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Construindo a argumentação: falar, ler, viver e escrever da realidade para a ficção

 

18/09/2009

Autor e Coautor(es)
Ana Graziela Cabral
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Edna Maria Santana Magalhães

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Língua Portuguesa Língua escrita: gêneros discursivos
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo Língua Portuguesa Linguagem escrita: leitura e produção de textos
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Análise linguística: modos de organização dos discursos
Ensino Médio Língua Portuguesa Gêneros discursivos e textuais: narrativo, argumentativo, descritivo, injuntivo, dialogal
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo Língua Portuguesa Linguagem oral: escrita e produção de texto
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Língua oral e escrita: processos de interlocução
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Professor, espera-se que o aluno torne-se capaz de:

1) identificar o gênero textual argumentativo;
2) apresentar e defender uma tese, assimilando competências básicas, tais como fundamentar, provar, justificar, explicar, demonstrar, convencer e persuadir, em defesa de um ponto de vista;
3) organizar os passos da argumentação em esquemas mentais e escritos ;
4) compreender as nuanças da linguagem que permitem argumentar e contra-argumentar, pressupondo o desenvolvimento da capacidade de utilização da língua oral e escrita;
5) estabelecer relação entre um texto literário e demais formas de manifestação da linguagem, no caso, a linguagem jurídica;
6) pesquisar e buscar por si mesmos as bases de sua argumentação, favorecendo, de tal modo, a autonomia no que concerne ao universo da pesquisa;
7) conhecer atividades comuns no mundo jurídico, abrangendo seus conhecimentos de mundo;
8) trabalhar, conjuntamente, no sentido de construir uma argumentação coesa e uniforme;
9) aprimorar habilidades que dizem respeito à reconstrução de um espaço ou cenário, reproduzindo o ambiente de um tribunal, valendo-se de improviso e de criatividade; 10) problematizar diferentes pontos de vista através de encenações;

10) estimular a exposição em público.

Duração das atividades
5 aulas de 50 minutos cada (250 minutos)
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Professor, a fim de obter bons resultados com o desenvolvimento dessa proposta, espera-se que sejam trabalhadas em sala previamente as características, funções e usos da argumentação e em que gêneros textuais ela se apresenta mais marcadamente. Além disso, é necessário que os alunos entendam que a argumentação consiste em despertar no outro uma consciência ou ação pretendida (seja positiva ou negativa) de modo a incitar o interlocutor a preencher as lacunas de coesão de um discurso como convém ao argumentador. Essa proposta de aula sugere a elaboração, por parte dos alunos, da defesa (ou condenação) do personagem do texto literário intitulado Passeio Noturno, de autoria de Rubem Fonseca. Assim sendo, convém que sejam introduzidas noções acerca do autor, que podem ser extraídas do site http://www.releituras.com/rfonseca_menu.asp (acessado em 05 de setembro de 2009) . É interessante também que você, professor, fale do gênero Conto, categoria em que se enquadra o texto literário em questão.

O ponto de partida para o trabalho serão as pistas deixadas pelo personagem, um rico empresário, acerca da autoria ou não do assassinato de uma vítima de atropelamento. A partir das pistas fornecidas pelo texto, os alunos criarão argumentos em favor ou desfavor do réu, construindo, posteriormente um jurí.

Nesse sentido será ainda necessária a apresentação de informações, o mais detalhadas possível, sobre o andamento de um julgamento criminal, já que a idéia contempla a construção de uma encenação teatral em que alunos apresentarão suas teses na figura dos componentes de um júri. Assim sendo, julga-se necessário apresentar aos alunos a distribuição de cargos que compõe o júri, bem como a função que cada autoridade ocupa. Esses dados estão disponíveis no item seguinte, na terceira aula.

Estratégias e recursos da aula

1ª AULA: duas aulas de 50 minutos


Professor, a primeira aula desta sequência é de suma importância para o desenvolvimento satisfatório de toda a proposta. Nela deverão ser introduzidos (ou complementados, de acordo com os conhecimentos prévios dos alunos), conceitos sobre os recursos do texto argumentativo. Dessa forma, propõe-se:
- Verificar qual o conhecimento que os alunos têm do verbo argumentar ou do nome argumentação – Anotar no quadro as opiniões sugeridas;
- Propor uma consulta ao dicionário e contrapor com as contribuições dos alunos.
- Perguntar que elementos eles acham que são necessários para que alguém faça uma argumentação e por quê. Com que objetivo alguém faz uma argumentação? Eles usam esse recurso em algum momento? Quando, como e com que função?;
- Pode se pedir que alguns alunos simulem uma situação onde haja uma argumentação, partindo de fatos cotidianos e da experiência familiar deles;
- Confrontar essa simulação com as informações dadas anteriormente: deixe que os alunos apontem o que eles perceberam em relação às falas, aos objetivos e aos resultados obtidos pelos personagens e o que deveria ter sido mais reforçado ou foi desnecessário para os fins desejados;
- Enfatizar para os alunos que a linguagem é essencialmente ARGUMENTATIVA. Ilustre com outros exemplos, retome as anotações feitas no quadro e a definição do dicionário. Fale acerca da tecitura de idéias e do jogo provocado ao se argumentar sobre algo, para que eles adquiram uma noção do processo percorrido. Além disso, explicite o fato de que toda argumentação se dirige a um público alvo ou a um interlocutor pré-estabelecido, que definirá o tom do discurso;

- apresentar de forma mais teórica e expositiva os recursos argumentativos, de preferências confrontando-os com outras perspectivas textuais, para ampliar a compreensão dos usos desse recurso na escrita ou em outras situações formais/ legais;


- Após esses procedimentos, sugere-se que para cada aluno o professor entregue cinco recortes com amostras textuais diferentes (exemplo: fragmentos de texto descritivo, poema, textos publicitário, entre outros) e entre eles um fragmento de texto argumentativo. Veja algumas amostras comentadas:


EXEMPLO 1: (possui argumentação)

Comentário modelo: Na tirinha acima, Mafalda dialoga com o pai a respeito do fato de não poder tomar conhecimento sobre o problema do Vietnã. O pai argumenta (e a este ponto é interessante demonstrar aos alunos que o argumento foi introduzido pela conjunção “mas”, dando a idéia de que um argumento anterior já havia sido utilizado) que mesmo que explique à Mafalda sobre o problema do Vietnã ela não entenderia. Aproveite para perguntar aos alunos, no decorrer da leitura, qual seria o mote da tirinha, que verificamos ser a idade de Mafalda. Numa atitude característica da relação entre pais e filhos, a menina se faz de vítima, se auto-intitulando “boba”. Demonstre aos alunos que essa fala da menina também constitui uma tática argumentativa, já que ao fazer-se de vítima, ela procura convencer o pai de que ele tem que falar sobre o Vietnã. Ele, por sua vez, contra-argumenta (aproveite para esclarecer o que significa o termo) alegando que aquele não seria um assunto para crianças. Ao final, Mafal da demonstra total consciência do contraste en tre o mundo adulto e infantil e como con denação à censura do pai, solta o melhor d os argumentos, que o deixa de sai justa: “E se você me expli casse sem as partes po rnográficas? ”

< strong>EXEM PLO 2:

EXEMPLO 3:


Receita de Bolo de Brigadeiro


Massa:

1 xícara (chá) de açúcar
1 colher (sopa) de fermento em pó
½ xícara (chá) de chocolate em pó solúvel
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de leite
5 ovos


Recheio e cobertura:½ xícara (chá) de chocolate granulado
½ xícara (chá) de chocolate em pó solúvel
2 colheres (sopa) de manteiga
2 latas de leite condensado


Preparo
Massa: Bata na batedeira as claras em neve até ficar bem firme. Junte as gemas, uma a uma, e acrescente o açúcar. Despeje o leite aos poucos, sem parar de bater. Incorpore, por fim, delicadamente a farinha peneirada com o Chocolate em Pó e o fermento. Despeje em uma fôrma redonda (28 cm de diâmetro) untada e enfarinhada e leve para assar em forno quente (200º C) por aproximadamente 40 minutos. Deixe esfriar e corte-o ao meio.

Recheio e cobertura: Leve o leite condensado, a manteiga e o Chocolate em Pó ao fogo, mexendo sempre. Quando ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar, sem parar de mexer, por cerca de 6 minutos ou até formar um creme consistente. Cubra uma metade do bolo com este creme, arrume a outra metade, espalhe o restante do brigadeiro com uma espátula ou faca e espalhe o chocolate granulado em toda a superfície. Leve para gelar e sirva.

Congelamento: Congele o bolo já pronto. Deixe por até 3 meses no freezer. Para descongelar, retire do freezer de véspera. Ao descongelar, cubra o bolo com o granulado e deixe em geladeira até o momento de servir.

EXEMPLO 4:

EXEMPLO 5: 

Fragmento do Livro de Carlos Drummond de Andrade, Fala Amendoeira (1978):


“Nossa casa é antiga, embora não secular - explicava-me aquela senhora - e o senhor sabe como essas construções antigas têm pé-direito alto, um despropósito. Nossos dois andares enfrentam bem uns três dos edifícios vizinhos. Isso lhe dará idéia da altura de minhas buganvílias, pois as raízes delas se misturam com os alicerces, e temos praticamente dois telhados: o comum, e esse lençol rubro de flores, quando vem pintando a primavera.

EXMPLO 6:

EXEMPLO 7:

EXEMPLO 8:

______________________________________________________________________________________

- Em seguida, sugira que os alunos identifiquem o texto argumentativo, incitando-os a falar sobre as características particulares do mesmo, que se fizeram evidenciar e influenciaram a escolha. Na sequência, ainda sobre orientação, os alunos deverão colar no caderno as tirinhas de texto, nomeando-as e evidenciando abaixo as diferenças entre cada forma textual, com enfoque para o texto argumentativo.


- em um último passo, para que fiquem claras as peculiaridades do texto argumentativo, cabe ao professor sugerir a construção, por parte dos a lunos, inicialmente de frases que defenda m pontos de vista so bre determinado tema, e na sequência, de pa rágrafos com o mesmo fim. Para nortear os alunos, o professor po de sugerir a a borda gem de temas reco rre ntes para os parágrafos argumentativos, tais como: a pena de morte; o porte de armas; a legalização do aborto; a maioridade que começa aos 18 anos; a produção de armas nucleares e sugerir que os alunos pensem em temas presentes no dia-a-dia deles (demandas da escola, do bairro, da cidade).

Para a construção do parágrafo:


- Deixe q ue o aluno aponte oralmente qual o tema gostaria de tratar, por que e que pontos (argumentos) orientam a defesa de sua tese e que resultado ele espera dessas ações;


Construindo um esquema:

- Pergunte que aluno gostaria de contribuir para que seja ilustrada a produção de um esquema. Mostre a importância de cada um traçar um plano do que vai escrever/ falar.
- Anote no quadro as contribuições do aluno:
Tese (Do que vou falar? Faça uma afirmação/negação/constatação/questionamento)
Argumento 1 (Por que vou falar?)
Argumento 2
Argumento 3
(Argumento 4 e Argumento 5) podem ser opcionais.
Conclusão (o que esses argumentos provam/demonstram?)

- A tese deve ser a frase que abre o texto e deve ser bem elaborada no sentido de dar margens a que todos os argumentos relacionados a ela se interliguem.
- A seguir, que o aluno pense em até três ou cinco pontos que poderiam estar relacionados a esse tema: podem ser pontos favoráveis, pontos negativos, sugestões de melhoria, elementos que caracterizam o tema em si.
- No momento seguinte, ele deve pensar em uma possível solução ou mesmo uma consequência da realização ou da não realização dos pontos que foram listados.
- Agora sim, ele está pronto para escrever o seu parágrafo. Ele apresentará a tese, os elementos que ele apontou e que são os argumentos que reforçam a tese e, por fim, a conclusão.
- Então, apresente para eles um parágrafo onde esses elementos estejam bem organizados. Distribua cópias, peça que, em grupo, comparem o texto que produziram e o que receberam pronto. Quais as diferenças? O que necessita de melhorias? Por quê? Que textos conseguiram atingir o objetivo proposto de persuadir e de convencimento do leitor? Que elementos do texto colaboraram para isso?
- Decomponha o texto entregue aos alunos no formato do esquema.
- Proponha a reescrita dos textos que eles acharam que têm problemas. Pode ser em dupla ou em trios. Recomende a observação dos passos para organização da escrita, a leitura e a revisão para a correção ortográfica e gramatical.
- Chame a atenção dos alunos para a importância da organização das ideias tanto para a escrita quanto para a leitura de textos. O esquema possibilita uma visão mais geral do que se pretende escrever e/ou ler. Para construir uma boa argumentação é preciso PLANEJAMENTO: a escolha de palavras, de organização das frases e a pontuação é que definirão como a idéia e os argumentos serão recebidos pelos ouvintes/leitores.

2ª AULA: 50 minutos


Professor, a segunda aula consiste na apresentação do objeto em torno do qual será construída a encenação jurídica. Assim sendo, é pertinente uma breve apresentação do autor do texto "Passeio Noturno", e, acima de tudo, deve-se evidenciar a informação de que o texto em questão, por si só, não constitui um texto argumentativo, mas sim, um texto narrativo ficcional e que, a partir dele, é que serão criadas teses, baseadas no comportamento do personagem principal.
Vejamos o texto:


Passeio Noturno

Rubem Fonseca

Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cab eceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os so ns da casa: minha filh a no quarto dela trei nando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu fi lho. Você não vai lar gar essa mala?, perg unt ou minha mulher, tira essa roupa, be be um uisquinho, você pr ecis a aprender a relaxar.


Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?


A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta. Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.


Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.


Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.

(http://arquivopodoslivros.blogspot.com/2008/03/passeio-noturno-rubem-fonseca.html - acessado em 05 de setembro de 2009)

________________________________ _____________________ _______________________ __________________________

Para a apresentação da narrativa, sugere-se que a leitura seja feita pelo professor, sem que os alunos tenham, inicialmente, acesso ao texto. A leitura deve ser feita pausadamente e o professor deve procurar enfocar as partes do tex to que, posteriormente, p oderão configurar pro vas ou evidencias ace rca do assassinato de que o texto trata. A le i tura deve ser conduzi da de tal forma que a descoberta do assas s inato seja motivo de choque e apreensão por parte dos alunos, e, no passo a passo de leitura, o professor pode pedir para que os alunos dêem sugestões do que acontecerá a seguir, promovendo a maior interação possível entre os mesmos e a narrativa.


Material solicitado para a 3ª aula: professor, peça aos alunos para pesquisarem reportagens, imag ens, apetrechos em geral que sejam pertinentes ao cenário de um julgamento, para que levem na aula seguinte.

3ª AULA: 50 minutos


A presente aula deve ser destinada à apresentação, por parte do professor, das características de um julgamento. Para tanto, pode-se valer dos recursos levados pelos próprios alunos, bem como de vídeos, imagens e tudo o mais que ilustre o procedimento de um julgamento, em especial um julgamento criminal. É indispensável que o professor sempre estabeleça a relação entre o ritual do julgamento e a importância da linguagem nesse contexto. A este ponto, cabe ao professor apresentar as distintas instâncias que compõem o júri, da seguinte forma:

Juiz: é considerada a autoridade máxima do tribunal, já que faz valer a decisão final, seja ela tomada pelos jurados, ou provada pelo advogado de defesa ou promotor. Cabe a ele conduzir o julgamento e resolver as questões de Direito, como definir a pena no caso de condenação.


Escrivão: registra todo o processo de julgamento e fica ao lado do juiz.


Advogado de defesa: argumenta em favor do réu.


Promotor: deve defender os interesses da sociedade. Caso perceba a inocência do réu, ou note que ele mereça tratamento diferenciado em virtude das circunstâncias do crime, deve pedir a sua absolvição ou a atenuação da pena.


Advogado de acusação: trabalha em função dos interesses da vítima ou da família da mesma, em caso de morte. Busca a condenação do réu pelos prejuízos causados à vítima.


Policiais: cuidam da segurança do local, especialmente mantendo o réu sobre controle.


Réu: é o acusado por determinado crime, sobre o qual recaem as acusações e defesa.


Testemunhas: dão testemunho em favor ou contra o réu

Seria também pertinente, dentro da realidade de cada escola, que o professor tentasse agendar uma visita ao fórum com os alunos durante o desenvolvimento de um julgamento, de preferência a nível criminal, para que os mesmos possam ter, em real medida, uma noção de como são os procedimentos de um júri. Nessa perspectiva, é importante abordar as normas de conduta que precisam ser adotadas em um Fórum, no que se refere às roupas e ao comportamento respeitoso e silencioso no interior desse ambiente.
Caso a visitação não seja possível, de acordo com a realidade de sua cidade, apresenta-se como sugestão no subtítulo “Recursos Complementares”, algumas dicas de sites em que maiores informações podem ser encontradas a esse respeito, inclusive com alguns vídeos de tribunais.
Na parte prática da aula, o professor deve pedir que cada aluno escreva um parágrafo argumentando a favor ou contra a culpa do personagem que nos é apresentado no texto, em relação ao assassinato cometido. Tendo por base os argumentos apresentados por escrito e o conhecimento do professor em r elação à predisposição de seus alunos para a fala, o final desta aula se rá destinado à escolha dos alunos que represen tarão, em uma encenação teatral, os personagens que compõem o júri, sendo os principais: um juiz, um advogado de defesa do réu, um advogado de acusação ou um promotor  e um réu. Os demais alunos serão distribuídos como policiais, secretários que traze m e levam papéis e água, um carcereiro que fica encarregado do réu, as testemunhas de defesa e acusação, contra-regras, que dão suporte com material e a platéia que assiste ao julgamento, composta inclusive, por familiares da vítima e do réu.
É muito importante que o professor tenha em vista duas premissas ao trabalhar com seus alunos tal proposta: a primeira é que deve ficar claro aos alunos o poder que a linguagem e a argumentação poderão ter, a ponto inclusive de causar à absolvição de um réu cujo próprio texto literário condena. E a segunda que é sugerido que os alunos encenem de forma livre e não combinada. O professor deve pedir a cada ator que construa a sua fala e suas argumentações e deve orientá-los no momento da atuação, mas a apresentação deve ser feita de forma livre, pressupondo improviso e inclusive um veredicto surpresa.

4ª AULA: duas aulas de 50 minutos

A quarta aula é destinada a um ensaio geral da peça e à confecção do cenário do julgamento. Sugere-se a elaboração de um mapa da sala contendo a demarcação de espaço que cada um ocupará. Além disso, é pertinente que, de posse do material de que dispões os alunos, sejam discutidas as formas de organização do cenário e o que ficará a cargo de cada um, para que seja providenciado para a aula seguinte. Deve-se pensar no vestuário adequado para cada personagem, nos apetrechos utilizados por cada um, como a mesa e o martelo do juíz, as algemas do réu, uma máquina de escrever ou computador para o escrivão, e os demais recursos que forem julgados como necessário. Recomenda-se ainda um breve ensaio, lembrando da importância que o suspense em relação ao veredicto seja mantido.

5ª AULA: 50 minutos


Apresentação final da peça. Para estimular os alunos e tornar mais formal a apresentação, é conveniente convidar representantes da escola para que prestigiem a apresentação. Isso implicará em uma maior responsabilidade por parte dos alunos, que se sentirão valorizados. Além disso a apresentação pode ser filmada para que mais tarde os alunos assistam e avaliem o seu próprio desempenho.

Recursos Complementares

Professor, veja os links de auxilio às aulas:

- http://super.abril.com.br/superarquivo/2005/conteudo_382637.shtml  - Site da Abril que trata da constituição de um júri. Pode ser usado pelo professor como suporte de pesquisa. (acesso dia 05/09/09).


- http://www.youtube.com/watch?v=eylGy_gLym4  – Site que exibe um episódio do seriado mexicano Chaves. Nele o julgamento é explicado de uma maneira lúdica e engraçada. (acesso dia 0509/09).


- http://www.youtube.com/watch?v=p5zDUcoH78g  –  http://www.youtube.com/watc?v=qeAQksLbRX4&NR=1 - Comédias sobre um julgamento, Parte 1 e Parte 2. Professor, se for usar esses videos, aproveite para explicitar que um tema essencialmente sério pode ser lido de maneiras diferentes de acordo com os objetivos de sua produção e o suporte que o veicula. ue elementos são inesperados nesses videos (o local, o modo como um advogado se apresenta visualmente, o vocabulário, as posturas de todos). (acesso dia 05/09/09).

- Sugere-se ainda a exibição de fragmento do filme  “O pagador de promessas”, de Dias Gomes. Nele um humilde proprietário é envolvido pelos discursos de vários outros personagens (um padre, um gigilô, um policial, outras autoridades da Igreja Católica e um repórter) que vão transformando um gesto simples - o pagamento de uma promessa a Santa Bárbara - em um gesto de conotação e ameaça aos poderes políticos e religiosos.  O filme pode ser encontrado em formato VHS em locadoras que ainda possuem tal acervo. 

Avaliação

Professor, durante todo o processo desenvolvido nessa proposta de aulas, é interessante que os alunos sejam atenciosamente observados nos seguintes aspectos: a capacidade de produção escrita, bem como sua interação com o grupo e contribuição em relação à aula; capacidade de planejamento de ações durante a elaboração textual; sua habilidade em reconhecer a diferenciação (aspecto formal e conceitual dos textos) entre distintas propostas textuais; a capacidade de fazer inferências pertinentes ao texto e que extrapolações ele consegue fazer em relação ao tema e a sua realidade imediata; em termos atitudinais, avalia-se a maturidade do aluno acerca da aceitação do papel designado a ele e desempenhado por ele na peça (determinado pelo professor); a qualidade da argumentação elaborada na escrita em prol da defesa de um ponto de vista; a capacidade de trabalhar em equipe e de solucionar problemas de natureza da montagem do cenário, divisão de tarefas e organização do espaço. Além disso, no decorrer das aulas é possível mensurar a autonomia de cada aluno em relação às propostas que lhe são apresentadas. por último, o professor pode avaliar a atuação de cada um, dando atenção tanto à performance teatral desempenhada, como, especialmente, aos recursos de argumentação empregados por cada aluno. É importante lembrar que todos os alunos devem, de alguma forma, estar envolvidos nas propostas, mesmo ocupando papéis secundários ou atuando como contra-regras, de forma a serem avaliados por igual. Não se esqueça, professor, de dar voz aos alunos para avaliar e apontar os aprendizados efetivos que tiveram, fazer proposições em relação à melhoria de sua expressão escrita e de leitura. Seu olhar é importante, mas não deve ser o único.

Opinião de quem acessou

Quatro estrelas 11 classificações

  • Cinco estrelas 7/11 - 63.64%
  • Quatro estrelas 3/11 - 27.27%
  • Três estrelas 1/11 - 9.09%
  • Duas estrelas 0/11 - 0%
  • Uma estrela 0/11 - 0%

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Opiniões

  • François, uepb , Paraíba - disse:
    francoiseribeiro@hotmail.com

    26/08/2014

    Cinco estrelas

    muito bom...completo, criativo e orientador


  • Abrão de Sousa, Secretaria da Educação do Estado do Tocantins , Tocantins - disse:
    abraodesousa@gmail.com

    26/01/2012

    Cinco estrelas

    Excelente material para o trabalho com a argumentação. Quem o utilizar, se seguir os passos, não há como errar. Eu trabalho com elaboração de material para aula também e esse material enriqueceu muito o meu repertório. A linguagem é interessante demais para a comunicação e quando bem articulada então...


  • felipo, UFRN , Rio Grande do Norte - disse:
    felipo@letraearte.com

    01/09/2010

    Cinco estrelas

    Muito bom!


  • valeria matheus silveira, ESC EST ENS FUND NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA , Rio Grande do Sul - disse:
    valeria.vacaria@gmail.com

    13/04/2010

    Quatro estrelas

    Seminários,debates e entrevistas são conteúdos muito importantes para que os alunos aprendam a usar a palavra em público. Quem não apresenta suas idéias com clareza ou defende mal seus argumentos enfrenta problemas tanto na sala de aula como na vida diária. É muito importante e necessário preparar os alunos para enfrentarem situações de comunicação oral. Parábens!!!Gostei muito da tua idéia.


  • Verônica Silva Carvalho, ESCOLA EST DEMOCRATICA P O PROF ROMULO ALMEIDA , Bahia - disse:
    veronicapoeira@gmail.com

    24/03/2010

    Quatro estrelas

    Aula bem estruturada e criativa. Vou aplicar com meus alunos.


  • Cristiana, Escola Estadual José Manoel , Minas Gerais - disse:
    cristianacabral@hotmail.com

    24/03/2010

    Cinco estrelas

    Otima aula no portal.


  • Silvane Aparecida Gomes, Cefet -MG , Minas Gerais - disse:
    silvanenet@gmail.com

    24/03/2010

    Três estrelas

    Gostei muito! Adoro trabalhar gêneros textuais! E você foi muito feliz em suas escolhas!


  • Roberto Carlos dos Santos, Centro Universitário de Patos de Minas , Minas Gerais - disse:
    profrcsantos@yahoo.com.br

    24/03/2010

    Cinco estrelas

    A aula está excelente, tanto do ponto de vista da didática sugerida quanto do nível de conhecimento exigido. Parabéns!


  • Luciene, Escola Estadual José Manoel , Minas Gerais - disse:
    lucienecabral@hotmail.com

    24/03/2010

    Cinco estrelas

    Prezados, A melhor aula do portal! Excelente! Luciene


  • wilma de Melo Mlves, EEEFM Dr.Hortênsio de S.Ribeiro_PREMEN , Paraíba - disse:
    wilmamalves@hotmail.com

    24/03/2010

    Cinco estrelas

    Amei essa metodologia de trabalho,nos estimula para a transmitir para os aluno uma forma mis significativa o trabalho com genero textuais com o usos de vários recursos.


  • marlene, SEMED , Mato Grosso do Sul - disse:
    arlenealvesl@otmail.com

    24/03/2010

    Quatro estrelas

    ótima, gostei de iniciar a aula fazendo o aluno buscar o significado de argumentação, pois dessa forma esle irá costruir sua resposta o que o leva a um apredizado mais significativo. Parbés e muito obrigada.


Sem classificação.
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