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Edição 57 - Sociologia na Escola
06/07/2011
 
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Professor do Paraná usa a construção coletiva de livros para ensino da sociologia

Com a produção de livros coletivos, os estudantes deixam de ser passivos e começam a ser observar como sujeitos

Com a produção de livros coletivos, os estudantes deixam de ser passivos e começam a ser observar como sujeitos

Autor: Arquivo pessoal


Professor de sociologia no campus de Toledo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Eric Gustavo Cardin está no magistério há oito anos. Nesse período trabalhou também com alunos do nível básico, sempre privilegiando a construção coletiva do conhecimento. “O resultado material disso dependia das condições das escolas e das turmas. Em alguns lugares era possível pensar em livros coletivos, em outros, em jornais, fanzines ou murais”, analisa Eric, que é bacharel e licenciado em ciências sociais, com mestrado e doutorado em sociologia.

Segundo ele, como as escolas ainda não adotavam nenhum livro didático para a disciplina de sociologia, havia um leque de possibilidades na escolha dos conteúdos a serem desenvolvidos para a produção de livros coletivos. Atualmente, a realidade é diferente, diz o professor, pois o Paraná adotou o Livro Didático Público e o Ministério da Educação vai encaminhar obras, no próximo ano, por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). “Assim, a elaboração dos livros coletivos pode corresponder a um mecanismo de complementação de conteúdos que são ausentes nos livros escolhidos, mas que são importantes e de interesses dos estudantes”, justifica. Entre esses, cita os que dizem respeito a histórias regionais, problemas locais e ao entendimento de questões contemporâneas que fazem parte do cotidiano dos estudantes, como o bullying.

Para Eric, a escolha dos conteúdos precisa levar em conta algumas variáveis: “quais os conteúdos previstos nas Diretrizes Curriculares? Quais conteúdos são de interesse e estão relacionados com o cotidiano dos alunos?” De acordo com ele, a escolha não é do professor ou do estudante, de forma isolada. “É uma escolha feita dentro das opções que o professor considera relevante e o estudante demonstra interesse”, salienta.

Em sua opinião, dois aspectos fundamentais precisam ser destacados. Em primeiro lugar, é necessário que o professor tenha um cronograma de trabalho bem elaborado, com clareza nas etapas a serem desenvolvidas. Outro ponto é que, embora o livro seja destinado a um conteúdo específico, outros temas, teorias ou assuntos poderão ser trabalhados em sala de aula, de maneira transversal, durante a confecção do livro. O professor destaca, ainda, a necessidade de aproximar os estudantes do tema escolhido, a fim de aproximá-los das definições sociológicas por meio de estratégias de ensino em que o professor se sinta mais confortável. “Seja através de aula expositiva, dialogada ou por meio de “uma chuva de ideias”. Depois é preciso explicar o projeto do livro: “o que vamos fazer? Como vamos fazer? Porque vamos fazer?”

Para a confecção do livro coletivo, os alunos devem trabalhar em grupos. Cada grupo ficará responsável por um capítulo, que irá tratar de uma dimensão diferente do conteúdo. Após o levantamento de dados, os estudantes irão trabalhar em sala de aula, orientados pelo professor, a fim de elaborarem a primeira versão do capítulo, que será apresentado aos demais alunos. Todos poderão, então, dar sua contribuição ou sugestão. Depois de montado, o livro será discutido e estudado na sala de aula, como um recurso pedagógico, podendo ser trocado pelos livros produzidos pelos alunos de outras salas. “O livro deixa de ser algo abstrato e passa a ser produzido por iguais, os estudantes deixam de ser passivos e começam a ser observar como sujeitos”, analisa Eric.

Em sua visão, aulas expositivas tradicionais são tão importantes quanto o desenvolvimento de experiências e precisam ser feitas juntas. “Os estudantes precisam apreender as definições dos tipos de dominação de Weber e aplicá-los no entendimento do comportamento político retratado nas reportagens de jornal que falam do cenário brasileiro”, assinala. Outro aspecto que considera importante é sempre utilizar ao máximo os recursos pedagógicos existentes. “Uma música, um filme, uma fotografia, nunca é apenas o conteúdo expressado. Ela é o resultado do trabalho humano, reflete um contexto histórico e uma estética”, acredita Eric. Para ele, todas as dimensões precisam ser trabalhadas a fim de que o ensino de fato seja um momento especial, um momento de enriquecimento pessoal.

Na Unioeste, Eric dá aulas nos cursos de graduação e de mestrado em ciências sociais. Nas matérias diretamente relacionadas com a prática docente, ele não só busca problematizar as diversas possibilidades teóricas e metodológicas das relações de ensino-aprendizagem, como trabalha com o desenvolvimento de práticas, dinâmicas e recursos adequados para o ensino de sociologia no nível médio. (Fátima Schenini)

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