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Edição 9 - Educação no Campo
18/11/2008
 
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Classes multisseriadas são maioria no campo

Autor: Ivoneide Nunes e Socorro Prado


Saber trabalhar com alunos de vários níveis simultaneamente e ter criatividade para deixar os estudantes envolvidos nas atividades em grupo. Estas são as dicas da professora Iva Meneses Sá de Souza para lecionar em classes multisseriadas. Formada em História e Geografia há 13 anos, ela trabalha na Escola de Ensino Fundamental São José St. Letreiros, onde as turmas são formadas por em média 13 alunos de 4 a 10 anos de idade.

Localizada no município cearense de Tianguá, que fica a 310 quilômetros de Fortaleza, a escola São José é uma das 57 mil escolas rurais formadas exclusivamente por turmas multisseriadas ou unidocentes. O número corresponde a 59% do total de escola localizadas no campo, segundo dados do Censo Escola de 2005.

Mestre em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pedagogo, Oscar Ferreira Barros explica que as turmas multisseriadas são mais numerosas no campo porque, em geral, as comunidades rurais não apresentam matrículas suficientes para formar uma turma para cada série.

De acordo com o especialista, há várias estratégias que podem ser utilizadas pelos professores em classes multisseriadas. Uma delas é fazer um planejamento específico para cada série. “Nesse modelo, o professor trabalha como se a sala estivesse dividida por divisórias, fazendo com que cada aluno trabalhe separadamente”, esclarece.

Outra metodologia muito utilizada, segundo Barros, é a do planejamento integrado, com a criação de projetos que envolvem todos os alunos. “As atividades são feitas coletivamente, mas cada aluno entrega um trabalho diferente”, explica. O essencial, para ele, entretanto, é que os professores saibam integrar a realidade local ao aprendizado.

Trabalhando há 10 anos em escolas multisseriadas, a professora Iva aponta que é imprescindível conhecer o nível de cada aluno para que eles possam ajudar uns aos outros. “É importante planejar aulas dinâmicas que envolvam todos os níveis e atividades que chamem atenção, despertando o interesse do aluno pelo assunto”, afirma.

A professora Janaina Fernandes dos Santos, da Escola de Ensino Fundamental Adelino Pinto Silva, localizada no mesmo município, concorda. Licenciada em Biologia, Janaina acredita que o professor de classes multisseriadas deve conhecer a realidade de sua turma e ter consciência da missão de atender as necessidades de cada série. “Sendo um sistema que acolhe várias séries em uma única turma, o professor deve respeitar o nível de aprendizagem de cada aluno”, acrescenta.

Aluna de Iva, a estudante Janaina Marques Ferreira, acha mais divertido estudar em turmas multisseriadas. “Tudo misturado é melhor porque os que sabem mais ajudam os que não sabem nada”, diz. Com 10 anos de idade, a estudantes adora matemática e sonha em ser professora quando crescer. A aluna Wiana Kélvia Ramos Aguiar, da escola Adelino Pinto Silva, também gosta estudar em grupo. “Temos os cantinhos de aprendizagem na escola. Lá, uns ajudam os outros”, conta.

Apesar de desafiadora, a tarefa de ensinar uma turma de alunos com idades e níveis de ensino diferentes tem gerado resultados satisfatórios para ambas. Iva conta que com o sistema multisseriado, o professor acaba conhecendo melhor a realidade do aluno, de sua família. “Os estudantes também contam com a ajuda dos colegas nos estudos de grupo e em dupla, e assim aprendem mais”, disse. Janaína, por outro lado, ressalta que, mesmo trabalhando em grupo, os alunos avançam individualmente, cada um nos seu próprio ritmo.

(Renata Chamarelli)

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