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O uso do portifólio como recurso de registro e avaliação da alfabetização

 

16/11/2010

Autor e Coautor(es)
Grazielle Tomaz de Almeida
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BELO HORIZONTE - MG ESCOLA DE EDUCACAO BASICA E PROFISSIONAL DA UFMG - CENTRO PEDAGOGICO

Clenice Griffo

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Concepção de texto
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Concepção de alfabetização
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Papel da interação entre alunos
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Orientações didáticas para alfabetização
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Evolução da escrita alfabética
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Formas de organização dos conteúdos
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Concepção de ensino e aprendizagem
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Processos de leitura
Ensino Fundamental Inicial Alfabetização Gêneros de texto
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

O aluno desenvolverá sua capacidade de escrever segundo princípio alfabético e avaliar a evolução da própria aprendizagem.  

Duração das atividades
Uma aula de 50 minutos a cada quinze dias.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Compreensão básica do funcionamento da escrita.

Estratégias e recursos da aula

   Acompanhe alguns aspectos relevantes que devem orientar um trabalho com portifólio, de acordo com Fernando Hernández.  

  •  O que é um portifólio  

 É a organização dos registros dos alunos, durante um período. O portifólio pode ser considerado um meio de apresentar a reconstrução do processo de aprendizagem. É, portanto, um instrumento de avaliação processual, que a partir de uma seleção organizada e estruturada (intencional) de alguns registros, viabiliza o acompanhamento do processo evolutivo do trabalho realizado.  

  • Por que trabalhar com portifólio   

A partir das atividades desenvolvidas ao longo de um processo, os alunos e professores podem (e devem) refletir sobre o processo evolutivo do mesmo. Os registros arquivados, de algum modo, evidenciam os avanços e as dificuldades durante o processo. Estas informações devem assumir um papel relevante na orientação das estratégias.

  • Como trabalhar com portifólio  

 Na seleção das atividades a compor o portifólio, é essencial que estas possam evidenciar os principais aspectos do processo vivido.  

 O professor deve desenvolver um acompanhamento pontual dos alunos, de modo que, durante as atividades, observe atentamente, registrando, em um caderno, o desempenho do grupo como um todo e específico de cada aluno. Além da observação própria do professor, é relevante que solicite registros escritos ou orais dos alunos de modo a identificar o que aprenderam, quais foram as dificuldades etc. Esta avaliação construtiva do processo convida o aluno a refletir sobre seu processo de aprendizagem.

  • Processo de acompanhamento e avaliação   

A organização do portifólio deve ser feita em uma pasta com plástico ou em um caderno, de modo que o aluno, o professor e a família tenham uma visão cronológica do progresso e/ou limite de cada momento. Esta organização permite ao aluno valorizar sua produção e perceber com maior clareza seu progresso.  É relevante lembrar que este trabalho pode ser acompanhando pelo professor que assumir a turma no ano seguinte, por exemplo.  

Há uma avaliação específica a cada atividade, mas é na organização do portifólio que os alunos têm oportunidade de folhear e olhar seus trabalhos podendo identificar, com maior precisão, o que aprenderam ao final de um bimestre, por exemplo. Assim sendo, o planejamento das atividades deve ser organizado, pois este não pode ser um instrumento de uso esporádico. Deve constituir-se numa prática sistemática na sala de aula.      

  • O que difere o caderno do portifólio

 O caderno é um instrumento no qual o aluno pode registrar todas as informações - atividades “rotineiras” da sala de aula. Já o portifólio é organizado em função do registro das atividades, projetos ou propostas mais significativas à aprendizagem. Deve haver, portanto, uma “linearidade” quanto aos desafios, a temática e as atividades propostas. É interessante, se não necessário, que esteja articulado com os conteúdos do planejamento anual ou no mínimo semestral.       

Os critérios de organização de um portifólio dizem respeito a uma espécie de roteiro. Assim, não assumirá o papel de simples informações acumuladas. Deve, sobretudo, constituir-se em instrumentos de avaliação contínua e integrada ao processo de ensino e aprendizagem.

  ATENÇÃO: Para que o portifólio cumpra sua finalidade, é importante, na seleção das atividades, que cada uma delas esteja articulada com algum conteúdo já trabalhado em sala ou, no mínimo, seja alguma capacidade já adquirida no ano anterior. As atividades apresentadas neste plano didático buscarão seguir temáticas normalmente trabalhadas com turmas de nível introdutório, portanto servirá de sugestão, indicação.  

 DICA 1 - A sugestão é que as atividades para comporem o portifólio sejam desenvolvidas a cada 15 ou 20 dias, não devendo haver intervalo superior a um mês entre uma e outra.  

 DICA 2 _ Algumas atividades deverão ser repetidas ao longo do processo, o que colabora ainda mais para evidenciar avanços e demandas de superação. As atividades que se enquadram neste perfil serão indicadas na sequência.  

 DICA 3 – Todas as atividades devem ser datadas e assinadas pela criança.

1 – Ficha de apresentação   

- Preparar uma ficha para inserir na apresentação do portifólio.   

Esta deve conter dados sobre o aluno e a escola como: nome completo; data de nascimento; nome dos pais; endereço; ano escolar; nome da escola; nome dos professores, seguido das respectivas disciplinas e, ainda, um quadrinho onde se deve colar uma foto 3x4 da criança. Como alternativa, poderá ser feito um desenho pela própria criança.      

Os dados podem ser preenchidos pelo professor ou mesmo serem enviados para casa, onde deverão ser preenchidos pela criança com auxílio de um adulto, já que se trata de alunos em fase inicial de alfabetização.  

 - Discuta por que esta ficha de apresentação é necessária e relevante para o trabalho. Se desejar, pode “inverter”, ou seja, apresente a proposta e, a partir de então, conte com as sugestões dos alunos na seleção dos itens para compor a ficha.  

2 – Atividades introdutórias.  

 OBJETIVO:   Apresentar o nível de escrita de cada criança.                                                                                           

A sequência de atividades indicada neste bloco deve respeitar o intervalo sugerido, não deve, portanto, ser trabalhada em um único dia. Encontra-se em um mesmo “bloco” por corresponderem a um mesmo objetivo.  

Sequência de atividades – BLOCO 1: 

 A – Escrever, sem ajuda, o nome completo e fazer um desenho de si mesmo.

B_ Escrever, espontaneamente, uma lista de cinco coisas que deseja aprender na escola.   

Obs: Professor, a escrita espontânea expressa o processo de alfabetização em que a criança se encontra. Trata-se de uma produção escrita, sem intervenção, mediação.

Para esta atividade, é importante que o professor prepare uma roda e convide cada criança a ler o que escreveu. Registre esta informação em seu caderno de acompanhamento, pois em função do processo de escrita, nem sempre é possível compreender o que cada criança escreveu. A atividade possibilita, também, identificar as expectativas e interesses do grupo.   

C_ Desenhar a família e registrar o nome de todas as pessoas representadas.   

Nesta atividade, pode ser feita uma roda de apresentação onde poderão ser discutidas as variações quanto ao perfil das famílias. Este é um tema importante que não só permite à criança perceber as diferenças, mas também ao professor conhecer um pouco mais do universo a que pertence seus alunos.   

D_ Apresentar uma folha dividida em duas partes. Na primeira, coloque as letras do nosso alfabeto e, também, outros símbolos como *, &, @, :, !, ?, etc. Solicitar que circulem com lápis de colorir somente as letras que conhecem. Este exercício envolve duas habilidades: o reconhecimento de letras do alfabeto e a distinção entre letras e outras formas de representação gráficas.    

Na segunda parte, apresentar palavras simples e solicitar aos alunos que coloram as que conseguirem ler. Além disso, deverão desenhar o que significam as palavras coloridas. Por exemplo, se coloriu a palavra bola, deverão desenhar uma bola. Assim, você terá certeza de que realmente a criança leu a palavra.

B     E   J   K      L   M   $   *  V   

  A    ?    G    @     S    X    Z   

#   F     H      P    <    4     U

 

BOLA    

 MESA     

CADEIRA  

A finalidade indicada na atividade referente à coluna dois pode ser repetida durante o processo com palavras diferentes, variando também o nível de complexidade destas.

3- Alguns avanços no trabalho com  a produção escrita  

 OBJETIVO:  

 Trabalhar produções escritas simples  

 Sequência de atividades - BLOCO 2:

A - Reproduzir ou criar, através de ilustração, alguma história que envolva um animal que a criança tenha medo.  

 Esta produção envolve mais complexidade porque apresenta o reconhecimento de elementos essenciais de uma história, onde há motivação inicial, desenvolvimento e o desfecho.  Aproveite esta oportunidade para que cada criança se expresse oralmente, de forma que perceba o medo de forma natural.

B – Fazer um ditado com palavras “simples” (sílabas canônicas) como: boneca, jacaré, caneta, cadeira, banana, jabuticaba, cama.   

Caso esteja trabalhando com grupos semânticos, escolha palavras deste grupo. Repita o ditado com as mesmas palavras duas ou três vezes, respeitando um intervalo de 20 dias entre um e outro. A partir da repetição desta atividade, você poderá identificar o perfil alfabético do grupo.    

Veja o processo nas fotos a seguir:                        

 As palavras ditadas foram: jabuticaba, mexerica, abacaxi, caju.

 A frase foi: Temos salada de frutas no lanche.

C – Contar uma história que o grupo conheça. Em seguida, solicitar que escrevam espontaneamente o título da história e que façam uma ilustração da mesma.

 D - Selecionar uma imagem inicial aleatória, a partir da qual a criança deverá desenvolver uma ilustração que dê continuidade à história, dando a ela um título.   

Organizar uma roda, para que todos possam apresentar as histórias criadas. Antes de arquivar este material no portifólio, exponha-o no mural da sala.

E – Solicitar uma lista de três coisas que os alunos aprenderam até o momento. Como orientado na atividade 2, peça a eles que façam uma apresentação. Você deverá registrar em seu caderno de acompanhamento.   

4 – Avanços na produção escrita

   OBJETIVO :   

Trabalhar produções escritas e de compreensão globais mais complexas.   

Sequência de atividades – BLOCO 3:   

A – Solicitar a escrita de uma parlenda conhecida da criança.

Orientar apresentação e registrar a parlenda de cada criança em seu caderno de acompanhamento. Você poderá avaliar o espaçamento entre palavras, bem como a orientação espacial utilizada para apresentar este texto, além da compreensão do que caracteriza uma parlenda.

B_ Elaborar um ditado com títulos de contos de fadas. Selecionar cinco títulos conhecidos das crianças para realizá-lo.   

Veja, a seguir, uma sugestão de matriz para este trabalho:

1 -

2-

3-

4-

5-

Esta atividade também deve ser repetida duas ou três vezes, utilizando os mesmos títulos.  

 C – Solicitar ao aluno a produção de um texto no qual ele ensine sua brincadeira preferida.   

D – Solicitar a escolha de algum gênero (cartão, bilhete, poesia) com o qual a turma já tenha trabalho para que ela faça uma produção com a temática que desejar.   

E – Preparar um ditado com palavras que apresentem maior complexidade em relação ao bloco anterior. Sugestão: trator, avião, hipopótamo, ventilador, caderno, porta, lanterna, garfo.    

5 – Avaliação processual  

 OBJETIVO :   

Orientar a capacidade de reconhecer os avanços de cada etapa.  

 A cada dois meses, entregue o portifólio para que as crianças possam observar tudo que foi desenvolvido e aprendido. É importante orientá-las para que vejam sempre tudo desde a primeira atividade até a do momento. Após apreciação, organize uma roda onde você deve retomar tudo que foi trabalhado e as crianças possam  expressar como se avaliam neste processo. Terminada a roda de conversa, o grupo deve produzir um texto que apresente o que já foi aprendido e o que ainda desejar aprender.   

É importante também que o professor, periodicamente, avalie o material já produzido e registre em seu caderno de acompanhamento considerações sobre o que foi conquistado e os próximos desafios.

Recursos Complementares
Avaliação

A proposta já explicita que a avaliação se dá de modo processual. É fundamental, contudo, que o professor identifique em seu planejamento o que cada aluno deve progredir a partir do que lhe é proposto para o ano escolar em que se encontra. Dentre as atividades aqui indicadas, é importante que a criança perceba como se dá o processo de leitura e escrita, sobretudo quanto ao reconhecimento fonológico (relação fala – escrita), percepção quanto ao espaçamento entre palavras e desenvoltura para produção de pequenos textos conforme orientação dada. É relevante, ainda, que ela consiga identificar seus próprios avanços.    

Opinião de quem acessou

Quatro estrelas 4 classificações

  • Cinco estrelas 2/4 - 50%
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Opiniões

  • Cristiane Monteiro, Mário Covas , São Paulo - disse:
    crisnipo@gmail.com

    03/12/2013

    Quatro estrelas

    Gostei muito da proposta. Vem de encontro com meu trabalho desenvolvido. Achei que estava fazendo alguma coisa errada, mas percebi que estou no caminho certo. obrigada e continuem postando sugestões.


  • Salete, Colégio Majest , Distrito Federal - disse:
    mariadasalete12@gmail.com

    29/03/2011

    Cinco estrelas

    Gostei das sugestões e das atividades proposta. Sugestões minhas. * Registrar desde o primeiro dia da criança na escola até o final: - Escrita das vogais - Nome e seu desenvolvimento dentro e fora da escola, como passeios com os pais etc... - Escrita e leitura de pequenos textos - Pintura de desenhos ectc


  • Sonia Regina de Oliveira, EM Isabel Alves do Prado , São Paulo - disse:
    reginasonia78@yahoo.com.br

    27/02/2011

    Cinco estrelas

    O uso do portifólio é muito importante, pois nele temos uma visão ampla dos avanços e aonde podemos detectar as dificuldades e saná-las.


  • adriane wollmann, EMEF Santa Izabel , Rio Grande do Sul - disse:
    adrianewollmann@hotmail.com

    15/01/2011

    Quatro estrelas

    Muito legal. Vou adotar o uso do portfólio.


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