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Sobre o gênero discursivo - Artigo de opinião do leitor

 

09/07/2010

Autor e Coautor(es)
Lazuita Goretti de Oliveira
imagem do usuário

UBERLANDIA - MG ESC DE EDUCACAO BASICA

Eliana Dias

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo Língua Portuguesa Linguagem escrita: leitura e produção de textos
Ensino Fundamental Final Língua Portuguesa Análise linguística: modos de organização dos discursos
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
  • conhecer e identificar características estruturais e funcionais do gênero artigo de opinião do leitor;
  • ler e analisar um artigo de opinião do leitor;
  • conhecer a importância da seleção lexical para se atingir objetivos determinados;
  • analisar e empregar estratégias argumentativas;
  • produzir um artigo de opinião do leitor.
Duração das atividades
05 aulas de 50 minutos cada
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
  • Distinção entre informação e opinião.
  • Conhecimento das sequências argumentativas em gêneros diversos.
Estratégias e recursos da aula
  • utilização do laboratório de informática e sala de vídeo;
  • atividades realizadas em grupo ou duplas de alunos;
  • utilização de artigos e charges veiculados na internet.

Aula 01 (50 minutos)

O discurso argumentativo tem a finalidade de persuadir ou convencer o interlocutor  de algo, para que ele compartilhe de uma opinião ou realize  um determinada ação. Um texto argumentativo leva o leitor a refletir sobre um tema e a se posicionar: o leitor pode concordar com o autor do texto, pode assumir uma posição contrária ou admitir uma integração de diferentes posicionamentos.

A argumentação está presente em diversos gêneros discursivos. Nesta aula, focaliza-se o artigo de opinião do leitor que representa um importante instrumento democrático, já que favorece o debate aberto das ideias, fundamental para a construção da cidadania. Profissionais da área jornalística, especialistas de diversas áreas de conhecimento têm no artigo de opinião um meio para expressar suas idéias ou comentar sobre fatos em geral, a partir  de  um ponto de vista particular.

Atividade 1 

1. Para apresentar o gênero - Artigo de opinião - aos alunos, o professor deverá levá-los ao laboratório de informática para assistirem ao vídeo “Do texto dissertativo ao artigo de opinião”.

Disponível no site:

http://www.authorstream.com/Presentation/valeriapreta-97562-artigo-de-opiniao-texto-disserta-education-ppt-powerpoint/  

2. Antes de assistirem ao vídeo, os alunos já deverão saber que deverão fazer as seguintes anotações  sobre o vídeo assistido:

  • Artigo de opinião: definição; estrutura composicional.

Atividade 2

O professor deverá reproduzir (xerocar) para os alunos o artigo de Stephen Kanitz – Como escrever um bom artigo. Após a leitura do texto, os alunos deverão realizar, em grupo de três elementos, as atividades propostas abaixo.

Observação: O professor deverá levar  uma revista Veja  para a sala de aula e mostrar aos alunos que   Kanitz é colunista desta revista desde 1998, na seção Ponto de Vista.

Texto:

Como escrever um bom artigo

 Escrever um bom artigo é bem mais fácil do que a maioria das pessoas pensa. No meu caso, português foi sempre a minha pior matéria. Meu professor de português, o velho Sales, deve estar se revirando na cova.

Ele que dizia que eu jamais seria lido por alguém. Portanto, se você sente que nunca poderá escrever, não desanime, eu sentia a mesma coisa na sua idade.

Escrever bem pode ser um dom para poetas e literatos, mas a maioria de nós está apta para escrever um simples artigo, um resumo, uma redação tosca das próprias idéias, sem mexer com literatura nem com grandes emoções humanas.

O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples. Cada colunista tem os seus padrões. Eu vou detalhar alguns dos meus e espero que sejam úteis para você também.

1. Eu sempre escrevo tendo uma nítida imagem da pessoa para quem eu estou escrevendo. Na maioria dos meus artigos para a Veja, por exemplo, eu normalmente imagino alguém com 16 anos de idade ou um pai de família.

Alguns escritores e jornalistas escrevem pensando nos seus chefes, outros escrevem pensando num outro colunista que querem superar, alguns escrevem sem pensar em alguém especificamente.

A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo, algo na minha opinião meio impossível. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos.

O mundo está emburrecendo porque a TV em massa e os grandes jornais não conseguem mais explicar quase nada, justamente porque escrevem para todo mundo ao mesmo tempo. E aí, nenhum das centenas de grupos que compõem a sociedade brasileira entende direito o que está acontecendo no país, ou o que está sendo proposto pelo articulista. Os poucos que entendem não saem plenamente ou suficientemente convencidos para mudar alguma coisa.

2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Se você for jovem, você é presa fácil para este estilo, porque todo jovem quer se incluir na sociedade.

Mas não o faça pela erudição, que é sempre conhecimento de segunda mão. Escreva as suas experiências únicas, as suas pesquisas bem sucedidas, ou os erros que já cometeu.

Querer se mostrar é sempre uma tentação, nem eu consigo resistir de vez em quando de citar um Rousseau ou Karl Marx. Mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem.

Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. Seu objetivo será deixar o seu leitor, no final da leitura, tão informado quanto você, pelo menos na questão apresentada.

Portanto, o objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência. Isto, o leitor irá decidir por si, dependendo de quão convincente você for.

3. Reescrevo cada artigo, em média, 40 vezes. Releio 40 vezes, seria a frase mais correta porque na maioria das vezes só mudo uma ou outra palavra, troco a ordem de um parágrafo ou elimino uma frase, processo que leva praticamente um mês.

Ninguém tem coragem de cortar tudo o que tem de ser cortado numa única passada. Parece tudo tão perfeito, tudo tão essencial. Por isto, os cortes são feitos aos poucos.

Depois tem a leitura para cuidar das vírgulas, do estilo, da concordância, das palavras repetidas e assim por diante. Para nós, pobres mortais, não dá para fazer tudo de uma vez só, como os literatos.

Melhor partir para a especialização, fazendo uma tarefa BEM FEITA por vez.

Pensando bem, meus artigos são mais esculpidos do que escritos. Quarenta vezes talvez seja desnecessário para quem for escrever numa revista menos abrangente. Vinte das minhas releituras são devido a Veja, com seu público heterogêneo onde não posso ofender ninguém.

Por exemplo, escrevi um artigo "Em terra de cego quem tem um olho é rei". É uma análise sociológica do Brasil e tive de me preocupar com quem poderia se sentir ofendido com cada frase.

O Presidente Lula, apesar do artigo não ter nada a ver com ele, poderia achar que é uma crítica pessoal? Ou um leitor achar que é uma indireta contra este governo? Devo então mudar o título ou quem lê o artigo inteiro percebe que o recado é totalmente outro?

Este é o tipo de problema que eu tenho, e espero que um dia você tenha também.

O meu primeiro rascunho é escrito quando tenho uma inspiração, que ocorre a qualquer momento lendo uma idéia num livro, uma frase boba no jornal ou uma declaração infeliz de um ministro. Às vezes, eu tenho um bom título e nada mais para começar. Inspiração significa que você tem um bom início, o meio e dois bons argumentos. O fechamento vem depois.

Uma vez escrito o rascunho, ele fica de molho por algum tempo, uma semana, até um mês. O artigo tem de ficar de molho por algum tempo. Isso é muito importante.

Escrever de véspera é escrever lixo na certa. Por isto, nossa imprensa vem piorando cada vez mais, e com a internet nem de véspera se escreve mais. Internet de conteúdo é uma ficção. A não ser que tenha sido escrito pelo próprio protagonista da notícia, não um intermediário.

A segunda leitura só vem uma semana ou um mês depois e é sempre uma surpresa. Tem frases que nem você mais entende, tem parágrafos ridículos, mas que pelo jeito foi você mesmo que escreveu. Tem frases ditas com ódio, que soam exageradas e infantis, coisa de adolescente frustrado com o mundo. A única solução é sair apagando.

O artigo vai melhorando aos poucos com cada releitura, com o acréscimo de novas idéias, ou melhores maneiras de descrever uma idéia já escrita

Estas soluções e melhorias vão aparecendo no carro, no cinema ou na casa de um amigo. Por isto, os artigos andam comigo no meu Palm Top, para estarem sempre à disposição.

Normalmente, nas primeiras releituras tiro excessos de emoção. Para que taxar alguém de neoliberal, só para denegri-lo? Por que dar uma alfinetada extra? É abuso do seu poder, embora muitos colunistas fazem destas alfinetadas a sua razão de escrever.

Vão existir neoliberais moderados entre os seus leitores e por que torná-los inimigos à toa? Vá com calma com suas afirmações preconceituosas, seu espaço não é uma tribuna de difamação.

4. Isto leva à regra mais importante de todas: você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo você terá que começar convencendo os conservadores a mudar.

Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia.

Quando detecto a ideologia de um jornalista eu deixo de ler a sua coluna de imediato. Afinal, quero alguém imparcial noticiando os fatos, não o militante de um partido. Se for para ler ideologia, prefiro ir direto na fonte, seja Karl Marx ou Milton Friedman. Pelo menos, eles sabiam o que estavam escrevendo.

É muito mais fácil escrever para a sua galera cativa, sabendo que você vai receber aplausos a cada "Fora Governo" e "Fora FMI". Mas resista à tentação, o mercado já está lotado deste tipo de escritor e jornalista. Economizaríamos milhares de árvores e tempo se graças a um artigo seu, o Governo ou o FMI mudassem de idéia.

5. Cada idéia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez você explica de um jeito, na segunda você explica de outro. Muitas vezes, eu tento encaixar ainda uma terceira versão.

Nem todo mundo entende na primeira investida, a maioria fica confusa. A segunda explicação é uma nova tentativa e serve de reforço e validação para quem já entendeu da primeira vez.

Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. Eu odeio aqueles mapas de sítio de amigo que se você errar uma indicação você estará perdido para sempre. Imagine uma instrução tipo: "se você passar o posto de gasolina, volte, porque você ultrapassou o nosso sítio".

Ou seja, repeti acima uma idéia mais ou menos quatro vezes, e mesmo assim muita gente ainda não vai saber o que quer dizer "redundância" e muitos nunca vão seguir este conselho.

Neste mesmo exemplo acima também misturei teoria e dois exemplos práticos. Teoria é que informação para ser transmitida precisa de alguma redundância, o posto de gasolina foi um exemplo.

Não sei por que tanto intelectual teórico não consegue dar a nós, pobres mortais, um único exemplo do que ele está expondo. Eu me recuso a ler intelectual que só fica na teoria, suspeito sempre que ele vive numa redoma de vidro.

6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado. Se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado.

Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder, dar alguns argumentos importantes, e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só, e se sentirá um gênio.

Se você fizer todo o trabalho sozinho, o gênio será você, mas você não mudará o mundo, e perderá os aliados que quer ter.

Num artigo sobre erros graves de um famoso Ministro, fiquei na dúvida se deveria sugerir que ele fosse preso e nos pagar pelo prejuízo de 20 bilhões que causou, uma acusação que poderia até gerar um processo na justiça por difamação.

Por isto, deixei a última frase de fora. Mostrei o artigo a um amigo economista antes de publicá-lo, e qual não foi a minha surpresa quando ele disse indignado: "um ministro desses deveria ser preso". A última frase nem foi necessária.

Portanto, não menospreze o seu leitor. Você não estará escrevendo para perfeitos idiotas e seus leitores vão achar seus artigos estimulantes. Vão achar que você os fez pensar.

7. O sétimo truque não é meu, aprendi num curso de redação. O professor exigia que escrevêssemos um texto de quatro páginas. Feita a tarefa, pedia que tudo fosse reescrito em duas páginas sem perder conteúdo.

Parecia impossível, mas normalmente conseguíamos. Têm frases mais curtas, têm formas mais econômicas, tem muita lingüiça para retirar. Em dois meses aprendemos a ser mais concisos, diretos, e achar soluções mais curtas. Depois, éramos obrigados a reescrever tudo aquilo novamente em uma única página, agora sim perdendo parte do conteúdo. Protesto geral, toda frase era preciosa, não dava para tirar absolutamente nada. Mas isto nos obrigava a determinar o que de fato era essencial ao argumento, e o que não era.

Graças a esse treino, a maioria das pessoas me acha extremamente inteligente, o que lamentavelmente não sou, fui um aluno médio a vida inteira. O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino.

Portanto, mãos à obra. Boa sorte e mudem o mundo com suas pesquisas e observações fundamentadas, não com seus preconceitos.

Disponível em:

http://www.kanitz.com.br/impublicaveis/como_escrever_um_artigo.asp 

Questões sobre o texto

1.Qual o argumento utilizado pelo autor para convencer o escritor iniciante a escrever um artigo de opinião?

2. Kanitz cita sete segredos para se escrever um bom artigo. Faça uma síntese de cada um deles.

3. Observe este trecho do texto: O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino. Você concorda com o autor a respeito  de como se conseguir a habilidade de escrever de forma concisa? Justifique sua resposta.

4. Você acha que é possível por em prática as regras apresentadas por Kanitz para se escrever um bom artigo? Justifique sua resposta.

  • Depois de respondidas as questões, o professor deverá pedir a alguns alunos que leiam suas respostas. Deverá aproveitar para comentá-las e explorá-las ao máximo, chamando a tenção dos estudantes para a questão do treino, da refacção e etc.

Aula 2 (50 minutos)

Atividade 1 

Para ativar o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema que será abordado na sequência – a Copa do Mundo de 2014 no Brasil -, o professor deverá reproduzir (xerocar) para os alunos  a charge abaixo. As questões apresentadas abaixo deverão ser utilizadas pelo professor para conversar com os alunos a respeito da charge.

Disponível em:

http://2.bp.blogspot.com/_jHXHGdmvSiU/R12pQ8FDoMI/AAAAAAAAAgI/fBHA8Sp4GLE/s400/duke_copa2014enossa.jpg  

1.Observe  a expressão do torcedor no primeiro quadrinho: como ele se sente? Por quê?

2.  Observe todos os quadrinhos da charge:

a. Pode-se dizer que há uma gradação na mudança de expressão do torcedor? Explique.

b. Nessa escala gradativa, qual o problema que deixa o torcedor mais triste?

c. Enumere, em uma ordem crescente, os fatos que deixam o torcedor triste.

3. Geralmente o chargista critica problemas sociais por meio do humor. O  que está sendo criticado nessa charge? Comente.

Atividade 2

I - O professor deverá reproduzir para os alunos o artigo de opinião apresentado abaixo.

O contagiante clima da Copa do Mundo já chegou!

O próximo passo desse devaneio coletivo está nas ruas: avôs, pais, filhos e netos discutem para trocar as figurinhas do álbum da Copa.

Por Cláudio Carneiro, publicado em 14/05/2010.

Dias depois da convocação dos jogadores brasileiros que vão disputar a Copa do Mundo da África do Sul, o Brasil já respira aquele gás delirante que contamina todo o país e que nos leva a fazer loucuras como pintar ruas, calçadas e muros, a cobrar pedágios ilegais em plena rua para comprar uma singela lata de tinta e a vestirmos aquela combinação de verde e amarelo que não adotamos em tempo algum. O próximo passo desse devaneio coletivo está nas ruas: avôs, pais, filhos e netos discutem para trocar as figurinhas do álbum da Copa. Sexagenários e teens se misturam nas esquinas e praças, negociam e batem o “bafo” atrás do cromo desejado. Em algumas empresas, a troca de figurinhas do álbum da italiana Panini – com filiais em diversos países e faturamento anual de US$ 60 milhões – virou uma febre e acabou proibida.

Num passe de mágica, quase 193 milhões de brasileiros, segundo dados do pop clock do IBGE, se transformam em treinadores e escalam suas melhores seleções – sempre diferentes daquela escolhida pelo treinador que tem apelido de anão: o Zangado. Com o andar da competição, gritamos com a TV, ofendemos todas as gerações do Galvão, organizamos churrascos, cervejadas e promovemos encontros de família e de vizinhos que a rotina – em sua sã consciência – jamais nos permitiria.

É o clima de Copa do Mundo. Pelo menos no Brasil, a vida se concentra em uma tela do televisor e numa tabela colorida de prognósticos e resultados. Participar de um bolão de apostas é de lei. A Dilma, o Serra e a Marina podem esperar. Aliás, ano de Copa não deveria ter eleições. Mas sempre tem. Uma contamina a outra. Não dá pra deixar os políticos livres, leves e soltos enquanto assistimos aos jogos. Seria um perigo. Assim como não é possível concentrar-se em programas e campanhas quando o Kaká dá aquela arrancada do meio de campo, o Cristiano Ronaldo ginga ou o Messi  parte ensandecido para o ataque.

Fundada em Paris, no dia 21 de maio de 1904, a Fifa – entidade que organiza e regulamenta o futebol mundial – recebe todos os holofotes quando se aproxima o grande evento em que se transformou a Copa do Mundo. Desde que o brasileiro João Havelange passou por lá, a dinâmica da velha federação do “nobre esporte bretão” – “balípodo” para os muito mais velhos – mudou muito. Durante anos, a Fifa esteve esquecida num andar de um pequeno prédio em Zurique, na Suíça.

Fifa é maior que a ONU

Hoje, a federação representa 208 países em todo o mundo, com mais afiliadas do que as Nações Unidas, por exemplo, ou mesmo que o Comitê Olímpico Internacional. A Fifa aumentou de 16 para 24 – e depois para 32 – o número de participantes de cada edição de Copa do Mundo e garantiu a realização de copas em países de pouca tradição como os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Atualmente, a sede da Fifa ocupa uma área de 44 mil m².

Em 98, Havelange deixou asfaltado o caminho para a eleição de Joseph Blatter, que – afirmam os inimigos – recebe US$ 2,4 milhões anuais e garantiu a própria eternidade no cargo ao prorrogar mandatos e cancelar eleições. Nos estatutos da entidade estão contidas as leis básicas do futebol mundial, nas quais são definidas inúmeras regras sobre competições, transferências, questões de doping e um código de ética.

Constam ali proibições claras a qualquer tipo de preconceito, seja de origem étnica, de gênero, idioma, política ou religiosa. A FIFA tem a missão de contribuir na direção da construção de um futuro melhor para o mundo, utilizando, para tanto, a força e a popularidade do futebol. “É isso que dá sentido e direção a cada uma das atividades em que a FIFA está envolvida — o futebol como parte integrante de nossa sociedade” diz o texto de seu site.

A despeito de toda essa “papelada”, o futebol ainda sofre com o preconceito racial – Grafite que o diga – e com a violência no campo, arquibancadas e nas ruas. Além disso, a Fifa se mostra reticente a modernidades – replays e tirateimas – que evitariam erros clamorosos de arbitragem e agressões. Muitos acreditam que a introdução da tecnologia tiraria do futebol os ingredientes que o fazem mais interessante: a possibilidade do erro, a contradição e uma certa injustiça que permite – por exemplo – a “paradinha” na cobrança do pênalti. E o mais importante: aquela deliciosa gozação no dia seguinte de um grande jogo.

Caro leitor,

A seleção que vai à Copa reúne os melhores jogadores brasileiros?

O ano de Copa combina com eleições?

Fifa de Havelange foi melhor que a de Blatter?

A tecnologia ajudaria ou atrapalharia o futebol?

Disponível em:

http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/tendencias-debates/o-contagiante-clima-da-copa-do-mundo-ja-chegou/  

II - Após a leitura oral do texto, feita pelo professor, os alunos deverão responder, em dupla, às questões seguintes.

1. Quem é o autor do artigo? Onde ele foi publicado?

2. Esse artigo poderia ser veiculado em outros veículos de comunicação? Quais?

3. A que público é dirigido esse artigo? Justifique.

4. Qual a variante lingüística predominante no texto?  Em sua opinião, o que justifica essa escolha?

5. Qual o assunto focalizado no artigo? Qual é a opinião do autor sobre esse assunto?

6. Em um artigo de opinião, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa usar bons argumentos. Identifique argumentos utilizados pelo autor para sustentar a opinião por ele apresentada.

7. Identifique, no artigo lido, se as regras  de número 1, 5 e 6, apresentadas por Kanitz  em “Para escrever um bom artigo” foram acatadas pelo autor. Justifique sua resposta.

8. O articulista termina o texto se dirigindo ao leitor – “Caro leitor” –  fazendo-lhe  quatro perguntas. Estas perguntas são de natureza retórica, isto é, o autor indiretamente já  as respondeu ao longo do texto. Quais seriam as respostas para estas perguntas? Você concorda com o autor? Justifique sua resposta.

Aula 3 (50 minutos)

Atividade

I - O professor deverá reproduzir para os alunos o artigo de opinião do leitor  em resposta ao artigo analisado na Aula 02 - O contagiante clima da Copa do Mundo já chegou! -  para ser analisado.

 Leitor comenta matéria sobre Copa do Mundo

Você já deu sua opinião?

Publicado em 15/05/2010  

O leitor Markut comentou na matéria “O contagiante clima da Copa do Mundo já chegou!“ e foi escolhido como autor da melhor carta da semana pelo Opinião e Notícia. Confira abaixo. Você já deu sua opinião?

Ano de Copa coincidindo com eleições é um prato cheio para os nossos nobres e dignos representantes, pois é muito mais facil desviar as atenções da galera para os habituais malfeitos e engodos.

De qualquer forma, sendo eu um dos 193 milhões de técnicos, creio que o Dunga está procurando romper o absurdo encantamento das ditas estrelas do futebol, cansadas de carregar milionários logotipos nas suas camisas e não sobrando energia e entusiasmo para o quê? Para jogar futebol … Quem sabe melhor do que ninguém esse fato é o próprio Dunga, uma vez que cartolas estão aí para ganhar dinheiro e não para dignificar o esporte.

Não creio que as mudanças de comando na Fifa irão alterar o espírito mercantil do grande negócio.

Por outro lado, o jogo mercantilizado tem o compromisso de manter um estado de tensões na torcida e não é conveniente explicitar tudo, tim tim, por tim tim, graças aos recursos que a tecnologia possa oferecer.

É bom manter sempre um certo mistério.

Melhor do que isso, são as violentas torcidas “organizadas” (por quem?) porque, isso sim cria um conveniente clima de excitação altamente lucrativo.

A mídia  acumpliciada e também voraz se incumbirá de manter o devido frenesi.

Deixa assim que está bom! Essas modernidades “atrapalham”.

Disponível em:

http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/leitor/leitor-comenta-materia-sobre-copa-do-mundo/  

Aula 4 (50 minutos)

Atividade

I - O professor deverá reproduzir para os alunos o artigo de opinião do leitor  em resposta ao artigo analisado na Aula 02 - O contagiante clima da Copa do Mundo já chegou! -  para ser analisado.

Leitor comenta matéria sobre Copa do Mundo Você já deu sua opinião?

 Publicado em 15/05/2010  

O leitor Markut comentou na matéria “O contagiante clima da Copa do Mundo já chegou!“ e foi escolhido como autor da melhor carta da semana pelo Opinião e Notícia. Confira abaixo. Você já deu sua opinião?

Ano de Copa coincidindo com eleições é um prato cheio para os nossos nobres e dignos representantes, pois é muito mais fácil desviar as atenções da galera para os habituais malfeitos e engodos.

De qualquer forma, sendo eu um dos 193 milhões de técnicos, creio que o Dunga está procurando romper o absurdo encantamento das ditas estrelas do futebol, cansadas de carregar milionários logotipos nas suas camisas e não sobrando energia e entusiasmo para o quê? Para jogar futebol … Quem sabe melhor do que ninguém esse fato é o próprio Dunga, uma vez que cartolas estão aí para ganhar dinheiro e não para dignificar o esporte.

Não creio que as mudanças de comando na FIFA irão alterar o espírito mercantil do grande negócio.

Por outro lado, o jogo mercantilizado tem o compromisso de manter um estado de tensões na torcida e não é conveniente explicitar tudo, tim tim, por tim tim, graças aos recursos que a tecnologia possa oferecer.

É bom manter sempre um certo mistério.

Melhor do que isso são as violentas torcidas “organizadas” (por quem?) porque, isso sim cria um conveniente clima de excitação altamente lucrativo.

A mídia  acumpliciada e também voraz se incumbirá de manter o devido frenesi.

Deixa assim que está bom! Essas modernidades “atrapalham”.

Disponível em:

http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/leitor/leitor-comenta-materia-sobre-copa-do-mundo/ 

II - Questões sobre o texto. 

1. Professor, retome as questões que o articulista do texto “O contagiante clima da Copa do Mundo já chegou!” faz ao leitor para o aluno responder às questões abaixo:

Caro leitor,

A seleção que vai à Copa reúne os melhores jogadores brasileiros?

O ano de Copa combina com eleições?

A Fifa de Havelange foi melhor que a de Blatter? A tecnologia ajudaria ou atrapalharia o futebol?

a. O leitor responde às perguntas? Justifique.

2. Qual é a opinião do  leitor em relação ao fato de o ano da Copa do Mundo coincidir com o ano das eleições?

3. Comente a  seguinte opinião do leitor:

 [...] o jogo mercantilizado tem o compromisso de manter um estado de tensões na torcida e não é conveniente explicitar tudo, tim tim, por tim tim, graças aos recursos que a tecnologia possa oferecer.

4. Qual a opinião do leitor a respeito das torcidas organizadas?

5. É possível fazer uma associação entre esse artigo e a charge de Duke – analisada na Aula 02. Explique.

Aula 05 (50 minutos) 

Atividade de Produção de texto 

I- O professor deverá reproduzir (xerocar) para os alunos o artigo “Mais um posicionamento sobre a COPA 2014” e charge sobre a preparação do Brasil para sediar a Copa de 2014, apresentados na sequência.

Mais um posicionamento sobre a COPA 2014 Por Paulo De' Carli Desculpem minha ausência! Estive viajando para fora do país, resolvendo negócios empresariais e pessoais, assuntos que me tomaram toda a atenção e tempo.

É interessante que, mesmo eu estando focado nesses assuntos, tive contato com muitas pessoas que naturalmente acabaram perguntando sobre o Brasil e o Amazonas. Em uma destas conversas veio o assunto COPA 2014 e a preparação da organização deste mega evento, principalmente sendo nosso país a “pátria do futebol”.

Um dos empresários que participava de uma roda de bate-papo disparou: “Paulo, vocês têm que mudar alguns detalhes na legislação brasileira para facilitar o acesso dos turistas que visitarão o Brasil durante a Copa e as Olimpíadas do Rio. Por exemplo: O limite de recursos em dinheiro para entrada nos Estados Unidos é de U$ 10 mil dólares por pessoa. No Brasil, o limite de entrada de dinheiro com os turistas é também de 10 mil, só que reais e não dólares. Resultado, um turista alemão que vá passar 20 dias durante a Copa do Mundo no Brasil tem apenas a metade dos recursos para gastar durante sua viagem, em relação ao que teria se fossem visitar os Estados Unidos pelo mesmo período. Finalmente, vocês não acham mais inteligente equiparar esta limitação ao dólar e assim conseguir que circule muito mais dinheiro no país durante estes eventos?”

O comentário/pergunta me deixou sem resposta. Depois fui amadurecendo a idéia e sinceramente cheguei à conclusão óbvia. Independente da possibilidade de uso de cartões de crédito e de débito (ATM), o que minimiza o eventual desconforto ao turista visitante, não resta a menor dúvida de que, para diversos segmentos comerciais e de prestação de serviços, o fato de poderem estes visitantes carregar mais dinheiro consigo na viagem para o Brasil, aumentará muito a circulação de dólares entre taxistas, guias turísticos, pequenas lojas e feiras de artesanato, etc. Claro que tem que aumentar também a segurança nas nossas cidades, para que os bandidos brasileiros não tenham mais uma fonte de fomento… (risos)

Fica aí, portanto, mais uma sugestão para as nossas autoridades. Quem sabe nossa bancada federal possa levantar esta bandeira. Aumentar o limite de entrada de recursos financeiros de R$ 10 mil reais para US$ 10 mil dólares poderá significar uma entrada substancial a mais de dólares na nossa economia através da indústria do turismo. E a Copa 2014 é uma excelente oportunidade para discutirmos estas soluções.

 Artigo e Charge disponíveis em: 

http://paulodecarli.files.wordpress.com/2010/02/monkeynews_04_charge_copa_myrria.jpg 

 II – Após a leitura oral do texto, feita pelo professor, os alunos deverão produzir um artigo de opinião do leitor comentando o artigo “Mais um posicionamento sobre a COPA 2014”.

Orientações para a produção do texto:

a. Ao compor seu texto, leve em consideração o interlocutor: quem irá ler a sua produção. A linguagem deve ser adequada ao gênero e ao perfil do público leitor.

b. Pense num enunciado capaz de expressar a ideia principal que pretende defender.

c. Utilize argumentos para fundamentar a ideia principal de seu texto e desenvolva-os de maneira coerente.

d. Pense na melhor forma possível de concluir seu texto: retome o que foi exposto, ou confirme a ideia principal.

e. Crie um título que desperte o interesse e a curiosidade do leitor.

Recursos Complementares

Para reforçar as informações sobre a estrutura composicional do gênero Artigo de opinião do leitor, o professor poderá exibir para os alunos os seguintes vídeos:

Vídeos 1 e 2: Argumentação e linguagem dissertativa

Disponíveis respectivamente em:

http://www.youtube.com/watch?v=8kLnFmg1RjA 

http://www.youtube.com/watch?v=apZIlPwz-PU&feature=related 

Avaliação

Os alunos serão avaliados coletivamente durante a realização das atividades de interpretação e análise dos  textos e, individualmente, por meio da produção de um artigo de opinião do leitor, quando eles poderão demonstrar o conhecimento a respeito da estrutura composicional desse gênero.

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