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As diferentes maneiras dos Homens controlarem o tempo: tempo da natureza, tempo do relógio.

 

10/02/2011

Autor e Coautor(es)
ANA FLÁVIA RIBEIRO SANTANA
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UBERLANDIA - MG ESC DE EDUCACAO BASICA

Aléxia Pádua Franco

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Educação de Jovens e Adultos - 1º ciclo Estudo da Sociedade e da Natureza Atividades produtivas e as relações sociais
Ensino Fundamental Inicial História Ritmos de tempo
Ensino Fundamental Inicial História Organização histórica e temporal
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

- Compreender as diferentes maneiras utilizadas pelos Homens para contar e controlar a passagem do tempo.

- Relacionar as diferentes maneiras dos Homens contarem o tempo com o contexto socioeconômico e cultural em que cada maneira era utilizada.

- Compreender que o homem criou os instrumentos de medidas de tempo para organizar suas atividades diárias.

Duração das atividades
03 aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Não são necessários conhecimentos prévios para o desenvolvimento desta aula.

Estratégias e recursos da aula

Atividade 1 – Possibilidades de controle do tempo.

Pergunte aos seus alunos: quais instrumentos usamos para realizar a contagem do tempo, marcar nossos compromissos, os dias de nossas avaliações, do início das férias, o horário do recreio?

As respostas, provavelmente, apontarão relógios e calendários como objetos privilegiados. Reflita com os alunos que, embora esses instrumentos, nos dias de hoje,  sejam os mais conhecidos, difundidos e precisos, ao longo da história existiram outras possibilidades de contar o tempo afinadas com os vários conhecimentos e necessidades de sobrevivência dos homens e mulheres de outras épocas e lugares.

estaçõeshttp://grupogapos.blogspot.com/2010/12/novidade-primavera-verao-outono-e.html

Na imagem é possível perceber a mudança do tempo a partir das modificações naturais, no caso, a mudança das estações.

 

relógiohttp://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/14321/imagens/relogio1.jpg

Na imagem acima um relógio, o meio mais usual pelo qual os homens, na atualidade, fazem o controle do tempo.

 

Convide os alunos a conhecer uma destas diferentes maneiras de contar o tempo, através  do curta-metragem “O sogro e a candeia”, exibindo-o aos alunos. É possível acessá-lo em uma conta do youtube, no link http://www.youtube.com/watch?v=ZJQ8sESogNM

Professor: Este filme foi produzido por alunos do ensino fundamental durante oficina de produção audiovisual realizada pelo Museu Municipal de Uberlândia, ministrada por Marcelo Branco da produtora F7.

Sinopse: Na Uberlândia de 1910, um jovem vai até o pai de sua namorada para pedir-lhe autorização para namorá-la em sua casa. O sogro concorda, mas impõe uma restrição: ele só poderia permanecer em sua residência se acompanhado do genro e durante um período de tempo, a ser controlado pela queima do óleo da candeia utilizada na iluminação.

Após a mostra do filme, interrogue os alunos acerca do que perceberam de elementos referentes a contagem e controle tempo no curta-metragem.

- Eles conseguiram perceber que a candeia foi utilizada como instrumento de medida do tempo?

- Que o tempo não era controlado pelo relógio?

Se os alunos não conseguiram perceber estas questões, passe o curta novamente e vá parando nas partes que elas ficarem mais evidentes, discutindo-as. 

Em seguida pergunte:

- Para que serve a candeia?

- É um instrumento concebido para a contagem do tempo?

- Por que será que o sogro usou a candeia para controlar o tempo?

Professor: será necessário traçar um breve histórico deste instrumento de iluminação, pois os alunos certamente não o conhecem.

Fale aos alunos que o que puderam acompanhar no filme foi apenas uma possibilidade pensada pelo homem para controlar o tempo e pensar formas de organizar sua vida a partir dele. Mas existiram e existam várias outras.

Atividade 2 – O tempo da natureza e o tempo do relógio.

Professor, leve revistas para a sala e peça aos alunos que encontrem figuras que apontem a passagem do tempo. Assinale algumas possibilidades para que compreendam o que devem procurar: uma foto ao dia e outra a noite, um sol e uma lua, de uma árvore no outono e outra na primavera, de instrumentos que fazem a contagem do tempo etc. Eles deverão colar as figuras em seus cadernos. Peça que falem rapidamente sobre o as imagens que escolheram (cada aluno deverá obter ao menos duas), apontando porque nelas é perceptível a passagem do tempo. No caso de instrumentos que podem ser utilizados na contagem do tempo (como a candeia, na atividade anterior) pergunte se sabem sobre seu funcionamento, quando foi mais utilizado, que grupo social mais o usou e por que. Vá anotando no quadro as idéias centrais e peça aos alunos que também anotem em seus cadernos. Para estabelecer relação com a atividade proposta para essa aula, pergunte:

- Quais as primeiras experiências do homem com a idéia de tempo?

- Como o homem percebeu a passagem do tempo?

- Por que os homens sentiram necessidade de contar o tempo?

Professor, mostre aos alunos que a noção do tempo foi formulada com a percepção de sucessão de momentos, que a consciência da existência de momentos distintos era imprescindível para a vida dos homens: era preciso elaborar um saber para acompanhar os momentos de plantio e de colheita, de trabalho e de descanso, de tempo de cozimento do arroz etc.

Para os alunos acompanharem o movimento histórico que convencionou idéias de tempo, mostre a eles aspectos relacionados ao tempo da natureza e ao tempo do relógio.

É possível fazer isso a partir de alguns ditos populares, como aquele que diz “Nada como um dia após o outro dia”. Apresente-o ao aluno e pergunte:

- Qual a noção de tempo por traz deste ditado popular?

- Tempo da natureza ou tempo do relógio?

Mostre aos alunos que as primeiras experiências temporais da qual o homem tomou consciência estão relacionadas com os ritmos da natureza, pelos quais experimentava algumas diferenças cotidianas, a mais marcante entre dia e noite.

A vivência do homem e sua relação com a natureza (com o modo como as forças naturais regulavam sua vida) os fez adotar, como marco de fracionamento de suas atividades, o tempo da natureza. O historiador Lucien Febvre, ao estudar o mundo camponês do século XVI na França, mostra bem isso. Naquele momento, o tempo de algum acontecimento era referenciado como “por volta do sol levante” ou “por volta do sol poente” (O homem do século XVI. Revista de História, n. 1, São Paulo, USP, 1950). Durante a Idade Média (professor: destaque e defina junto aos alunos o que se compreende como mundo medieval, o qual foi delimitado por historiadores a partir de acontecimentos políticos, e compreende o período entre o fim do Império Romano, no século V, e a queda de Constantinopla e a "descoberta" da América, no século XV), quando o acesso aos instrumentos de contagem do tempo, como relógios, era dificultoso, as pessoas se valiam de diferentes táticas para tentar medir o tempo gasto: dizia-se que para ir ao bosque e voltar demorava o tempo de cozimento do arroz ou, quando uma pessoa se ausentava momentaneamente explicava-se que estaria de volta no prazo de uma "mijada", ainda que não fosse urinar. Com isso, é possível entender que embora as modalidades de referência temporal fossem relativas e muito variáveis, eram frequentemente utilizadas. No caso da animação "O sogro e a candeia" (proposta para exibição na atividade 1), o personagem que representa o sogro em vez de dizer que o namorado de sua filha poderia permanecer em sua casa por 40 minutos (tempo do relógio), optou por controlar o tempo de sua permanência pela queima do óleo de mamona utilizado na candeia.

Ressalte aos alunos que isso acontecia porque historicamente os homens criaram técnicas e tecnologias para a organização de sua vida e da sua comunidade, em tentativas de racionalização das relações e das atividades por eles desenvolvidas. Destaque que as necessidades de dividir as tarefas e programar sua execução dentro de dado tempo, a dosagem de maneira apropriada da dedicação ao lar, ao trabalho no campo e à religião os levou a refinar os conhecimentos sobre o tempo e elaborar técnicas/tecnologias para isso. Cada cultura e época têm o seu meio mais usual para medir o tempo.

Apresente outra expressão aos alunos: “Tempo é dinheiro”.

- Esta expressão está afinada com que noção de tempo?

- Da natureza ou do relógio?

Trata-se de um ditado contemporâneo, em que as relações não mais se regulam apenas pela natureza, pelo nascer ou pôr do sol, mas pelo momento regulado pelo relógio. Sob o uso predominante do tempo do relógio não são mais as restrições postas pela natureza que vão regular o tempo, mas as exigências de um novo modo de vida marcado, sobretudo, pelo assalariamento do trabalhador e pela jornada de trabalho afixada em horas. Essa nova realidade social e o avanço nos conhecimentos sobre os ritmos da natureza e seu fracionamento por instrumentos criados pelo homem é traduzido em uma adoção dos relógios – que passariam a regular as atividades dos homens e hoje é considerado elemento fundamental na organização das rotinas diárias.

 

Atividade 3 - Tempos da natureza e do relógio na vida cotidiana.

Diga aos alunos que o propósito da aula é mostrar a relação homem/tempo. Ressalte que independente do método utilizado para medir o tempo, a intenção conservou-se a mesma: organizar a rotina da casa, os momentos dedicados a cada atividade etc.

Em seguida, proponha que façam uma linha do tempo em que organizem suas atividades do dia a dia pelo tempo da natureza (dividindo o dia em partes – manhã, tarde e noite) e outra em que as dividam pelo tempo do relógio (horas). Solicite que detalhem o momento em que acordam, o do café da manhã, do almoço, de ir para a escola, o retorno etc. até o momento em que se deitam para dormir. Com esse exercício, mostre aos alunos como é possível organizar suas atividades a partir de diferentes noções de tempo. Possibilidade interpretativa: um aluno pode apresentar uma atividade que ele faz durante todo um período (estudar na escola de manhã – tempo da natureza), mas pontuar que às 9:30 (tempo do relógio) ele lancha, vai ao banheiro e brinca com os colegas.

Recursos Complementares

Seguem abaixo alguns recursos que podem ser utilizados como ponto de partida para as reflexões propostas, servindo de âncora para as discussões educativas no âmbito escolar. A partir desses documentos é possível, sobretudo, mergulhar nos aspectos subjetivos que colocam em sintonia expressões humanas e a questão do tempo: o que se vai, o que muda, o saudosismo do passado, a esperança/temor do futuro que faz com que os homens dialoguem constantemente com a idéia de tempo, seja para marcar o movimento inerente dos processos históricos seja para qualificá-los/desqualificá-los. Em todos os casos, é preciso que o professor analise previamente as sugestões para pensar sua adequação às questões cognitivas, psicossocial e afetiva de seus alunos.

“O tempo se revela acima de tudo na natureza: no movimento do sol e das estrelas, [...] das estações do ano. Tudo isso é relacionado aos movimentos que lhe correspondem na vida do homem”. BAKHTIN, Mikail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 243.

“temos os sinais visíveis [...] do tempo histórico [...], as marcas visíveis da atividade criadora do homem, as marcas impressas por sua mão e por seu espírito: cidades, ruas, casas, obras de arte e de técnica, estrutura social”. BAKHTIN, Mikail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 243.

O professor poderá realizar uma problematização acerca da noção de tempo partindo do seguinte fragmento do pensador Santo Agostinho: "O que é o tempo? Se ninguém pergunta isso, eu não me pergunto, eu o sei; mas se alguém me pergunta e eu quero explicar, eu não sei mais." Santo Agostinho apud DOSSE, François. A história. Bauru: Edusc, 2003. A passagem aponta para a naturalização da idéia de tempo, com a qual os homens convivem diariamente - tendo uma consciência prática de seu uso e existência - mas têm dificuldade de enunciar. De que advém essa dificuldade? Da não mensuração universal do tempo? Daquilo que passa, que é fugaz, mas que pode ser contabilizado por diversas medidas? Qual a relação do homem com a noção/idéia de tempo?

Professor, na atividade 2 é possível um diálogo com a disciplina Ciências e/ou Geografia, o que pode ser feito a partir do vídeo “Kika – de onde vem o dia e a noite”, disponível em http://www.youtube.com/watch?v=QrRDgr7rs74 e, também, a partir do livro “João Feijão”, de Sylvia Orthof, em que uma semente quer germinar e crescer. Acompanhando sua trajetória, os ciclos da natureza são apresentados para a criança com fantasia e bom humor.

Barão Vermelho. "O tempo não pára". (Balada MTV). Disponível em: http://www.4shared.com/audio/TdqmKQ8M/Baro_Vermelho - O_Tempo_no_Par.htm

Cazuza. "O tempo não pára".Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=7AkEQM9AdEY

Racionais Mcs. "Tempos difíceis". Vídeo disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=mph5f51A0c8        

Avaliação

É importante que a avaliação da aprendizagem ocorra durante todo o processo de ensino, abrangendo as discussões, as participações e as resoluções das atividades propostas. Por meio de cada etapa o professor poderá aferir se seus alunos conseguem visualizar e compreender a relação do homem com a passagem/contagem do tempo e como essa prática organizou e organiza a vida nas sociedades.

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