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Nossa cidade em “causos e notícias”

 

26/11/2010

Autor e Coautor(es)
Fernanda Maurício Simões
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Clenice Griffo

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Concepção de texto
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Gêneros de texto
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Ao final dessas atividades, esperamos que o aluno:

  • Identifique e compare as características dos gêneros textuais: “causo” e “notícia”;
  • Elabore “causos” e “notícias” observando a estrutura desses gêneros textuais e seus objetivos;
Duração das atividades
As atividades terão duração de 05 a 06 aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Essa sequência didática é indicada para as crianças que dominam o sistema alfabético. Esse aprendizado ocorre quando o aluno compreende que cada letra (grafema), geralmente, é representada por um som (fonema) e, por isso, já é capaz de ler e de escrever de forma mais autônoma.

Estratégias e recursos da aula

Sugerimos a participação de três turmas de alfabetização nesta sequência didática. Elas irão elaborar causos e notícias da cidade e organizá-los em murais que serão fixados em vários locais da escola.

Atividade 1: O que é um causo? O que é uma notícia?

Objetivos: Ler e compreender um causo e uma notícia, analisando as características desses textos.   

1.1 Explorando os conhecimentos dos aprendizes   

Escreva no quadro as palavras causos e notícias e pergunte aos alunos o significado de cada uma. Você pode orientar a discussão pelas seguintes questões:  

  • Vocês já ouviram causos (histórias) de avós ou outros parentes? Como foi?
  • Esses causos são semelhantes às notícias que ouvimos nos noticiários de TV? Por quê?
  • Vocês ouviram alguma notícia recentemente?
  • Qualquer um pode fazer uma notícia? E um causo?
  • Os jornalistas precisam provar que a notícia que escrevem realmente aconteceu. O mesmo ocorre com os causos que contamos?

Registre as conclusões dos aprendizes no quadro e em seu caderno pessoal. Elas serão usadas na intervenção seguinte. Abaixo, um exemplo:

CAUSO

NOTÍCIA

É contado por nossos avós, pais e amigos.

É transmitida pelos jornais falados e escritos.

Não precisa comprovar se a história é verdadeira.

É preciso provar que o fato realmente ocorreu.

1.2  Conhecendo um causo e uma notícia.   

Explique aos aprendizes que você irá ler dois textos e eles terão que identificar qual deles é a notícia e qual é o causo. Os alunos deverão ter os textos em mãos. Sugerimos os seguintes:   

CAUSO:   

AS APARÊNCIAS ENGANAM     

Seu nome era Felisberto. Apenas Felisberto. De onde veio ninguém sabia. Aparecera por Tabuí e em pouco tempo era o mendigo mais conhecido das redondezas. Andava escorado num par de muletas, com um pé no ar e a perna estirada pra frente, em forma de gancho. Mais parecia uma múmia paralítica com as pontas dos ossos aparecendo no rosto carcomido que cercava aquela boca cheia de dentes apodrecidos. Vivia montado na muleta cúmplice e na fisionomia cadavérica.      Certo dia estava Felisberto na sua tarefa árdua de pedir esmola, capengando pela rua a fora, quando, de repente, ouviu um berreiro danado.      - Sai da frente, minha gente!      - Cuidado, gente!      - Sai fora que é rabo! A gritaria era provocada pela correria de uma manada de bois bravos, uns vinte, que tinham se desgarrado de uma boiada que passava por um canto da cidade. Vinham os bichos em carreira desabada. Fungando, babando e investindo até na sombra. E o povão num berreiro que só vendo.      - Arreda minha gente! Cuidado, meu povo!      Acontece que o Felisberto, o mendigo lá do começo da história, na sua labuta de pedir esmola manquitolando pela rua, estava bem no rumo da boiada desembestada. Assim que viu aqueles baitas bois, crescendo cada vez mais, bem na sua frente, não teve dúvidas. Jogou as muletas bem longe e... Pernas pra que te quero! Mandou-se numa desabalada correria esquecendo que era paralítico. Aí encontrou o primeiro muro disponível que saltou de um pulo só. Platéia boquiaberta olhando e nem acreditando. Daquele dia em diante Felisberto nunca mais apareceu em Tabuí e nem notícias dele tiveram mais.

(Retirado do site: http://tabui.blogspot.com/)    

XXXXXXXX

NOTÍCIA:                  

INAUGURAÇÃO DA PRAÇA ESTELINA ARAÚJO CARDOSO

Os moradores do Jardim Santa Tereza conquistaram uma área de lazer. A praça Estelina Araújo Cardoso foi inaugurada no sábado, 28/08. A obra teve duração de seis meses teve como destaque o parque infantil, a quadra de areia, a pista de caminhada e as rampas de acessibilidade. Também foram pavimentadas as ruas Plaza e Liberti.

Foram gastos na revitalização cerca de R$ 250 mil. O prefeito Chico Brito prestou homenagem a Estelina Araújo Cardoso: “foi uma batalhadora e deve estar feliz com a praça”.  E os moradores ficaram satisfeitos com o resultado: “Eu fiquei orgulhosa. Isso aqui antes era um lixão, agora as crianças têm área de lazer. Ficou muito bom”, destacou Maria José Silva Oliveira, moradora do bairro há 30 anos.

Para garantir a segurança dos frequentadores, tanto a praça quanto a quadra esportiva foram iluminadas. Mas para que continue assim, também é preciso a colaboração de todos na conservação. Caso algum morador veja que há lâmpadas queimadas, basta ligar, a qualquer hora do dia ou da noite, no 0800 7792000 que a empresa fará a manutenção em até um dia útil.

Júlio Marcondes 31/8/2010

(Retirado do site: http://www.embu.sp.gov.br/e-gov/noticia/?ver=3145)        

Após  leitura, além de identificar os gêneros textuais, as crianças terão que justificar sua resposta. Para encaminhar o debate, retome o quadro produzido na intervenção anterior e o complete com as novas características que os estudantes levantarem sobre o modo de organização e a função social dos causos e das notícias. Sugerimos as questões abaixo. Os alunos deverão voltar ao texto sempre que necessário :   

  • O que fala o primeiro texto? E o segundo?
  • No texto “As aparências enganam” foi falado, com exatidão, o dia, o mês e o ano em que o caso ocorreu? E na notícia? Foi dada essa informação? Por que?
  • No causo “As aparências enganam” o autor entrevista pessoas para darem depoimentos sobre o caso do mendigo? E na notícia, pessoas são entrevistadas? Por que adota-se esse procedimento na notícia e não no causo?
  • Para que as pessoas leem os causos? E as notícias?             

Ao final, os estudantes deverão registrar o quadro no caderno. Ele poderá ser consultado e completado nas próximas atividades (por isso, recomendamos que sejam deixadas linhas em branco no quadro). Abaixo, um exemplo:

CAUSO

NOTÍCIA

É contado por nossos avós, pais e amigos.

É transmitida por jornais falados e escritos.

Não precisa comprovar se a história é verdadeira.

É preciso provar se o fato realmente ocorreu.

As pessoas leem para se divertirem.

As pessoas leem para se informarem sobre algum acontecimento.

Geralmente, não usa entrevista.

Muitas vezes, pessoas são entrevistadas para falarem sobre o fato noticiado.

Atividade 2: Os causos de nossa cidade

Objetivos: Ouvir e escrever um causo, observando o tema central e seus desdobramentos

Nesta atividade, proponha aos aprendizes a elaboração de cartazes de causos e notícias da cidade, em conjunto com outras turmas da escola. Os cartazes ficarão fixados em vários locais da escola e poderão ser lidos por todos.

2.1 Quem nos contará um causo da cidade?

Pergunte aos alunos se algum familiar tem o costume de contar causos ocorridos na cidade, que foram sendo repassados de geração em geração. Proponha a escrita de um bilhete aos familiares para convidá-los a contar esses casos à turma.  

Durante a elaboração do bilhete, chame atenção para as características desse gênero textual: ele é curto, deve ter o nome da pessoa no início, o convite e uma despedida. (Você também pode “sondar” com os familiares dos seus alunos e dos das outras salas a disponibilidade para irem à escola contar os causos da cidade. Ao final, cada turma deverá escolher um causo para registrá-lo.)

2.2 Ouvindo o causo

Combine com o familiar a data para contar os causos da cidade. Explique a ele os objetivos da atividade: os alunos de várias turmas irão ouvir os causos e escolher um deles para registrar e fazer parte dos cartazes de causos e notícias da cidade que serão divulgados para a toda a escola. Propomos que você grave os causos para que a turma possa registrar a história escolhida com maiores detalhes. (É importante que o causo seja pequeno para facilitar o seu registro)

2.3 Registrando o causo            

 Em outro dia, peça aos estudantes que recontem o causo escolhido para ser registrado. Caso se esqueçam de alguma parte, incentive-os a ouvir a gravação e recontar, novamente, a história.  

Em seguida, oriente um registro coletivo do causo em uma folha separada. As crianças deverão elaborar cada frase oralmente e, logo após, você a escreverá no quadro. Caso se esqueçam de alguma parte da história, poderão recorrer à gravação.

Ao final, faça a leitura de todo o texto e peça aos aprendizes que verifiquem se ele está completo e se as informações estão claras. Peça, então, que o registrem. A letra deve estar legível, pois as crianças da outra turma irão lê-lo.

2.4 Lendo causos             

Todas as salas participantes deverão ter registrado o causo ouvido em folha separada. Nesse momento, propomos que as turmas troquem os textos entre si. Para a sua leitura, as crianças deverão:

  • Ler o título do texto e levantar hipóteses sobre seu conteúdo.
  • Ao final da leitura, verificar se essas hipóteses se confirmam.
  • Dizer se gostaram do causo, justificando suas respostas.
  • Ler novamente o quadro com as características dos gêneros textuais “causo” e “notícia” e verificar quais dessas caracteríticas o texto lido possui.             

Ao final, recolha os textos. Eles serão necessários para a produção dos cartazes.

Atividade 3: As notícias da cidade

Objetivos: Planejar, elaborar e revisar uma notícia, observando as características desse gênero textual.

3.1 O que vamos noticiar?

Incentive os aprendizes a levantarem nomes de grupos culturais (música, arte, rádio comunitária etc) e/ou outras organizações (associação de bairro, projetos que recebem as crianças no contra-turno, grupos religiosos etc) que conhecem. Eles também deverão falar sobre as ações que esses grupos desenvolvem na comunidade. Ajude-os a lembrar de eventos como: comemoração de dias das crianças, apresentações musicais, trabalho comunitário de auxílio à famílias pobres etc. A ideia é estimular a produção de notícias sobre ações desenvolvidas por esses grupos. Cada turma deverá eleger um notícia relacionada à comunidade para registrar.

3.2 Preparação para a escrita da notícia

 Para a produção de um texto, é preciso que as crianças conheçam suas características. Para isso, retome com os alunos a notícia lida na atividade 1: INAUGURAÇÃO DA PRAÇA ESTELINA ARAÚJO CARDOSO.  Explique a eles sobre os elementos que esse texto deve conter e peça que identifiquem:

  • O que aconteceu.
  • Quando aconteceu.
  • Onde aconteceu.
  • Como aconteceu.   

Ao final, volte ao quadro produzido na atividade 1, relacionado às características dos causos e das notícias. Os alunos deverão lê-lo e completá-lo com a nova característica descoberta:

- Em uma notícia, é preciso relatar o fato ocorrido, onde ele aconteceu, quando e como foi.

3.3 Elaboração da notícia.

Para a elaboração coletiva da notícia selecionada no item 3.1, sugerimos os seguintes procedimentos:

a) Planejamento coletivo: Peça aos aprendizes que digam as informações que não poderão faltar na notícia. Incentive-os a terem como base os elementos da notícia trabalhados acima. Faça o registro em um canto do quadro.     

b) Escrita do texto: Solicite às crianças que elaborem o texto oralmente, enquanto você o registra no quadro. Chame atenção para seguirem o planejamento.

c) Revisão e registro da notícia: Leia o texto para os alunos e peça que verifiquem se ele é fiel ao planejamento. Em seguida, peça que o registrem em uma folha separada com letra grande e legível, pois outras pessoas da escola irão lê-lo. Ao final, cada turma terá produzido uma notícia diferente. Os textos dos alunos deverão ser recolhidos para a produção dos cartazes.

4. Divulgando o trabalho  

Objetivo: Produzir os murais com os causos e as notícias elaboradas e divulgá-los na escola   

4.1 Organização dos murais   

Para que todos os alunos tenham seus textos nos murais e a divulgação do trabalho seja para toda a escola, sugerimos os seguintes procedimentos:   

  • Providencie 25 envelopes (ou o número de alunos de uma turma).
  • Em cada envelope, coloque as seis produções feitas pelos alunos: três casos (um de cada turma) e três notícias (uma de cada turma).
  • Cada professora deverá ficar com oito envelopes e uma com nove.
  • Divida a sala em oito ou nove grupos, distribua os envelopes e um papel craft.    
  • Peça aos alunos que colem no cartaz as notícias e os causos, de forma que facilite a leitura das pessoas. É preciso haver um espaço entre uma folha e outra, pode-se colocar as notícias primeiro e depois os causos ou vice-versa etc. Se desejarem, podem ilustrar com desenhos relacionados ao tema tratado etc.
  • As crianças deverão colocar, ao final do cartaz, os nomes das turmas participantes do trabalho.
  • Por fim, os aprendizes decidirão o nome do cartaz.  Você pode fazer uma tira com o título eleito para ser colada junto a cada cartaz.
  • Ao término do trabalho, as três turmas terão produzido 25 cartazes.     

4.2 Apresentação e divulgação dos murais

Peça aos alunos que elejam locais da escola em que possam ser fixados os cartazes. Lembre-os de que esses espaços deverão ser de ampla circulação para que todos possam ler o trabalho. Sugerimos que os cartazes sejam colados em salas da escola, na biblioteca e em outros locais públicos.

 Em  um momento em que a maioria dos alunos da escola estiver reunida, explique o trabalho de produção de causos e notícias, realizado pelas turmas. Enfatize que as crianças irão fixar os cartazes em vários locais da escola para que todos possam ler os casos e as notícias.

Em sala, cada professora deverá eleger oito alunos para fixar o cartaz nos locais combinados previamente. Sugerimos a seguinte distribuição:

  • Duas turmas fixarão os cartazes produzidos em outras salas da escola.
  • A outra sala poderá fixá-los em locais como: biblioteca, murais externos da escola, sala dos professores, estabelecimentos no entorno da escola etc.

Recursos Complementares

Para leitura do professor, sugerimos o artigo “A produção de gêneros textuais na alfabetização: uma prática contextualizada”, localizado no site: http://www.alb.com.br/anais16/sem10pdf/sm10ss11_09.pdf 

Avaliação

Para verificar se os alunos compreenderam as características centrais dos gêneros textuais causos e notícias, sugerimos as seguintes intervenções:  

  • Entregue um causo e uma notícia  e peça que identifiquem os gêneros e escrevam uma características de cada um.
  • Entregue uma notícia e peça que identifiquem seus elementos: o que aconteceu, onde, como e quando.
  • Peça aos aprendizes que produzam uma notícia relacionada a algum fato que ocorreu na escola.   

Com essas atividades, você poderá perceber o que os alunos aprenderam e o que ainda precisa ser mais trabalhado.

Opinião de quem acessou

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Opiniões

  • LILIANE A. CAMPOS, EE Dom Aquino Corrêa , Mato Grosso - disse:
    enailed13@yahoo.com.br

    09/10/2011

    Três estrelas

    Muito interessante a sequencia didática escrita. Foi muito importante e interessante para meu projeto de reescrita textual. Parabéns!


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