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Europeus e indígenas na conquista da América: a visão do outro

 

20/06/2013

Autor e Coautor(es)
LEIDE DIVINA ALVARENGA TURINI
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UBERLANDIA - MG Universidade Federal de Uberlândia

Eliana Dias e Lazuíta Goretti de Oliveira

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo História Relações de poder e conflitos sociais
Educação de Jovens e Adultos - 1º ciclo Estudo da Sociedade e da Natureza Cultura e diversidade cultural
Ensino Médio Sociologia Estudo das sociedades humanas
Ensino Médio História Cultura
Ensino Médio História Sujeito histórico
Ensino Fundamental Final História Relações sociais, a natureza e a terra
Ensino Médio Sociologia Cultura e diversidade cultural
Ensino Médio História Tempo: transformações e mentalidades
Ensino Médio História Memória
Ensino Médio História Poder
Ensino Médio História Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
  • Identificar os diferentes conceitos utilizados pelos historiadores para explicar o que ocorreu em 1492, na América, a partir da chegada dos europeus: descobrimento ou encobrimento?
  • Compreender a visão que os europeus tinham sobre os povos indígenas e suas culturas nos primeiros contatos ocorridos na América, entre os séculos XV e XVI.
  • Compreender a visão dos povos indígenas sobre os europeus e suas culturas no período mencionado.
Duração das atividades
06 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
  • As transformações ocorridas nas sociedades feudais da Europa, a partir do século XI, as quais motivaram as chamadas "Grandes Navegações" dos séculos XV e XVI.
  • A América antes da chegada dos europeus: diferentes povos e culturas.
Estratégias e recursos da aula

Estratégias:

  1. Leitura e interpretação de fontes escritas e imagéticas.
  2. Trabalhos individuais, em dupla e em grupo.
  3. Produção de mapa conceitual.
  4. Debate.
  5. Análise e produção de HQ (História em Quadrinhos).

 

Recursos:

  1. Computador e internet.
  2. Programa PowerPoint e/ou CmapTools.
  3. Material para a produção da HQ: papel, cola, tesoura, lápis de cor etc.

 

Módulo I - Descobrimento ou encobrimento?

Atividade 1

Inicie a discussão do tema com os alunos a partir de uma reflexão sobre como os historiadores apresentam a chegada dos europeus à América a partir de 1492. Cada um dos conceitos utilizados nos textos historiográficos para tratar o tema indica uma dada visão, um determinado ponto de vista sobre os europeus, sobre os povos indígenas da América e sobre o que aconteceu com/entre eles a partir de 1492. Assim, propicie o contato do aluno com textos que tragam à tona alguns desses conceitos, entre os quais, destacam-se:

Descobrimento Achamento Encontro Conquista Invenção Invasão Encobrimento

a. Sugira aos alunos a leitura do texto de Maria Teresa Toribio Brittes Lemos intitulado "Novo Mundo, novos termos", publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional, edição 84, setembro de 2012. A autora faz uma breve reflexão acerca das referências históricas de alguns dos conceitos citados acima. Confira, abaixo, um excerto do texto e o link para acesso ao mesmo:

Revista de Historia da Biblioteca Nacional

Texto 1: Novo mundo, novos termos

As ideias de descobrimento, invenção, encontro e conquista causam controvérsia entre os historiadores

Maria Teresa Toribio Brittes Lemos

1492 mudou o mundo. Diferentes interpretações e conceitos tentam explicar as origens e os motivos dessa mudança. Mas cada um deles corresponde a diferentes posições ideológicas e pontos de vista dos estudiosos que se debruçam sobre a questão. O que parecia claro a todos é que tamanha transformação não podia ser atribuída apenas ao avanço da técnica ou ser mero reflexo da expansão comercial e marítima e da conquista de mercados, próprias da revolução comercial que se instalou na Europa no final da Idade Média.

Assim, após a constatação da existência de um mundo novo, repleto de surpresas, diferenças e similitudes, era preciso entender historicamente aquele fato. Como classificar esse acontecimento que abalou as formas de pensar do homem quinhentista?

Texto disponível na íntegra em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/novo-mundo-novos-termos. Acesso em 05/06/2013 (Grifos nossos)

 

b. Para acesso ao texto, os alunos devem ter à disposição um computador conectado à internet. Outra opção é a reprodução impressa do material pelo professor. Oriente os alunos a fazerem uma leitura atenta do texto e a sublinharem as ideias centrais, sobretudo aquelas que trazem  os conceitos e suas referências históricas.

Uma boa dica de como sublinhar as ideias centrais de um texto os alunos encontram no linkhttp://www.coladaweb.com/como-fazer/sublinhar-e-esquematizar-um-texto

 

c. Outra leitura interessante para esta discussão é o texto de José Murilo de Carvalho, intitulado "O encobrimento do Brasil", o qual, embora trate principalmente do uso do termo descobrimento relacionado à chegada de Cabral e sua expedição ao território que seria denominado mais tarde de Brasil, também discute a utilização dos conceitos descobrimento e encobrimento nos dois marcos históricos: 1492 e 1500. Assim como no texto anterior, oriente os alunos a fazerem uma leitura atenta e a sublinhar as ideias centrais. Confira, abaixo, um excerto do texto e o link para acesso ao mesmo:

O encobrimento

Texto 2: O encobrimento do Brasil

José Murilo de carvalho

Em 1992, por ocasião dos 500 anos da viagem de Colombo, houve intenso e extenso debate nas Américas e na Europa sobre o vocabulário adequado para descrever a chegada dos europeus ao continente. Uma crítica devastadora foi então feita ao uso da palavra "descobrimento", ou "descoberta", por representar um insuportável etnocentrismo europeu. De fato, só foi descobrimento para os europeus. Aqui viviam, em 1492, cerca de 50 milhões de habitantes, não muito menos que a população da Europa. A Cidade do México, capital do império asteca, tinha 200 mil habitantes, mais talvez do que qualquer cidade europeia. Paris tinha na época cerca de 150 mil. Falar em "descobrimento” implicava dizer que essas gentes e civilizações só tinham passado a ter existência real após a chegada dos europeus. Implicava ainda dar um tom falsamente neutro a um processo que foi violento e genocida.

Texto disponível na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_6_4.htm. Acesso em 05/06/2013

 d. Após o desenvolvimento das atividades propostas nos itens b e c, promova um debate entre os alunos acerca das ideias centrais sublinhadas por eles em cada um dos textos. As mesmas ideias serão fundamentais para a realização da atividade 2.

 

Atividade 2

Produção de Mapa Conceitual dos textos 1 e 2

 Imagem disponível em: http://blog.educastur.es/cuate/2006/06/29/mapas-conceptuales-con-cmap-tools/

 

Os alunos devem organizar as ideias centrais dos dois textos, destacadas na atividade 1, através da elaboração de um mapa conceitual de cada um deles. Confira as orientações:

a. Divida os alunos em duplas para a realização da atividade. Inicialmente, as duplas precisam ter clareza sobre o que é, para que serve e como produzir um mapa conceitual. Utilizando computadores com acesso à internet, os alunos devem ler o texto que se encontra disponível na Biblioteca Virtual do CEAD/UFJF, no link http://www.cead.ufjf.br/media/biblioteca/mapas_conceituais.pdf (ou no link http://www.slideshare.net/computacaoufjf/mapas-conceituais-4828386), intitulado “Mapas conceituais: instrumentos para a compreensão de textos”, de autoria do professor Waldyr Azevedo Junior.

Confira a definição e os objetivos de um mapa conceitual, segundo o autor:

Mapas conceituais são representações gráficas do conhecimento organizado. O conhecimento organizado é composto por uma estrutura de proposições; estas são afirmações compostas por conceitos e palavras de ligação.

O mapa conceitual exige uma seleção de conceitos, daqueles que são julgados os mais importantes, de modo a resumir as ideias principais.

Ele pode servir a dois objetivos:

a) o de compreensão de um texto, ao nos levar a determinar os principais conceitos do texto e sua interligação;

b) uma vez feito o mapa conceitual de um texto, servir de um resumo dele.

 

Orientações para a produção do mapa conceitual extraídas do texto:

1. Anotar os conceitos em cartões de cartolina ou em papeizinhos coloridos. Esta escrita em cartões é fundamental para a prática, pois facilita muito o deslocamento físico do conceito, na montagem do mapa conceitual.

2. Usamos uma folha grande de papel pardo sobre a qual fazemos uma primeira tentativa de disposição dos conceitos escritos nos cartões.

3. As frases de ligação não precisam ser escritas inicialmente. Basta lermos os cartões e falarmos para nós mesmos as frases de ligação.

4. Quando julgarmos que a disposição dos conceitos, mais as frases de ligação fazem sentido, colamos os cartões com fita adesiva na folha de papel pardo, desenhamos as ligações entre os conceitos, nesta mesma folha, com uma caneta tipo pilot e escrevemos as frases de ligação nos locais apropriados.

5. Depois de terminado, o mapa conceitual deve ser armazenado. Podemos guardá-lo da maneira como foi feito, embora isto não seja muito prático. Ocupa muito espaço. O melhor a fazer é transcrevê-lo numa folha de papel de tamanho adequado ou fotografa-lo.

As orientações acima (de 1 a 4) foram organizadas por Waldyr Azevedo Junior em um mapa conceitual, que serve, portanto, como um tutorial (traz o passo a passo) e ao mesmo tempo como exemplo do recurso. Confira:

Mapa conceitual 2

Disponível em: http://www.cead.ufjf.br/media/biblioteca/mapas_conceituais.pdf. Acesso em 06/06/2013

O mapa conceitual também pode ser acessado no link http://www.slideshare.net/computacaoufjf/mapas-conceituais-4828386. Acesso em 19/06/2013

b. Após o trabalho de compreensão sobre o recurso é hora de produzir o mapa conceitual de cada um dos textos indicados. Para que a socialização e o debate do recurso sejam mais produtivos, divida as duplas em dois grupos, sendo que cada grupo ficará responsável pela produção de um mapa conceitual. Por exemplo, em uma turma de 32 alunos será possível formar 16 duplas, sendo que 8 duplas farão o mapa conceitual do texto 1 e as outras 8 duplas farão o mapa conceitual do texto 2.   

c. As etapas sugeridas nas orientações referem-se a uma produção manual do mapa conceitual sem a utilização de nenhum programa de computador. Entretanto, depois de organizado em papel, conforme orientações acima, os alunos devem reproduzir os mapas conceituais elaborados em formato digital, utilizando o Power Point ou outro programa, como o Cmap Tools, que é uma ferramenta específica para a criação de mapas conceituais, é gratuito e pode ser facilmente localizado na internet para download. Confira o tutorial para o Cmap Tools no link: http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutindicecmap.htm (Acesso em 06/06/2013).

Apresentação dos mapas conceituais

d. As duplas, divididas em dois grupos, devem apresentar para os demais colegas os mapas conceituais elaborados. O professor deve orientar os alunos a observarem as semelhanças e diferenças entre os mapas conceituais produzidos para cada texto, verificando se as duplas destacaram conceitos semelhantes, se fizeram ligações parecidas entre os conceitos etc. Ao final, o professor deve propor uma discussão a respeito das diferenças ocorridas, chamando a atenção para os mapas que melhor representaram as ideias principais e secundárias de cada um dos textos trabalhados. Os mapas conceituais produzidos podem ser compartilhados entre os alunos, através da utilização de pendrives ou e-mail.

 

Módulo 2 - A visão dos europeus sobre os povos indígenas e suas culturas

Atividade 1 

 

Trabalhando com documentos históricos 

A proposta para esta atividade é que os alunos reúnam textos de cronistas, viajantes e missionários europeus que estiveram na América nos primeiros séculos da colonização para que possam identificar nos textos elementos que permitam compreender a visão que os europeus possuíam sobre os povos nativos.

Sugestões de textos (documentos históricos) que podem ser trabalhados na atividade:

Documento 1

Os índios andam nus sem nenhuma cobertura. Vivem em aldeias com 7 ou 8 casas. Cada casa está cheia de gente e nela cada um tem sua rede de dormir armada. Não há, entre eles, nenhum Rei, nem Justiça, somente em cada aldeia tem um principal que é como capitão, ao qual obedecem por vontade e não por força. (...) Este principal tem três ou quatro mulheres (...). Não adoram coisa alguma nem acreditam que há depois da morte glória para os bons, e pena para os maus. Assim, vivem bestialmente sem ter conta, nem peso nem medida.

 (Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, século XVI)

Disponível em: http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/etnocentrismo-colonizacao.htm. Acesso em 06/06/2013

Questões:

1. Após uma primeira leitura pelos alunos, é interessante orientá-los, primeiramente, a buscarem informações sobre Pero de Magalhães Gandavo e anotá-las no caderno. Sugestão de link para consulta:

2. O autor do texto trabalha com a ideia de exclusão, pois o outro é visto pelo que ele não tem em relação ao europeu. Cite trechos do texto que exemplificam esta característica do autor.

3. Explique o que você entendeu sobre a frase: "Assim, vivem bestialmente sem ter conta, nem peso nem medida".

 

Documento 2

“É por isso que as feras são domadas e submetidas ao império do homem. Por esta razão, o homem manda na mulher, o adulto, na criança, o pai, no filho: isto quer dizer que os mais poderosos e os perfeitos dominam os mais fracos e os mais imperfeitos. Constata-se esta mesma situação entre os homens; pois há os que, por natureza, são senhores e outros que, por natureza, são servos. Os que ultrapassam os outros pela prudência e pela razão, mesmo que não os dominem pela força física, são, pela própria natureza, os senhores; por outro lado, os preguiçosos, os espíritos lentos, mesmo quando têm as forças físicas para realizar todas as tarefas necessárias, são, por natureza, servos. E é justo e útil que sejam servos, e vemos que isto é sancionado pela própria lei divina. Pois está escrito no livro dos provérbios: ‘O tolo servirá o sábio’. Assim são as nações bárbaras e desumanas, estranhas à vida civil e aos costumes pacíficos. E sempre será justo e de acordo com o direito natural que essas pessoas sejam submetidas ao império de príncipes e de nações mais cultivadas e humanas, de modo que, graças à virtude dos últimos e à prudência de suas leis, eles abandonam a barbárie e se adaptam a uma vida mais humana e ao culto da virtude. E se recusam esse império, é permissível impô-lo por meio das armas e tal guerra será justa assim como o declara o direito natural... Concluindo: é justo, normal e de acordo com a lei natural que os homens probos, inteligentes, virtuosos e humanos dominem todos os que não possuem estas virtudes.”

SEPÚLVEDA, Juan Ginés. “Tratado sobre las justas causas de la guerra contra los indios” apud ROMANO, Ruggiero. Os Mecanismos da Conquista Colonial: os conquistadores. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1973. p. 84-5.

Extraído de: http://www.ufjf.br/rehb/files/2010/03/v5-n1-2001.pdf. Acesso em 06/06/2013

Questões:

1. Após uma primeira leitura pelos alunos, é interessante orientá-los, primeiramente, a buscarem informações sobre quem foi Juan Ginés Sepúlveda e anotá-las no caderno.

2. As palavras de Sepúlveda revelam o etnocentrismo europeu em relação aos indígenas. Trabalhe com os alunos o conceito de etnocentrismo para que possam compreender melhor o texto. Sugestão de link para leitura: http://www.brasilescola.com/sociologia/etnocentrismo.htm (Acesso em 06/06/2013)

Professor, trabalhe também com os alunos o conceito de ETNOCENTRISMO, a partir dos quadrinhos abaixo:

 

Henfil. Fradim. Rio de Janeiro: Codecri.

Disponível no link: http://sociologado.wordpress.com/tag/fradim/. Acesso em 06/06/2013

A partir da leitura atenta de cada quadrinho o professor pode orientar uma discussão, entre os alunos, sobre o conceito de etnocentrismo nesta produção de Henfil. Pode levá-los a observar, por exemplo, que:

a. A intenção dos personagens ditos "civilizados" em "integrar" o índio à "civilização" é motivada por uma visão etnocêntrica que não permite ver o outro e aceitar a sua diferença cultural.

b. A conclusão sobre o "atraso" do índio é feita a partir daquilo que ele não tem em relação aos "civilizados", ou seja, a partir do ponto de vista dos brancos.

c. Há uma crítica ao etnocentrismo nos quadrinhos, sobretudo quando o personagem conclui que o índio é atrasadíssimo por não ter nenhuma dos problemas de saúde que afetam os "civilizados".

Produção de Texto Dissertativo

Após o debate entre os alunos das questões destacadas acima, proponha a eles a elaboração de um texto dissertativo sobre o conceito de etnocentrismo relacionado à temática do módulo 2.

Para rememorar as discussões já realizadas em aulas de Língua Portuguesa e de História acerca das características de um texto dissertativo, indique aos alunos a leitura do texto que se encontra disponível no link: http://www.brasilescola.com/redacao/dissertacao.htm, o qual discute: o que é dissertar?

Proponha também a leitura do texto "Como fazer uma boa dissertação?", disponível no link: http://www.brasilescola.com/redacao/como-fazer-uma-boa-dissertacao.htm

Os textos produzidos devem ser socializados entre os alunos.

4. Feita a discussão sobre o etnocentrismo, retorne ao documento 2 e peça aos alunos para relerem a definição dada por Sepúlveda em todo o texto sobre as características dos europeus que, segundo ele, são senhores por natureza, em contraponto com as características dos indígenas que, na visão do autor, só podem  ser servos. Depois questione: vocês concordam com o autor? Por quê?

5. É possível dizer que a visão de Sepúlveda sobre os nativos é uma visão etnocêntrica? E a visão de Pero de Magalhães Gandavo, no documento 1, pode ser denominada de etnocêntrica? Justifique.

 

Módulo 3 - A visão dos povos indígenas sobre os europeus e suas culturas

 

Atividade 1

A visão Maia sobre os espanhóis e a conquista da América

 

 Relato Maia

Então tudo era bom                                                 

e então (os deuses) foram abatidos.

Havia neles sabedoria.

Não havia então pecado...

Não havia então enfermidade,

não havia dor de ossos,

não havia febre para eles,

não havia varíolas...

Retamente erguido ia seu corpo então.

Não foi assim que fizeram os dzules

quando chegaram aqui.

Eles nos ensinaram o medo,

vieram fazer as flores murchar.

Para que sua flor vivesse,

danificaram e engoliram nossa flor...

Castrar o sol!

Isso vieram fazer aqui os dzules.

Ficaram os filhos de seus filhos,

aqui no meio do povo,

esses recebem sua amargura...

LEÓN-PORTILLA, Miguel. A conquista da América Latina vista pelos índios. Relatos astecas, Maias e Incas. 3a edição. Petrópolis: Vozes, 1987, p.59/60.

 Roteiro para a atividade:

a. Além do relato maia destacado nesta atividade, o professor pode selecionar outros relatos do livro de Miguel León Portilla, relacionados aos astecas e incas, para resgatar o ponto de vista dos povos indígenas sobre os europeus e a conquista da América.

b. Proponha aos alunos uma dinâmica de leitura que alie texto escrito e linguagem oral, possibilitando um maior envolvimento do aluno com o texto, ao qual ele poderá emprestar a sua interpretação e expressividade através de uma leitura dramatizada.

c. Questione: o relato distingue dois tempos vivenciados pelos Maias. Quais são eles? O que os diferencia?

d. No relato, os Maias chamam os europeus de dzules, que quer dizer forasteiros, segundo León-Portilla (p.59). Como os dzules são representados no poema?

e. Oriente os alunos a escolherem a frase mais significativa do relato, segundo o ponto de vista deles próprios, e a representarem através de um desenho. Depois, sugira a socialização dos desenhos entre os colegas e a criação de um painel em sala de aula para expor as produções da turma.

 

Atividade 2

A visão de um tupinambá sobre a exploração do pau-brasil pelos europeus

Jean de Léry (1534-1611) foi um missionário e escritor francês que veio ao Brasil em 1557, com destino à chamada França Antártica, na então colônia francesa estabelecida no Rio de Janeiro. O texto a seguir é uma adaptação feita a partir de um trecho do livro escrito por Léry sobre a sua viagem ao Brasil. No excerto, destaca-se uma conversa que teria ocorrido entre ele e um índio Tupinambá.

Embora o texto tenha sido escrito por um europeu, é possível extrair dele a visão do indígena a respeito da exploração do pau-brasil realizada pelos estrangeiros no século XVI e as diferenças culturais pontuadas por ele.

 

Texto: Conversa entre Jean de Léry e um velho índio Tupinambá no século XVI

Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan (madeira pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me:

- Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?

Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas. Retrucou o velho imediatamente:

- E porventura precisais de muito?
- Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.

- Ah, retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas; acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?
- Sim, disse eu, morre como os outros.

Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo:

- E quando morrem para quem fica o que deixam?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou parentes próximos.

- Na verdade, continuou o velho, que como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.

 Adaptação disponível no link: http://www.iande.art.br/textos/velhotupinamba.htm. Acesso em 06/06/2013

Caderno RBMA nº10

Confira o texto acima na publicação da RBMA (Reserva da Biosfera da Mata Atlântica) na série Documentos Históricos, Caderno no. 10, retirado do livro de Jean de Léry, “Viagem à Terra do Brasil”, de 1576, Editora da Universidade de São Paulo, com tradução para o português e notas de Sérgio Milliet, no link: http://www.rbma.org.br/rbma/pdf/Caderno_10.pdf. Acesso em 06/06/2013

 Roteiro para a atividade:

a. Oriente os alunos a fazerem uma primeira leitura individual do texto, destacando palavras desconhecidas e procurando o significado delas no dicionário ou esclarecendo-as com o professor.

b. Sugira uma segunda leitura em voz alta, escolhendo dois alunos, sendo que um fará a leitura das falas de Jean de Léry e o outro a leitura das falas do índio Tupinambá.

c. Após a leitura, proponha uma discussão sobre a seguinte questão:

  • De acordo com o texto de Léry, quais as diferenças apontadas pelo índio Tupinambá entre a sua cultura e a cultura europeia, relacionadas à concepção sobre o trabalho e a exploração da terra?

 

O texto do diálogo entre Jean de Léry e o índio Tupinambá também pode ser trabalhado na versão para história em quadrinhos produzida por André Diniz e intitulada "O índio e o europeu":

O índio e o europeu

Disponível em:

http://www.rededosaber.sp.gov.br/contents/seguranca/GestaoPesquisa/main/file_dmp/PraticasPedag2009/LP_EF_H.pdf, página 20. Acesso em 06/06/2013

Confira também uma proposta de atividade para a História em Quadrinhos no link indicado acima.

  

Dicas de leitura para o Módulo 3:

1. A visão de um nativo samoano sobre o papalagui (homem branco)

Ref.: SCHEURMANN, Erich. O papalagui. São Paulo: Marco Zero, 2003

Embora não seja um documento do século XV/XVI e nem trate dos indígenas da América, o livro "O Papalagui" é um excelente material para se refletir sobre a visão de um nativo sobre o homem branco e a sociedade dita civilizada. Trata-se de um livro publicado em 1920 por Erich Scheurmann (1878-1957) o qual apresenta comentários do chefe Tuiávii, da aldeia de Tiavéa, localizada na Ilha de Upolu no arquipélago de Samoa, sul do Oceano Pacífico. A partir da leitura é possível refletir sobre as diferenças culturais entre nativos de Samoa e europeus, assinaladas sob o ponto de vista do chefe Tuiávii.

Confira o texto no link: http://portalacademico.no.comunidades.net/index.php?pagina=1307857828

 

2. A França no Brasil

O texto de Jean de Léry, trabalhado na atividade anterior, pode instigar os alunos a buscarem uma leitura específica sobre o período da História do Brasil em que os franceses tentaram manter uma colônia no Rio de Janeiro. Proponha a eles a leitura do texto "A França no Brasil", o qual pode ser acessado no site da Biblioteca Nacional, no link: http://bndigital.bn.br/francebr/antartica.htm

Links acessados em 07/06/2013

 

Módulo 4 - Análise e produção de História em Quadrinhos sobre o tema

 

Atividade 1

O olhar do outro na História em Quadrinhos "Descobrimento da América"

A proposta para esta atividade é que os alunos façam um trabalho de análise crítica de uma História em Quadrinhos sobre o tema "Descobrimento da América", procurando observar como são representados os povos indígenas e os europeus.

Roteiro para a atividade:

a.  Utilizando computadores, os alunos devem acessar o link abaixo indicado, no qual encontrarão a História em Quadrinhos produzida por Maurício Rett, intitulada "Descobrimento da América". Confira a página 1 da HQ:

Descobrimento da América

Disponível em: http://www.cartunista.com.br/descobrimento1.html

Acesso em 07/06/2013

 

b. A partir do link indicado, os alunos podem acessar as 5 páginas da História em Quadrinhos. Cada aluno deve fazer uma primeira leitura individual do texto completo.

c. Após a primeira leitura individual, divida os alunos em trios. O professor deve conversar com os alunos a respeito do humor e do lúdico enquanto características das histórias em quadrinhos. Desta forma, é preciso que os alunos observem que o autor mescla noções relacionadas a fatos históricos oficiais sobre o tema com noções que fazem sentido apenas quando relacionadas ao modo de viver e pensar nos tempos atuais. Nesse sentido, peça aos alunos que destaquem no texto as falas que revelam humor e anacronismo. Para explicitar o conceito de anacronismo, peça aos alunos que acessem o link http://www.brasilescola.com/historia/anacronismo.htm e leiam o significado do termo. 

d. Na leitura humorada do autor sobre o "Descobrimento da América", como os indígenas são representados? Qual a visão que eles têm dos europeus?

e. E os europeus, como são representados? Qual a visão que eles têm dos indígenas na História em Quadrinhos?

f. Após discutirem e responderem as questões por escrito, os trios devem ser convidados pelo professor a apresentarem oralmente as suas conclusões para os demais colegas. Ao final das apresentações, o professor deve esclarecer possíveis dúvidas.

 

Atividade 2

Logomarca de História em Quadrinhos

Fonte da imagem: http://www.historiadigital.org/tutoriais/como-fazer-historia-em-quadrinhos/

 

Mãos à obra: produção de História em Quadrinhos pelos alunos

1. Escolha do tema

Após todos os estudos realizados sobre o tema geral da aula, proponha aos alunos a elaboração de uma História em Quadrinhos sobre um dos subtemas abordados:

a. A chegada dos europeus na América: descobrimento ou encobrimento?

Ao desenvolverem o roteiro para a história em quadrinhos a proposta é que os alunos, com base nas leituras realizadas no módulo 1, tragam a discussão sobre o ponto de vista dos europeus (que defendem que houve descobrimento e que trouxeram a "civilização" para os povos "bárbaros, selvagens e atrasados" que viviam na América) e o ponto de vista dos povos indígenas (que defendem que houve invasão, genocídio, aculturação desde a chegada dos europeus, mas também houve luta e resistência dos povos indígenas e que houve um encobrimento desta interpretação na historiografia oficial).

b. O ponto de vista dos europeus sobre os povos indígenas e suas culturas

Com base nas leituras e atividades realizadas no módulo 2, os alunos podem trazer para o roteiro da história em quadrinhos a discussão sobre o etnocentrismo europeu e a percepção dos mesmos sobre os povos nativos, revelando o estranhamento e a não aceitação das diferenças culturais que marcaram a sua relação com o outro.

c. O ponto de vista dos povos indígenas sobre os europeus e suas culturas

Baseados nas leituras e atividades desenvolvidas no módulo 3, os alunos podem trazer para o roteiro da história em quadrinhos o estranhamento dos povos nativos em relação aos europeus e sua cultura, discutindo sobre a percepção dos mesmos em relação a aspectos da cultura europeia que mais se chocaram com as suas culturas (a imposição da religião católica, desconsiderando as suas próprias crenças, por exemplo, a questão da língua, os valores diferentes relacionados ao trabalho, à relação com a terra, entre outros).

 

2. Orientações para a elaboração da História em Quadrinhos

a. Utilizando computadores, os alunos devem buscar orientações, na internet, sobre o passo a passo para a produção de uma História em Quadrinhos. Confira duas sugestões:

Evelyn Heine. Como fazer uma História em Quadrinhos. http://www.divertudo.com.br/quadrinhos/quadrinhos-txt.html

Michel Goulart. Como fazer História em Quadrinhos. http://www.historiadigital.org/tutoriais/como-fazer-historia-em-quadrinhos/

 

As fontes indicadas trazem boas orientações sobre a produção de HQs (Histórias em Quadrinhos). De acordo com elas, de maneira geral, os alunos devem seguir os passos abaixo:

1. Elaborar o roteiro da HQ.

2. Definir o número de quadrinhos que a HQ inteira vai ter.

3. Definir a diagramação, ou seja, a forma e o tamanho dos quadrinhos.

4. Definir se vai utilizar desenhos próprios ou colagem na HQ.

5. Começar pelo texto (balões dos personagens).

6. Definir o tipo de letra que utilizará e os tipos de balões para cada situação.

7. Inventar um título para a HQ que será colocado no início da primeira página e não esquecer de colocar a palavra "fim" no último quadrinho.

8. Fazer primeiro à lápis para ter como fazer correções antes da finalização da HQ.

Para cada um desses passos, veja as orientações nas fontes indicadas nos links acima.

 Confira, abaixo, algumas dicas de Evelyn Heine para a produção de HQ:

HQ1 HQ2
HQ3 HQ4

Estas e outras orientações podem ser encontradas no link: http://www.divertudo.com.br/quadrinhos/quadrinhos-txt.html. Acesso em 07/06/2013

 

b. Divida os alunos em duplas para a produção da HQ, para que eles possam trocar ideias e contar com a colaboração de um colega em cada passo da produção.

c. A orientação do professor é fundamental durante todo o processo, para que a proposta temática da HQ seja de fato contemplada pelas duplas e as dúvidas sejam esclarecidas.

d. Assim que terminarem as HQs, os alunos devem socializá-las com os demais colegas da turma. Organize um espaço na escola para que as HQs possam ser expostas e lidas por outros alunos da escola e demais membros da comunidade escolar. Registre esse momento com fotos e filmagens.

Recursos Complementares

Sugestões para alunos e professores:

A imagem dos nativos e a conquista da América Espanhola. http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/a-imagem-dos-nativos-conquista-america-espanhola.htm Acesso em: 07 jun 2013.

Euro, etno e outros centrismos. http://www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/euro-etno-e-outros-centrismos Acesso em: 07 jun 2013.

Representações europeias do Novo Mundo. http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/documentos/op/em/historia/2010-08/op-em-hi-01.pdf Acesso em: 07 jun 2013.

A História vista de baixo: a visão asteca da conquista espanhola. http://www.amerindia.ufc.br/Anteriores/Vol02/vol02_11.pdf Acesso em: 07 jun 2013.

A Cruz e a Pena como Instrumentos de Resistência (Parte 1). http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=alunos&id=289 Acesso em: 07 jun 2013.

 

Sugestões para os professores:

TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1982

LEON-PORTILLA, Miguel. A visão dos vencidos. A tragédia da conquista narrada pelos astecas. Porto Alegre: L&PM, 1985.

Links do Portal do Professor:

Razões que levaram à dominação das populações nativas da América pelos europeus. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22607 Acesso em: 07 jun 2013.

Etnocentrismo, genocídio e aculturação: marcas da colonização europeia na América. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22347 Acesso em 07 jun 2013.

Avaliação

A avaliação deve oferecer ao professor elementos que lhe possibilitem observar se os objetivos propostos na aula foram efetivamente alcançados pelos alunos, tendo em vista as estratégias desenvolvidas e os recursos utilizados. Assim, nessa proposta o professor poderá avaliar:

1. Os mapas conceituais produzidos pelas duplas de alunos, observando a adequada representação dos conceitos centrais e das relações estabelecidas entre eles, segundo orientações formuladas no módulo1.

2. Produção de texto sobre o conceito de etnocentrismo relacionado ao tema da proposta, como indicado no módulo 2.

3. Produção de História em Quadrinhos, conforme orientações apresentadas no módulo 4.

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