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A questão indígena na colonização portuguesa no Brasil

 

12/01/2011

Autor e Coautor(es)
ALINNE GRAZIELLE NEVES COSTA
imagem do usuário

UBERLANDIA - MG ESC DE EDUCACAO BASICA

Elmiro Lopes da Silva, Aléxia Pádua Franco

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Médio História Processo histórico: nações e nacionalidades
Educação Escolar Indígena História História do nosso povo
Ensino Fundamental Final História Nações, povos, lutas, guerras e revoluções
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Analisar aspectos do “encontro de culturas” protagonizado por portugueses e nativos brasileiros.

Compreender mudanças na cultura nativa surgidas pela exploração de pau-brasil e pela convivência com os missionários jesuítas. 

Respeitar a forma de viver, os valores e as necessidades dos povos indígenas.

Duração das atividades
05 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Mercantilismo.

Expansão ultramarina europeia.

Brasil antes dos portugueses.

Fundamentos da colonização portuguesa.

Estratégias e recursos da aula

Atividade 1- Os índios e a extração de pau-brasil

Nesta atividade, iremos refletir sobre a participação dos indígenas na exploração de pau-brasil.

PARTE 1- Derrubada do pau-brasil

Levar para os alunos a imagem abaixo. Questões pertinentes (registrar e responder no caderno):

  1. Como é o cenário retratado na imagem?
  2. O que as pessoas estão fazendo?
  3. Qual será a relação dessa atividade com a chegada dos portugueses no Brasil?

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(clique na imagem para ampliar)

Título: Derrubada do pau-brasil

Autor: André Thevet (1502–1590)

Ano: 1515

Imagem disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cb/Derrubada_do_Pau_Brasil.jpg 

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=> Caro professor, procure o(a) professor(a) de Artes/Educação Artística. Nesta colaboração cabe, por exemplo, uma pesquisa sobre a vida e obra de André Thevet, a ser realizada pelos alunos e orientada/avaliada pelos professores de História e Artes/Educação Artística. Abaixo uma foto desse personagem histórico:

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Imagem disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Andr%C3%A9_Thevet.jpg 

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Algumas questões a serem respondidas na pesquisa:

  • Quem foi André Thevet?
  • Local e ano de nascimento e de falecimento.
  • Quais as suas principais atividades desenvolvidas no Brasil?

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Link indicado para a realização da pesquisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Th%C3%A9vet 

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PARTE 2- O escambo

Como sabemos, o pau-brasil foi a primeira riqueza natural explorada pelos portugueses no Brasil. A extração foi declarada monopólio real, isto é, só poderia explorar a madeira quem tivesse uma concessão da Coroa portuguesa.

Levar para os alunos o fragmento de texto abaixo, que versa sobre a participação indígena na exploração de pau-brasil.

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"E eis que o europeu descobre o pau-brasil

A participação de nossos indígenas na extração do pau-brasil foi fundamental, pois somente as tripulações dos navios não davam conta de cortar e transportar uma árvore de grande porte.

A princípio, o trabalho indígena foi conseguido por meio da prática do escambo, isto é, mediante a troca por algumas bugigangas e quinquilharias que despertavam neles grande interesse, como, pedaços de tecido, espelhos, e, às vezes, facas e canivetes.

Mais habilitados no trato com os indígenas, os contrabandistas franceses, no entanto, conseguiram maiores vantagens que os portugueses. Porém, seu sistema de extração causou graves prejuízos às matas: ao invés de cortar as árvores, ateavam fogo na parte inferior do tronco, provocando assim muitos incêndios, que matavam animais e destruíam preciosas essências.

Pau-brasil: lucros à vista, destruição a prazo

Em pouco tempo, o índio passou a perceber o real comportamento do homem europeu. Quando, por qualquer motivo, ele se recusava a realizar o trabalho desejado pelos europeus, estes apelavam para a violência e para o trabalho escravo.

(...)"

Fragmento extraído do texto disponível no site Testemunhas do Descobrimento, por meio do link: http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/paubrasil/cap2/testemunha.htm 

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Para discutir o texto (registrar e responder no caderno):

  1. Explicar os "benefícios" para os índios ao participarem da extração de pau-brasil.
  2. Por que a exploração da madeira era danosa à natureza?
  3. Quais diferenças entre a cultura nativa e a cultura dos europeus notamos no texto?

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=> Professor, recomenda-se que o segundo momento desta atividade seja a socialização das percepções dos alunos acerca das questões levantadas. Dessa forma, as respostas produzidas devem ser expostas, comentadas e discutidas com a turma. 

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Atividade 2- Os jesuítas e a "civilização" dos índios

A vinda dos jesuítas para o Brasil influenciou significativamente a vida dos nativos que aqui viviam, das mais diferentes tribos.

Adiante temos uma representação do trabalho realizado pelos jesuítas.

Levar para os alunos esta imagem, e depois o texto que segue abaixo, para discutir as tentativas de "civilização" dos índios pelos missionários da Companhia de Jesus.

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"Jesuístas catequizando os índios"

Imagem disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/iconograficos/Jesuitas_catequizando_indios.jpg 

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=> Depois da análise da imagem, solicitar a leitura e vocabulário do texto, assinado por Rainer Sousa - Mestre em História:

"Jesuítas

Os jesuítas faziam parte de uma ordem religiosa católica chamada Companhia de Jesus. Criados com o objetivo de disseminar a fé católica pelo mundo, os padres jesuítas eram subordinados a um regime de privações que os preparavam para viverem em locais distantes e se adaptarem às mais adversas condições. No Brasil, eles chegaram em 1549 com o objetivo de cristianizar as populações indígenas do território colonial.

Incumbidos dessa missão, promoveram a criação das missões, onde organizavam as populações indígenas em torno de um regime que combinava trabalho e religiosidade. Ao submeterem as populações aos conjuntos de valor da Europa, minavam toda a diversidade cultural das populações nativas do território. Além disso, submetiam os mesmos a uma rotina de trabalho que despertava a cobiça dos bandeirantes, que praticavam a venda de escravos indígenas.

Ao mesmo tempo em que atuavam junto aos nativos, os jesuítas foram responsáveis pela fundação das primeiras instituições de ensino do Brasil Colonial. Os principais centros de exploração colonial contavam com colégios administrados dentro da colônia. Dessa forma, todo acesso ao conhecimento laico da época era controlado pela Igreja. A ação da Igreja na educação foi de grande importância para compreensão dos traços da nossa cultura: o grande respaldo dado às escolas comandadas por denominações religiosas e a predominância da fé católica em nosso país.

Além de contar com o apoio financeiro da Igreja, os jesuítas também utilizavam da mão-de-obra indígena no desenvolvimento de atividades agrícolas. Isso fez com que a Companhia de Jesus acumulasse um expressivo montante de bens no Brasil. Fazendas de gado, olarias e engenhos eram administradas pela ordem. Ao longo da colonização, os conflitos com os bandeirantes e a posterior redefinição das diretrizes coloniais portuguesas deram fim à presença dos jesuítas no Brasil.

(...)"

Para ler o restante do texto, use este link: http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/jesuitas.htm 

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Possibilidades para explorar questões essenciais do texto (registrar e responder no caderno):

  1. Com qual objetivo os missionários jesuítas vinham para o Brasil?
  2. De que maneira eles influenciaram na forma de viver e nos valores indígenas?
  3. Relacionar o texto com a imagem anteriormente analisada.

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=> Professor, recomenda-se que o segundo momento desta atividade seja a socialização das percepções dos alunos acerca das questões levantadas. Dessa forma, as respostas produzidas devem ser expostas, comentadas e discutidas com a turma.

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Atividade 3- A transformação da cultura indígena

Depois de vários séculos de convívio com a "civilização branca", os indígenas brasileiros tiveram suas formas de viver modificadas. Esses nativos, tão diversos em quantidade e riqueza cultural, tiveram sua cultura influenciada pela presença europeia.

Por meio dos jesuístas, que buscaram convertê-los ao catolicismo; dos exploradores de madeira, que lhes impuseram uma relação depredativa com a natureza; por meio do processo colonizador português, enfim, que adentrou o Brasil devastando territórios e culturas inteiras.

Para debater essas e outras questões relativas à transformação da cultura indígena, faremos o uso de documentos musicais.

A música escolhida está no disco "TXAI", de Milton Nascimento, lançado em 1990.

Neste trabalho o artista mineiro cantou a sua identificação com a música dos índios. Assim, o disco traz músicas de seu repertório como compositor e também várias gravações ao vivo feitas durante viagens de Milton ao Acre, Rondônia e outros pontos da Amazônia. São gravações de música nativa, ou seja, o canto dos povos da floresta.

Abaixo foto dessa época, do artista com um nativo:

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Milton Nascimento com um jovem índio

Imagem disponível no blog programa de índio: http://www.programadeindio.org/wp-content/uploads/2009/03/omf00072.jpg 

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=> Dinâmica sugerida:

  • Proporcionar aos alunos a audição da música.
  • Levar a letra da música impressa, ou projetá-la para os alunos.
  • Solicitar aos alunos a audição seguindo a letra.

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YANOMAMI E NÓS (Pacto da vida) / CURI CURI

 

Link do YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=kM4pI-WUtXo&feature=fvsr 

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YANOMAMI E NÓS (Pacto da vida) - Letra

Ter de resisti à dor, à dor.

Sem comprender por que à dor, à dor.

Ter de suportar viver à dor, à dor.

E sem merecer à dor, à dor.

-

Se é esse o meu destino, quem é o algoz que o traçou.

Quem me contaminou.

Quem me doou a dor.

-

Homem não existe para ser só animal.

A sua história é mais que corporal.

Abre o sentido para ter, a liberdade.

Com todo mundo que é seu igual, e solidário.

Pensará... Amará... Sonhará... Saberá...

Que a felicidade da cidade não tem que o mato matar.

-

Aí a dor vai nos unir,

O fim da dor começa é assim,

É o filho que não para de crescer,

A fruta que vai madurar,

Aquela mão, aquela paz, morena, é aquele olhar

Que é sempre, verde verdejá

É aquele gesto humano,

É aquela voz humana,

É aquele amor humano, que chega e diz que vai ficar.

-

Letra da música disponível em: http://www.vagalume.com.br/milton-nascimento/yanomami-e-nos.html#ixzz15XjQJu8S 

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Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Gravação: Milton Nascimento

Disco: Txai (imagem da capa abaixo)

Editora: CBS

Ano: 1990

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(clique para ampliar)

Imagem disponível em: http://www.musicnear.com/images/Txai-B0000027EX-L.jpg 

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Para analisar a letra da música (registrar e responder no caderno):

  1. Qual seria a "dor" a que se referem os autores da letra?
  2. Identifique na letra elementos que distinguem a cultura indígena dos "brancos"?
  3. Interpretar a passagem "Que a felicidade da cidade não tem que o mato matar."

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=> Professor, recomenda-se que o segundo momento desta atividade seja a socialização das percepções dos alunos acerca das questões levantadas. Dessa forma, as respostas produzidas devem ser expostas, comentadas e discutidas com a turma.

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=> Professor, é salutar indicar a audição por completo do disco TXAI, de Milton Nascimento. Desse modo, esta poderá ser a socialização final do conhecimento trabalho e produzido durante as atividades desta aula.

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Recursos Complementares

=> site da Fundação Nacional do Índio - FUNAI:

http://www.funai.gov.br/ 

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=> site Tabloide Digital - Reportagem sobre o lançamento do disco TXAI, de Milton Nascimento:

http://www.millarch.org/artigo/txai-o-canto-dos-povos-da-floresta-com-nascimento 

Texto originalmente publicado em:

Veiculo: Estado do Paraná

Caderno ou Suplemento: Almanaque

Coluna ou Seção: Tablóide

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=> Sugestão quando do uso de música em sala de aula:

Professor, talvez você mesmo, ou algum amigo, tenha o disco de vinil (LP) do Milton Nascimento utilizado nesta aula. 

Você pode promover aos alunos a audição de um formato de música gravada com qual a maioria não teve contato! Cabendo, portanto, debates sobre: tecnologia, preservação do patrimônio histórico, sobre os vestígios e forma de viver das pessoas no passado, entre outros.

Mais informações sobre discos de vinil em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Disco_de_vinil  

Avaliação

O ensino de História deve proporcionar ao aluno inquietar-se diante dos conteúdos, e a ter curiosidade investigativa fronte a textos e diferentes documentos. Ao mesmo tempo, intenta-se que o aluno relacione a aprendizagem escolar à sua experiência de vida, como telespectador, internauta, consumidor, constituinte de uma família e de uma sociedade – sujeito histórico, enfim.

E nesta aula o professor poderá avaliar o aprendizado em cada uma das etapas do trabalho desenvolvido:

  • através de participação nas pesquisas e exercícios propostos e dos registros produzidos em todas as atividades da aula.
  • e das percepções e/ou inquietações diante da música e do vídeo, bem como da capacidade de analisá-los.
Opinião de quem acessou

Quatro estrelas 2 classificações

  • Cinco estrelas 1/2 - 50%
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Opiniões

  • paulo vle brasil, ciep341 ver.sebastião pereira portes , Rio de Janeiro - disse:
    pbrasil@yahoo.com.br

    27/08/2012

    Quatro estrelas

    muito boa.com conteudo e práticas diversificadas


  • beatriz, Estados Unidos - disse:
    bia.biavasconcellos@bol.com.br

    02/10/2011

    Cinco estrelas

    essa aula é muito boa sou criança e sei agora muito mais sobre os jesuitas missionarios do Brasil obrigada por terem rachado a cuca para fazerem esse texto maravilhoso !!!!!!


Sem classificação.
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