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Edição 7 - Especial Dia do Professor
15/10/2008
 
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Respeito e gratidão ajudavam a superar dificuldades da profissão

Autor: Arquivo Pessoal.


Com água de poço e à luz de velas. Assim era o cotidiano dos professores que trabalhavam em áreas rurais, onde não existia luz elétrica nem água encanada, há cerca de 70 anos. Esta realidade foi vivida de perto pela professora Jandyra Leal Diehl, 93 anos, de Porto Alegre, quando foi lecionar em Linha Oito, pequena localidade de colonização polonesa, no interior de Ijuí, noroeste do Rio Grande do Sul.

Formada pelo Colégio Bom Conselho, em 1932, com o título de bacharelanda complementarista, Jandyra deu aulas de química em escola particular durante alguns anos até que, em 1937, fez o primeiro concurso para professores promovido no Estado. Foi classificada em 68º lugar entre os 1.800 aprovados. Naquela época, o professor tinha que fazer dois anos de estágio no interior, antes de ser nomeado. A localidade era designada de acordo com a classificação obtida no concurso e procurava levar em conta a proximidade da família. Apesar da excelente colocação, Jandyra foi mandada para Linha Oito, cerca de 400 quilômetros distante da capital, devido a um erro ocorrido na publicação dos resultados.

Ao terminar o primeiro ano do estágio, o professor podia escolher outra localidade, mas Jandyra preferiu permanecer no mesmo local, onde dava aulas para o antigo 5º ano primário. O pequeno vilarejo, com apenas uma rua, e três casas de alvenaria, dispunha de uma casinha de madeira para cada educador, mas ela preferiu morar na própria escola, junto com as demais professoras, para ficar acompanhada e ter mais segurança.

No final do segundo ano, os professores eram enfim nomeados, embora devessem fazer mais um ano de estágio em uma cidade de sua própria escolha. Jandyra preferiu então ir para São Gabriel, no sudoeste do Estado, onde vivia seu noivo. “Depois de poucos meses, a diretora da escola em que eu trabalhava entrou de licença para ganhar bebê e assumi a direção. Fui a escolhida entre as 18 professoras da instituição, que já trabalhavam lá há mais tempo”, conta. Quando a antiga diretora retornou, relembra Jandyra, não quis mais exercer a função, preferindo ficar mais tempo em casa com o filho. “Aí permaneci no cargo, por cerca de sete anos”.

Para acompanhar o marido, que precisou mudar de cidade por exigência do trabalho em uma instituição bancária, Jandyra também trabalhou em Rio Grande e em Porto Alegre. Naquele tempo, destaca, ser professora era o único emprego considerado aceitável para moças “de família”. Além disso, a profissão era conceituada, as professoras muito respeitadas, tanto pelos estudantes como por seus pais, e o salário, era muito bom.

Lembrada, até hoje, por inúmeros alunos, Jandyra diz que “antigamente, os alunos tratavam suas professoras de uma maneira bastante respeitosa e correta”. Ela cita, com carinho, Luiz Odorizzi, que seguidamente a visita. “Era um aluno querido, que veio de uma cidade da colônia italiana para trabalhar e estudar em Porto Alegre. Sabia a gramática, porém sua pronúncia não era adequada. Prontifiquei-me voluntariamente a corrigi-lo e hoje é com grande satisfação que vejo sua inesquecível gratidão. Como possui uma confeitaria, seguidamente me presenteia com tortas.” (Fátima Schenini)

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