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O Homem Sertanejo

 

05/03/2010

Autor e Coautor(es)
maria cristina soranço miranda
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JUIZ DE FORA - MG COL DE APLICACAO JOAO XXIII

Oswaldo José Bueno Alves da Silva

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Fundamental Final Geografia Paisagens e diversidade territorial no Brasil
Ensino Fundamental Final Geografia Ambientalismo: pensar e agir
Ensino Fundamental Final Geografia Natureza e as questões socioambientais
Educação de Jovens e Adultos - 1º ciclo Estudo da Sociedade e da Natureza Cultura e diversidade cultural
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

O aluno deverá  conhecer o homem sertanejo, identificando suas condições de vida em seu habitat (sertão nordestino), sua cultura, vida familiar , profissional e suas perspectivas de vida.

Duração das atividades
Duas aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

O aluno deverá ter como conhecimentos prévios, trabalhado com os mapas- Brasil Político,Brasil Regional, Aspectos Naturais de nosso país, Aspectos econômicos e sociais da região Nordeste, áreas específicas de ocorrência da seca no Nordeste ( Polígono da Seca). Região Nordeste e suas sub-regiões.

Estratégias e recursos da aula

Atividade 1: Analisando o Habitat

Professor(a), questione a seus alunos sobre as condições de vida do sertanejo:

1-Diante das condições naturais estudadas na região nordeste, especialmente no sertão, como deve ser a vida do habitante natural desta sub-região?

2-Quais as atividades econômicas que garantem sua sobrevivência?

3-Será que as condições de vida(saúde, alimentação e escolas) são satisfatórias ?

4-Como é a estrutura familiar desta população?

5-Será que o sertanejo anseia em migrar ou está satisfeito com sua condição de vida local?

Registre as respostas no quadro-negro.

Atividade 2 – Conhecendo a realidade

Professor(a), apresente a seus alunos o texto selecionado abaixo, Leia-o em voz alta com a turma, faça uma dinâmica em sua leitura  escolhendo um aluno para ser o repórter e outro aluno ou a turma toda, para ser o sertanejo.

ENTREVISTA : AMARO JOÂO DA SILVA ( PROTóTIPO DA GERAÇÃO NANICA DO NORDESTE)
No final de novembro, o médico Meraldo Zisman, que pesquisava o problema da desnutrição no Nordeste desde 1966, examinou o trabalhador Amaro João da Silva, de 46 anos e 1,35 metro de altura.
" O componente mais significativo que gerou o nanismo de Amaro é nutricional". Os resultados confirmam que Amaro, cuja estatura equivale à de uma criança de 12 anos, é protótipo da geração nanica que se expande no Nordeste do Brasil.
Amaro tem treze filhos, não lembra o nome de todos e só com algum esforço recorda a data em que nasceu: 24 de dezembro de 1944. Morador do Engenho Bondade, em Amaraji, a 100 quilômetros do Recife, ele trabalha nos canaviais da Usina Bonfim.

VEJA - Por que o senhor cresceu pouco?
AMARO - É de tanto trabalhar e passar fome. Desde pequeno é assim.Hoje mesmo já deu meio-dia e eu estou de pé com um copo de café que tomei às 4 horas da manhã. Tem dia que a gente não sabe se vai comer ou não. Eu e a mulher damos primeiro para as crianças. Depois o que sobra fica para nós.
VEJA - O que o senhor e sua família comem?
AMARO - De manhã, só café. No almoço, comemos feijão com muita farinha e carne de charque, quando dá. De noite batata doce ou macaxeira, que eu planto na minha rocinha nos fundos da casa.
VEJA - Os seus filhos tomam leite?
AMARO - Os três novinhos tomam sim. Umalatatem que dar para o mês inteiro, então a mulher tem que misturar muita água, para a lata durar o mês todo e todos os meninos tomarem leite.
VEJA - Como o senhor acomoda toda a família numa casa de 40 metros quadrados?
AMARO - Num quarto, dormimos eu, a mulher e o filho mais novo. No outro, em duas camas, dormem os onze restantes. Noeme, a mais velha, é casada e não mora com a gente.
VEJA - O senhor não poderia aproveitar melhor a roça em que pode plantar e conseguir melhorar sua renda?
AMARO - Tudo o que eu planto na roça é para comer. Não dá para produzir mais porque é muito fraca a terra que a usina empresta para gente plantar.Aterra é boa para plantar cana.
VEJA - Como o senhor consegue dinheiro para comprar roupa?
AMARO - Os pixotinhos andam nus mesmos.Os outros usam as roupas que vão ficando dos mais velhos. Sapato, ninguém tem. Eu, como gasto roupa no trabalho, tenho duas calças e três camisas. A gente só compra roupa quando as velhas acabam e não prestam nem para lixo.
VEJA - Sabe ler e escrever?
AMARO - Também não. Há quatro anos, a usina lotou uma escola para pessoas adultas. A gente ia d enoite, mas durou pouco tempo. A professora casou, foi embora e a escola fechou.
VEJA - O que o senhor acha da usina que trabalha?
AMARO - Sou explorado por eles. Não somente eu mas todo mundo que é empregado dos usineiros. Eu trabalho há 23 anos para a Usina Bonfim. E o que eu tenho? Vou morrer como nasci: nu e com fome.
VEJA - Suas crianças tem problemas de saúde?
AMARO - Por causa do sol quente e da poeira, elas tem gripe. Tem também umas crises de vermes. QUando alguma aparece com barriga grande, eu levo pro médico da usina ou da prefeitura de Amaraji. Compro os remédios lá mesmo, se o dinheiro der.
VEJA - Como o senhor acha que é a vida numa cidade grande?
AMARO - Acho que não tem tanto sofrimento. As pessoas vivem melhor, nada de carro. Não falta comida, também porque tudo o que a gente planta aqui vai pra lá. Tem escolas para as crianças e emprego.
VEJA - Qual seu maior sonho?
AMARO - Queria ter uma casa mesmo para morar. Esta que eu moro é da usina e os homens podem me botar na rua na hora que quiserem. É só eu reclamar do serviço que eles me cortam.
VEJA - Se o senhor pudesse voltar à juventude, o que faria?
AMARO - Ia para Recife ou São Paulo. Começava a estudar e ia tentar emprego no comércio. Teria uma vida bem diferente desta minha aqui. A roça não tem mais o que dar.
VEJA – Qual futuro o senhor quer para seus filhos?
AMARO - Quero que não faltem roupa e remédio para eles. E que eles cresçam, se casem por aqui mesmo, trabalhem na cana e na roça, comigo.
Mas se algum quiser ir estudar e trabalhar no Recife, eu deixo.
(Fonte: Revista Veja, 18 de dezembro de 1991)

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Atividade 3: Refletindo sobre a realidade

Professor(a),  reflita com seus alunos a fala introdutória do texto bem como  cada uma das respostas do entrevistado. Questione a seus alunos:

1- Qual o tipo físico do entrevistado? Como é sua vida familiar?

2 - Quais as expressôes regionais observadas na falado do  entrevistado?

3- Quais suas limitações? A que podem ser associadas? (aspectos sociais e naturais locais)

4- Como é a escolaridade de sua família?

5- De maneira geral como se caracteriza sua vida profissional do entrevistado?

6- Qual sua satisfação como sertanejo?

7- O que pensa da vida numa metrópole?

8- O êxodo rural é uma aspiração do sertanejo? Por que?

9-Qual a relação de trabalho observada no texto?

10- De que forma a vida do sertanejo se relaciona às condições naturais?

Registre as respostas no quadro-negro.

Atividade 4: Representando o “retrato do sertanejo”

Professor(a), proponha a seus alunos que , desenhe numa folha ofício que será distribuída a cada um deles, o fato que foi mais significativo a cada um deles na entrevista lida. Apresente os desenhos à turma, elabore um  mural com o texto e os desenhos, colocando-o em local de destaque em sua escola.

Atividade 5: Uma nova realidade

Professor(a), reflita com a turm a como seria a vida d o sertanejo se a ele fosse oferecida condições satisfatórias  de adaptação ao meio, infra-estrutura e condições sócio-econômicas dignas ao habitante do sertão, quais seriam estas condições? Discuta com seus alunos.Faça esta análise, registrando-a no quadro-negro. Em seguida, proponha a turma, dividida em grupos , que confeccione um novo painel sobre a vida do sertanejo red esenhada pela turma e coloque-o ao lado do mural elaborado anteriormente na atividade 4, dando um título a este novo mural.

Recursos Complementares

 Geoatlas, Simielli, Maria Elena, Editora Ática, São Paulo:2005 (Identificar região tratada no texto estudado)

Revista Veja, 18/11/1991.

Avaliação

Durante  os questionamentos e solicitações nas atividades desenvolvidas durante as aulas, avalie a participação e envolvimento de seus alunos, bem como os conhecimentos construídos por eles.

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