ano, obrigado


  • Nanci Hessel van Melis, Escola Campos de Holambra , São Paulo - disse:
    hesselmelis@uol.com.br

    05/02/2011

    Cinco estrelas

    Parabéns pela aula planejada sobre ética e liberdade. Achei excelente! Vocês conseguiram contextualizar tudo, propondo diferentes atividades e estratégias de trabalho, além do mais importante, tornar o conteúdo prazeroso aos alunos. Quem não gostaria de assistir vídeos e clipes como atividade de conteúdo escolar, nas aulas? Produzir pipas, não pelo ato de produção apenas, mas para aprender a aprender, aprender a fazer! Nenhum aluno deixaria de aprender "algo" com um professor assim. Adorei!


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