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O Cangaço no Cinema Brasileiro

 

25/04/2011

Autor e Coautor(es)

Lígia Beatriz de Paula Germano

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Médio História Memória
Ensino Médio História Cultura
Ensino Médio História Processo histórico: nações e nacionalidades
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

Os alunos poderão aprofundar o conhecimento sobre a história da cultura brasileira, assim como do período do cangaço durante a República Velha no Brasil. Por meio do contato com a produção cinematográfica de diversas épocas, trataremos aqui do cinema como uma forma de entender como cada uma das épocas projetoualguns valores sobre o fenômeno histórico do cangaço.

Duração das atividades
Doze (12) aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

 

               É necessário que sejam dadas algumas informações históricas contextuais sobre o histórico das divisões de terra no País e suas consequências sociais durante a Primeira República. O aluno deverá:

a) entender como a Lei de Terras, de 1850, está na base das origens da má distribuição de terras no Brasil;

b) ter noções básicas das formas de ocupação da terra no Nordeste brasileiro, tendo como ponto de vista central a questão das secas, da formação dos latifúndios e das formas de emprego de mão de obra nas culturas agrárias;

c) ter noções básicas sobre o fenômeno do cangaço no Brasil.

Estratégias e recursos da aula

 

INTRODUÇÃO

O professor deverá fazer uma breve introdução resgatando o tema histórico do cangaço como um fenômeno histórico ocorrido no meio rural do Brasil durante o período da República Velha. Ao lado dos movimentos messiânicos e da figura de Padre Cícero, o cangaço é um dos fenômenos históricos que mais profundamente marcou a imaginação popular, sendo também um importante tema do cinema brasileiro. O professor deverá deixar claro que exploraremos aqui os aspectos cinematográficos do cangaço.

 

DESENVOLVIMENTO

Basicamente, as aulas usarão como recursos didáticos filmes de época (ficções ou documentários) e textos da época (sobre cinema e cultura brasileira).

Serão utilizados os seguintes filmes:

- Memórias do cangaço (1964), de Paulo Gil Soares:

http://www.youtube.com/watch?v=WQ3si6KNaPM (parte 1);

- Reportagem sobre Lampião (1936), de Benjamin Abrahão:

http://www.programadorabrasil.org.br/programa/158/ ;

- O  Cangaceiro (1954), de Lima Barreto:

http://www.programadorabrasil.org.br/programa/158/ ;

- Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha:

http://www.programadorabrasil.org.br/programa/116/ ;

- O homem que virou suco(1979), de João Batista de Andrade:

http://www.programadorabrasil.org.br/programa/45/ ;

- Baile Perfumado (1998), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas:

http://www.programadorabrasil.org.br/programa/4/ .

 

Será, portanto, necessário o uso de um Laboratório de Informática da escola com acesso à Internet e umaSala de Projeções. Uma ajuda muito importante é o cadastro no programa da Secretaria do Audiovisual www.programadorabrasil.org.br, que tem como objetivo a divulgação gratuita do cinema nacional e ainda a formação de núcleos debatedores de cinema. Os filmes tratados aqui poderão ser todos adquiridos pela escola por meio do programa, desde que a escola se comprometa com sua exibição. Uma sugestão é realizar um Ciclo Temático de Cinema, extraclasse, que exiba os filmes acima, semanalmente, ao longo do decorrer das atividades.

 

Atividade 1: Introdução ao tema

Aula 1

O professor deverá orientar a turma em uma pesquisa em grupo, via Internet, em livros ou revistas especializadas, sobre o que foi o cangaço no Brasil do final do século XIX e no começo do século XX. Sugerimos, portanto, que os grupos se reúnam para tentar responder às perguntas: o que levou algumas pessoas no Nordeste, durante a República Velha, a se tornarem cangaceiros foras da lei? Qual a origem dos cangaceiros?

O professor deverá pedir aos alunos que registrem de forma escrita as respostas levantadas pelo grupo, para uma futura discussão com a sala, em formato de um seminário.

memoria do cangacomemoria do cangaco

Cena de Memória do Cangaço, filme de Paulo Gil Soares. Disponível em:

http://expirados.blogspot.com/2008/12/ttulo-memrias-do-cangao-gnero.html

Aula 2

Dando prosseguimento à atividade anterior, o professor deverá apresentar aos alunos alguns trechos de importantes filmes da história do cinema brasileiro ou documentos que ajudem na resposta dos grupos.

 

O professor poderá exibir a primeira parte do filme de Paulo Gil Soares, Memória do Cangaço, de 1964:

http://www.youtube.com/watch?v=WQ3si6KNaPM.

 

O filme apresenta o depoimento de um professor da Escola de Medicina da Bahia, no qual este tenta explicar o fenômeno do cangaço. Em um seminário, o professor poderá levantar as perguntas: como os cangaceiros eram vistos? Qual a resposta dada pelo professor da Bahia à pergunta: “Qual a origem dos cangaceiros?” De acordo com as pesquisas da primeira aula, será possível dizer que a sua teoria é plausível? Quais os fatores levantados pela turma que diferem dos do professor da Bahia? Quais fatores ele desconsidera? O filme mesmo não trata de dar uma resposta ao professor por meio das imagens? Quais as consequências de um pensamento como esse exposto pelo professor da Bahia no filme?

O professor poderá tentar cruzar esta visão do professor da Bahia exposta no filme com algumas perspectivas históricas, para tentar perceber congruências e diferenças. Uma sugestão para os alunos poderá ser a entrevista concedida por Lampião ao jornal O Povo, em 1928, na qual ele relata seus motivos para estar no cangaço:

http://culturanordestina.blogspot.com/2008/05/o-monarca-selvagem-dos-sertes.html

 

O professor poderá exibir, ainda, outro trecho do mesmo filme de Paulo Gil:

http://www.youtube.com/watch?v=vk1CutCJZJs&NR=1 .

De modo diferente do primeiro trecho exibido, temos aqui o depoimento de um ex-cangaceiro. Quais os motivos que ele aponta para ter entrado no cangaço? Qual é a sua versão da história?

machete28

Entrevista de Lampião publicada no jornal O Povo, em 1928. Disponível em:

http://www.opovo.com.br/extras/80anos/entrevistas/lampiao.pdf

 

Observando o título da matéria do jornal, publicada em 1928, em O Povo (“O monarca selvagem dos sertões”), e percebendo a fala de Saracura, como podemos imaginar que eram vistos e tratados os cangaceiros na época? Esta visão do cangaceiro como um “selvagem” fora da lei não se parece um tanto com a visão do professor da Bahia? Dessa forma, como estes “foras da lei” foram tratados pelo poder público?

Avaliação da atividade

A partir dos registros realizados ao longo da pesquisa e das discussões, os alunos deverão realizar em grupos reportagens de jornal, nos moldes do jornal antigo apresentado anteriormente, que mostrem os vários lados da história, simulando assim entrevistas, manchetes, comentários, etc.

Sugestão:a atividade poderá ser realizada nos moldes antigos, mas também poderá ser realizada em um blog que reunirá as reportagens dos vários grupos, bem como vídeos, fotos, textos e todos os demais trabalhos da turma sobre o tema.

 

Atividade 2: A violência: um personagem importante para o cinema

Aula 3

O professor poderá apresentar o tema, mostrando como a violência no cangaço é tratada, por meio de uma das cenas mais importantes do filme de Paulo Gil, Memória do Cangaço. A cena é uma entrevista com José Rufino, um dos mais importantes nomes da força policial encarregada de eliminar os cangaceiros do Nordeste brasileiro.

 

Memória do Cangaço (1964), de Paulo Gil Soares, parte 2: http://youtu.be/bkmrptP7xzc

 

coronel José Rufinocoronel José Rufino

Coronel José Rufino, em entrevista em 1964, Memória do Cangaço. Disponível em:

http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ9FRPhLDytviyk7iIoL75_rXxCUt-qjDk94OhnewBgIVtqUWYh

Esta entrevista foi a inspiração da Glauber Rocha para a criação de um dos personagens mais importantes da história do cinema brasileiro: Antônio das Mortes, o matador de cangaceiros.

Outro filme que o professor poderá lançar mão é o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro(1969), de Glauber Rocha:

 

http://www.youtube.com/watch?v=YD8LLeWkjZI&feature=related

 

Sobre o filme: http://www.programadorabrasil.org.br/programa/116/

 

Antonio das MortesAntonio das Mortes

Cena do filme Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha. Disponível em:

http://3.bp.blogspot.com/_qfwWWsccIbE/TLOc-20uAwI/AAAAAAAAA6o/E90M7nIxi6g/s1600/antonio_das_mortes_1969_dragao_da_maldade_contra_o_santo_guerreiro_2.jpg

http://www.electricsheepmagazine.co.uk/reviews/2010/07/07/antonio-das-mortes/

 

A fala de Rufino deixava clara uma ambiguidade muito grande da vida no sertão de então: na medida em que Rufino era policial encarregado de matar cangaceiros, ele esteve a um passo do cangaço. Era o outro lado da violência no Nordeste rural.

O professor poderá exibir, ainda, outro trecho do mesmo filme de Paulo Gil:

http://www.youtube.com/watch?v=vk1CutCJZJs&NR=1

 

Saracura

O ex-cangaceiro Saracura, em entrevista para o filme Memória do Cangaço, de 1964. Disponível em:

http://i.ytimg.com/vi/vk1CutCJZJs/0.jpg

De modo diferente do primeiro trecho exibido, temos aqui o depoimento de um ex-cangaceiro. Que motivos ele aponta para ter entrado no cangaço? Qual é a sua versão da história?

Toda essa discussão deverá ser registrada pelos grupos participantes da discussão, pois servirá de base para a atividade de avaliação a ser realizada na aula seguinte.

 

Aula 4

Avaliação da atividade

Os alunos poderão organizar um debate em sala de aula entre estes dois personagens que aparecem no cinema brasileiro: o policial da volante e o cangaceiro.

 

Sugestão: para que a atividade seja mais completa, poderá ser sugerido um trabalho com o professor de Literatura, no qual, além de estudar o cordel, este debate seria feito em forma de versos, tal qual o duelo que aparece no filme de Glauber Rocha. Os textos produzidos podem ser publicados no blog.

 

Atividade 3: Registros históricos e imaginação sobre o cangaço

 

Aula 5

O professor deverá exibir o filme,de aproximadamente 6 minutos, produzido pelo cineasta Benjamin Abrahão, em 1936, Lampião – O imperador do sertão, dois anos antes da morte do cangaceiro. É importante chamar a atenção para o fato de estas serem as únicas imagens em movimento de Lampião e seu bando, os mais famosos dos cangaceiros.

 

Lampião – O Rei do cangaço(1936), de Benjamin Abrahão:

http://www.youtube.com/watch?v=A8RWSw25KKk

 

Exibição

1937 - No Cine Moderno, durante a projeção restrita do filme Lampeão. Disponível em:

http://www.memoriadocinema.com.br/cinemacearense.html

 

Sobre o filme, acessar o site:

http://www.programadorabrasil.org.br/programa/158/ .

 

Em um novo seminário, o professor deverá orientar a discussão do filme pontuando algumas questões. O primeiro ponto a ser discutido no filme é a presença de Abrahão em algumas das imagens e o relacionamento amigável que parece ter com os cangaceiros. Isso não faria intuir que a aproximação do cineasta foi, de fato, bem recebida pelo bando? Por que será?

Lampião Benjamin

Benjamin Abrahão e o bando de Lampião em 1936. Disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Abrah%C3%A3o_Botto

 

Um segundo ponto a ser destacado é o fato de os cangaceiros estarem sempre a fazer poses para as câmeras, encenando, às vezes, algumas cenas para o filme. Por que será? Será que os cangaceiros tinham consciência da importância de estarem sendo filmados e fotografados? Será que conheciam o valor de suas imagens?

 

Bando de lampião

Bando de Lampião em foto de Benjamin Abrahão, de 1936. Disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Virg%C3%ADnio_Fortunato_e_bando_NH.jpg

 

Existem fotografias tiradas nessa ocasião por Abrahão; algumas delas podem ser consultadas aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Abrah%C3%A3o_Botto .

Pergunta para a turma: de que forma este filme e estas fotos foram importantes para perpetuar a imaginação e o mito do cangaço? Quais outros exemplos de cangaceiros no cinema, na música e em desenhos que os alunos conhecem? Será que se inspiraram nestas imagens?

 

Aula 6

Avaliação da atividade

No Laboratório de Informática, em grupos, os alunos deverão reunir o máximo de referências visuais que conseguirem sobre este mesmo bando de Lampião: xilogravuras, quadros, histórias em quadrinhos, filmes, etc.A ideia é a confecção de um quadro que possa comparar estas imagens encontradas com as fotografias de Abrahão, para assim tentarem perceber como as fotografias foram importantes para fazer perpetuar essa imaginação sobre o cangaço, muito especialmente no cinema.  Estes quadros poderão ser expostos para toda a escola ou publicados no blog da turma.

Sugestão:os alunos deverão, com orientação do professor, contribuir com o verbete Cangaço, na Wikipedia, em especial na área: Cangaço e cultura popular, adicionando filmes importantes sobre o tema e contribuindo no verbete com toda a discussão realizada na sala de aula (http://pt.wikipedia.org/wiki/Canga%C3%A7o ).

 

Atividade 3: O Western e o cangaço no Cinema Brasileiro

 

Aula 7

O professor deverá introduzir aquela que, talvez, seja a mais famosa das ficções feitas sobre o cangaço no Brasil: O cangaceiro, de Lima Barreto. Produzido pelos estúdios da Vera Cruz, foi o primeiro filme brasileiro a ter destaque internacional, ganhando na ocasião de seu lançamento, em 1953, os prêmios de Melhor Filme de Aventura e Melhor Trilha Sonora em Cannes. Inspirado na história de Lampião, o filme apresenta alguns traços históricos do cangaço, acrescentando outros. A ideia da aula é demonstrar a transição do documentário para a ficcionalização da imagem de Lampião pelo cinema brasileiro. De que forma foi feito isso?

O cangaceiro

Cartaz do filme de Lima Barreto, O cangaceiro, de 1953. Disponível em:

http://catracalivre.folha.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/11/O-cangaceiro.jpg

 

O cangaceiro(1953), de Lima Barreto:

Parte 1: http://youtu.be/je7h_cEeTWg;

Parte 2: http://youtu.be/WzDongxC2Ww.

Sobre o filme: http://www.programadorabrasil.org.br/programa/158/ .

 

Mais uma vez, chamamos a atenção para a importância de, se possível, o professor exibir o filme na íntegra para os alunos. Em uma discussão sobre o filme, um dos mais importantes traços a serem destacados é a introdução de características do western norte-americano ao tema do cangaço, adaptando-o assim aos padrões internacionais.

 

 

-

Cena do herói do filme O cangaceiro,  de Lima Barreto

http://www.pop.com.br/arquivos/I/INT/INTCangaceiro111210/135292_Cangaceirointjpg.jpg

 

Para saber mais sobre o Western e o Cangaço, acessar:

 http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1079245&tit=m-faroeste-a-moda-do-cangaco .

 

Em grupos, os alunos deverão responder às questões seguintes, por escrito: o filme se parece com os documentos históricos produzidos por Abrahão? Os alunos conseguem identificar o personagem que o representa no filme? Em que é diferente? O que ele acrescenta na história? O que ele não diz?

 

Aula 8

Avaliação da atividade

Em uma pesquisa em grupo, os alunos deverão descobrir algumas características do filme:

- Onde o filme foi filmado?

- Como falam os atores que se apresentam? Que sotaque apresentam?

- Quais as técnicas usadas pelo diretor para tentar tornar os cenários mais convincentes?

 

O cangaceiro

 

Cenas das filmagens do filme O cangaceiro.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u723760.shtml

 

Os alunos deverão formular, assim, uma espécie de Crítica cinematográfica sobre O cangaceiro,tentando responder às questões colocadas na atividade. A atividade poderá ser publicada no blog.

Sugestão: caso interesse ao professor, ele poderá exibir um trecho de uma Sátira muito particular ao filme de Lima Barreto, ou sugerir uma comparação entre ambos, o que também poderá fazer parte da avaliação escrita.

Lamparina (1964), de Mazzaropi:

http://www.youtube.com/watch?v=Sq9mxrTmo7g .

 

Sugestão de leitura para o professor:

- Texto sobre a relação inaugurada por Lima Barreto entre o Western e o Cangaço:

http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1079245&tit=Um-faroeste-a-moda-do-cangaco ;

- Trecho do texto de Glauber Rocha sobre O cangaceiro:

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT503253-1655,00.html .

 

 

Atividade 4: O cangaço e seus diálogos com a modernidade

Aula 9

 

O professor deverá começar a aula com a exibição das fotos:

 

Virgulinolampiao e maria bonita

Na primeira foto, Lampião posa para a fotografia. Na segunda, Maria Bonita também faz pose.

Disponível em:http://webmanario.wordpress.com/tag/o-globo/

http://blogdoivaldoshow.blogspot.com/2010/11/o-cangaco-uma-abordagem-historica.html

 

O que os alunos notam de interessante nestas fotos? De certo, apontarão o fato de Lampião segurar o jornal O Globo, talvez lendo algo escrito sobre ele, e o outro cangaceiro, ao lado de Maria Bonita, segurar uma revista de variedades. É de se notar que o jornal e a revista, ícones da vida moderna das cidades, de alguma forma estavam presentes na vida destes homens? Levar a pergunta aos alunos: será que Virgulino, de alguma forma, também levou, conscientemente, o cangaço até o cinema, a imprensa e a fotografia?

Baile Perfumado

Cena do filme Baile Perfumado,de Lírio Ferreira, de 1998. Disponível em:

http://1.bp.blogspot.com/-4ubiqOvWAPQ/TWUM_3ZpxwI/AAAAAAAAGec/uOoPkxC62so/s1600/a-retomada-02_baile-perfumado+%25281%2529.jpg

 

O professor deverá exibir o trecho do filme Baile Perfumado (1998), no qual Lampião se dirige à câmera, mostrando-se como um ator de cinema, como um personagem.

Baile Perfumado(1998), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira

http://www.youtube.com/watch?v=HdUvXJOkQ8M

 

Caso haja oportunidade, o professor deverá exibir o filme completo durante uma mostra paralela às aulas, pois o filme é inteiramente sobre o encontro de Lampião e Abrahão, destacando assim o lado “moderno” do cangaceiro. Uma leitura importante sobre o filme de Lírio é aquela que parece transformar a figura de Lampião em um cangaceiro que faz a sua “guerra” também por intermédio do cinema, dos jornais e das fotografias, valendo-se destes meios para se projetar e aumentar a sua ação.

Avaliação da atividade

Nos mesmos grupos, os alunos deverão responder às perguntas, de forma escrita. Quando o bando de lampião foi derrotado pela força policial, a cabeça deles foi cortada e essa foto foi amplamente divulgada. Não seria esse um resultado dessa “guerra” também nas imagens de Lampião? Não seria preciso derrotá-lo também nas imagens?

 

Morte no cangaço

 

Foto divulgada após a captura do bando de Lampião, em 1938. Disponível em:

http://feiraantiga.blogspot.com/2010/11/lampiao-esteve-em-feira-de-passagem.html

 

 

Aula 10

Avaliação da atividade

O professor deverá exibir o videoclipe da música Sangue de Bairro, de Chico Science e a Nação Zumbi. Deverá chamar a atenção que estas são cenas do filme Baile Perfumado. Ainda em grupos, os alunos deverão interpretar a letra da canção a partir das aulas dadas. Que nomes são esses? A última parte da letra fala de qual movimento específico? Se essa letra fosse um filme, como seria esse filme?

Videoclipe de Sangue de Bairro: http://www.youtube.com/watch?v=Cvd470YYJQ4

Letra de Sangue de Bairrohttp://letras.terra.com.br/chico-science/304738/

Sugestão: caso a escola tenha computadores com programas simples de edição de vídeo, os alunos poderão reunir as imagens pesquisadas na Atividade 3 e tentar fazer o seu próprio videoclipe para a música.

 

Aula 11

O filme O homem que virou suco conta a história de um migrante nordestino na cidade de São Paulo. O filme apresenta o personagem passando pelas mais diversas dificuldades na cidade. Em determinado momento do filme, o personagem se imagina como um cangaceiro na cidade grande, lutando contra os diferentes males que o aflige. O professor poderá exibir só o trecho citado (presente no link abaixo) ou o filme completo, por meio da já citada sugestão de se fazer uma mostra paralela às aulas.

 

O homem que virou suco

Cena do filme O homem que virou suco, de João Batista de Andrade, 1979. Disponível em:

http://www.guarulhosonline.com/news/wp-content/uploads/2010/09/homem-que-virou-suco02.jpg

 

O Homem que virou suco(1979), de João Batista de Andrade (trailer):

http://www.youtube.com/watch?v=Gz9SrkETcTc .

Trecho do filme:  http://www.youtube.com/watch?v=ELnL0_Bphvg .

Sobre o filme: http://www.programadorabrasil.org.br/programa/45/ .

Em um seminário, o professor deverá orientar o debate com os alunos. Baseando-se no filme de João Batista, poderíamos afirmar que o cangaço acabou? Pensando na cidade onde vivemos, ainda existem bandidos sociais? Como vivem em geral os migrantes dos meios rurais nas cidades?

 

Aula 12

Atividade final

Após a discussão da aula anterior, a turma será dividida em grupos, para que realize uma série de reportagens em vídeo aos moldes do filme de Abrahão, só que ambientada nos dias de hoje. Com câmeras de vídeo, disponíveis na escola ou mesmo câmeras fotográficas que gravam em vídeo, ou até mesmo câmeras de celulares, deverão fazer uma reportagemfictícia que mostre um cangaceiro nos dias de hoje: contra o que um cangaceiro lutaria hoje? O que eles reivindicariam? O que os levaria para o cangaço? Onde morariam? Quais memórias teriam? Como lutariam?

Aos moldes de João Batista, os alunos deverão atualizar o mito do cangaço para os dias de hoje. Seria interessante se, nessa reportagem, eles pudessem reunir trechos dos filmes trabalhados na aula e os misturassem às imagens gravadas. Essa reportagem deverá mobilizar todos os conhecimentos que os alunos reuniram durante as atividades.

Sugestão: a reportagem poderá ser exibida no último dia, em uma Mostra de Cinema, ser debatida pelos presentes, ser colocada no youtube e, até mesmo, publicada no blog da turma.

 

CONCLUSÃO

Ao final das atividades, os alunos deverão ter sido introduzidos em uma parte da história do cinema brasileiro, assim como nas diferentes formas de o cinema encarar um fenômeno histórico. Deverão ser capazes de extrair informações históricas dos filmes (sejam elas factuais, políticas, de ideias, etc.). Deverão aprender a diferenciar e, quando necessário, aproximar, a ficção do documentário. Deverão compreender como funciona a dinâmica de uma tradição visual em termos históricos. 

Recursos Complementares

É indicado para cada um dos temas um série de leituras que auxiliem o professor:

Atividade 1: Introdução ao tema:

 

a) Uma sugestão de leitura para o professor poder orientar os alunos na elaboração destas respostas é o livro de Eric Hobsbawn, Bandidos, em especial os capítulos 2 e 5, em que é apresentada a ideia do bandido social, discutindo ainda o caso brasileiro. Uma versão em espanhol do livro pode ser baixada por meio do linkhttp://www.mediafire.com/?j1i1y2tdd0h

 


Atividade 2: A violência: um personagem importante para o cinema:

- Carta de Lampião ao Governador de Pernambuco (1936):

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_desafio_do__governador_do_sertao__imprimir.html ;

- Monografia sobre “Literatura de Cordel e o Cangaceiro Lampião”:  

http://fmmdl.sites.uol.com.br/romero/cordel.htm

 

 

 

 

Atividade 3: Registros históricos e imaginação sobre o cangaço:

- História de Benjamin Abrahão, autor do filme:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Abrah%C3%A3o_Botto ;

- Contextualização do cinema cearense por volta de 1936:

http://www.memoriadocinema.com.br/cinemacearense.html ;

- A importância do filme de Abrahão para a história do cinema brasileiro:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101016/not_imp625521,0.php

 

 

Atividade 4: O cangaço e seus diálogos com a modernidade:

 

- CALDAS, Paulo; FERREIRA, Lírio. A modernidade, a tradição e a vaidade deLampião.Revista Cinemais, Rio de Janeiro, n. 4, mar./abr. 1977, p. 7-38;

- Entrevista com os diretores:

http://www.di.ufpe.br/~mundi/numero1/artes/entrevista.html ;

- Artigo “Baile perfumado revisita Lampião: realidade, ficção e revisão de um mito construído pela História”, disponível em: http://www.todasasmusas.org/03Veronica_Daniel.pdf ;

- Monografia sobre as fotos de Lampião, disponível em:

http://www.revistafenix.pro.br/PDF13/DOSSIE_%20ARTIGO_13-Marcos_Edilson_de_Araujo_Clemente.pdf .

 

Conclusão:

 

Roteiro do filme O homem que virou suco:

http://aplauso.imprensaoficial.com.br/edicoes/12.0.813.094/12.0.813.094.pdf

Crítica do filme:

http://revistabeta.com.br/new/edicao-online/a-estetica-do-oprimido-em-o-homem-que-virou-suco/ .

Avaliação

 

AVALIAÇÃO

As avaliações se darão ao término de cada atividade (e estão descritas detalhadamente ao longo das atividade), levando-se em conta: a consistência e a pertinência dos registros escritos produzidos pelos alunos; a sua participação nas atividades de pesquisa e de discussão em grupo e em seminários; a qualidade da produção de um jornal nos moldes antigos; a sua participação nos debates em sala de aula, na confecção do quadro comparativo, na formulação da crítica cinematográfica, na interpretação do material analisado durante as aulas e, por fim, na montagem do vídeo com reportagens sobre o tema. É uma sugestão para o professor criar um blog que publique os resultados finais das pesquisas. Caso isso tenha sido possível, a avaliação também levará em conta a Mostra de Cinema paralela exibida para toda a escola e discutida pelos alunos.

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